O retorno dos hóspedes

Nossa casa sempre foi de alta rotatividade, principalmente, depois que mudamos para Espanha. Mas acontece que por uma combinação de motivos, essa frequência diminuiu bastante nos dois últimos anos.

Por um lado, eu mesma não parei muito em casa, com idas de emergência para o Brasil. Por outro, a imigração andou pegando pesado com os brasileiros e espantou os turistas daqui.

Da minha parte, felizmente isola, as coisas se aquietaram e passei a ir menos ao Brasil. Também os turistas brasileiros começaram pouco a pouco a se interessar por Madri novamente. Não sei se por isso, mas nossa casa voltou a ser paradeiro de amigos. 

Se normalmente nós já somos animados, imagina quando vem gente visitar! Em dois fins de semana diferentes, vieram duas amigas, ambas brasileiras vivendo no exterior e ambas com energia para a noitada madrileña. Daí é correr para o abraço, né? As noites acabavam bem cedo, tipo 5 ou 6 da manhã!

Voltamos a frequentar o El Junco, que continua com ótima música e até anda menos esfumaçado, acredite se quiser. Depois rodávamos um pouco pelos inferninhos das redondezas e acabávamos no Kabocla.

No terceiro fim de semana consecutivo, viria outro amigo da Suíça, mas acabou ficando parado em Paris por causa da greve. Aliás, coisa que não falta na França é greve.

Pensei então, que seria mais tranquilo. O único compromisso que tinha era a inauguração da coqueteleria de um amigo, na sexta-feira passada, pela hora do almoço. Muito bem, Luiz conseguiu se liberar mais cedo, coisa que me impressionou, pois tem trabalhado direto até por volta dàs 21h, quase todos os dias. Às 15h, conseguimos chegar na tal coqueteleria, que aliás, está uma graça.

Vinhozinho daqui, sushi dali, conversa com amigos… o pessoal indo embora… e aí, seguimos? Fazer o que, né? Seguimos, é lógico.

Fomos para o Mercado de San Miguel pelo finzinho da tarde e superamos o desafio quase impossível de conseguir uma mesa. Umas nove garrafas de vinho e vários belisquetes depois, uma amiga sugeriu ir em um bar de tango.

Só meio bêbados mesmo Luiz e eu toparíamos ir a um argentino de propósito, mas que ninguém nos ouça, o lugar era bem simpático e serviu um bife à milanesa redentor.

Pouco depois da hora que a Cinderela vai embora, foi batendo um cansaço daqueles. Já nem aguentava comer nem beber nada! Minha capacidade de conversar havia decrescido radicalmente e ainda tínhamos um almoço no dia seguinte. Uma das amigas inclusive dormiu literalmente na mesa. Então, mesmo dando vontade de ficar mais um pouco e seguir, melhor voltar para casa.

No dia seguinte, acordamos ótimos! Também, bebida boa, bem alimentados, bom astral, pessoais legais… beleza! Mas admito que estava bem cansada e Luiz não parecia muito melhor.

Sem problemas, fomos em um almoço na casa de outra amiga. Um pratinho básico, leve: feijoada! Quer saber, caiu muito bem e não tomamos nem uma gota de álcool, afinal, um abuso de cada vez. Por outro lado, imagina a lombeira que bateu depois!

Fomos para casa descansar um pouco, com o plano de assistir um amigo tocar à noite. Muito bem, nem sei como não choveu nesse dia, porque à noite eu pedi arrego. Luiz, você está assim louco de vontade de sair hoje? Porque se tiver que ir, eu vou, mas vontade mesmo estou é de ficar derretida no sofá e bem cobertinha.

Quando sair da rotina é passar um sábado à noite tranquilos em casa, é sinal que a vida não está nada mal, ou então, é que não temos muito juízo.

Domingo foi preguiçoso também, já espero que o próximo fim de semana seja bastante agitado, porque é feriado e temos programação para absolutamente todos os dias. Melhor armazenar energias.

Na verdade, nem precisou chegar o fim de semana, porque o agito começou ontem, quarta-feira. Foi show do Seu Jorge e Almaz. Um showzaço! Adoramos! A gente curte Seu Jorge desde os tempos do Farofa Carioca e tinha uma expectativa alta para essa apresentação. Coisa que é um pouco perigosa, porque expectativas são sempre difíceis de se cumprir. Digo que dessa vez, foram superadas! Achei que funcionaram muito bem como grupo, super complementares e fazendo uma música realmente nova. Experimental, no sentido de se utilizar uma experiência, não simplesmente provar para ver o que dava. Achei surpreendente a mescla do rock, meio Led Zeppelin, com muito de jazz também, e ao mesmo tempo raízes afro-brasileiras, samba e sei lá mais o que. Enfim, digo isso mais para dar referências, porque não precisam de comparações, foram bastante originais. E vamos combinar, o que é a voz do Seu Jorge? Fala sério! Como um cidadão daquele tamanho pode ser tão leve? E ao mesmo tempo, bastante forte, quando recitou “Negro Drama”, do Racionais’ MCs, foi de arrepiar. Valeu.

5 comentários em “O retorno dos hóspedes”

  1. A parte que mais gostei foi “ficar em casa sábado à noite para variar”! Quando crescer quero ser igual a vocês: INCANSÁVEL!
    A vida em Paris ficou mais chata depois de Madrid.
    Muito obrigada mais uma vez pelo fim de semana histórico. Estou te esperando aqui. Vê se não convida mais ninguém para a moqueca!
    Ah, claro, tenho que confessar que as garrafas de vinho no mercado são miguel me deram água na boca! Não aguento maiis Bordeaux, Chablis, Girondas…
    Beijocas!

  2. … é, realmente, esse negócio de tomar Bordeaux, Chablis… que desagradável, né? Vidinha chata em Paris… heheheh… 😀

    De nada e seja mais que bem vinda! Dia 12 estaremos chegando pelas bandas parisinas, acha um lugar legal para irmos no sábado!

    Besitos

  3. Hey, ADOREI chgar em casa “cedo” :):):) Me lembrou as nossas baladas de muitos anos atras (nem tantos, hahahaha).
    Obrigada pela hospedagem, foi tao bom rever Luiz e voce 🙂
    E acredite que nao vou ter vergonha nenhuma de voltar :):):) Assim que tiver uma oportunidade, esteja voce aonde estiver, se eu passar por perto, VOU TE VER!!!!
    Beijocas

  4. é por essas e por outras que eu me identifico demais com esse casal 20 🙂 saudades de ler vc, agora acho que volto à vida normal…. besos!

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