O paradoxo do sonho

Sei quando ando escrevendo pouco porque os amigos começam a me enviar e-mails, assim meio que como não querem nada… me perguntando se está tudo bem… porque o blog está meio parado…

Pois está tudo bem sim, é que por uma questão de prioridades, esses últimos dois meses estou bastante focada na viagem para Paris e no estágio que vou fazer.

Sei que o mundo continuou girando e acompanho as notícias, mas estou um pouco egoísta e tratando da minha vida, que é a única que por direito posso controlar o mínimo possível.

Por mais que um estágio em Paris soe completamente sedutor e interessante, a verdade é que há mais de dez anos não trabalho para ninguém, não cumpro ordens, não tenho horário fixo. Tenho mais de quarenta anos e vou começar em uma área nova, numa função que nunca exerci profissionalmente. Vamos complicar um pouco? Será em outro país, com um chef que não conheço e em um idioma que até falo, mas não domino.

Não quero passar a impressão errada de que não estou gostando, porque me meti nessa encrenca com meus próprios pés, em sã consciência e, não vou negar, amarradona! Mais do que isso, recebi total suporte do Luiz e dos meus amigos. Mas também não vou tirar onda que acho moleza. Eu tenho medo.

É mais ou menos como esquiar, pelo menos, como foi para mim. Ficava enrolando naqueles montinhos de neve, para o tempo passar enquanto Luiz esquiava de verdade. Afinal, ele não iria para uma estação sozinho e eu não queria privá-lo da experiência. Em algum momento, aquela mediocridade me cansou e entre o tédio e o medo… melhor arriscar montanha abaixo. Às vezes, me pergunto se sou corajosa ou simplesmente não tenho a menor paciência!

Como costumo dizer, minha vida ficou bem melhor a partir do momento que perdi a dignidade. Você passa a encarar os micos com muito mais tranquilidade.

Assim que no fundo, sei que meus riscos não são altos. Na pior das hipóteses, volto para casa e pronto, com a serenidade de quem tentou. Certo?

Uma pinóia, né? Só se não fosse quem sou. Como é que posso voltar para casa achando que não fiz bem? Fiz menos do que poderia? E o pior, por alguma razão idiota, como não entender bem alguma tarefa. Para mim, esse primor que sou na arte do improviso, é meu pior pesadêlo!

E vamos combinar, tem coisa mais apavorante que a possibilidade próxima de realizar um sonho? Saber que em pouco tempo você vai comparar a situação real com algo idealizado? Tem algo mais injusto que uma expectativa? E, ao mesmo tempo, para que ter sonhos e planos sem que haja a intenção verdadeira de perseguí-los e concretizá-los? Para mim, é um paradoxo insolucionável!

Enfim, outra vez não quero passar a impressão errada, estou otimista, feliz pacas com a oportunidade e tentarei aproveitar o melhor possível. É só um desabafo dessa eterna contradição, talvez felizmente, que é a vida, ou é a minha.

Ou talvez, seja só o outono e meu inferno astral.

6 comentários em “O paradoxo do sonho”

  1. Sabe Bianca a gente que nao tem medo de nada, a mim me da muito medo, o medo è saudavel, e perfeitamente vencivel, tambem nao esqueça que voce vai com muitas vantagens, da idade, do suporte emocinal, de nao ter de trabalhar pra comer, e principalmente com sua enorme e 100% fiavel intuiçao. Vera como vai dar tudo muito certo, e como voce vai fazer de bem.
    Os sonhos se ousamos fazer eles se realizam, assim como os milagres, estao na mesma categoria.
    Se voce pode sonhar pode realizar.
    Um beijo

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