Ainda em São Paulo

Passada a exposição, relaxei um pouco com a sensação de missão cumprida. Bom, digo que relaxei, mas não descansei, porque a agenda ainda era longa.

Na sexta-feira, chegou um casal de amigos do Rio e uma amiga de Florianópolis. Então, decidi fazer no sábado pela manhã, outro mini vernissage para quem não conseguiu ir na quarta-feira anterior. Foi também uma amiga de Brasília, mas essa conseguiu ir no dia da inauguração oficial. Muita honra, né?

De maneiras que, no sábado, ainda houve um gostinho a mais de exposição. Foi legal porque além dos amigos de fora de São Paulo, havia os que tinham filhos e era complicado sair à noite, os que ficaram presos no trabalho até mais tarde, enfim, acabou indo mais gente do que imaginava. De lá, almoçamos com alguns amigos na rua da galeria mesmo e seguimos para casa, com nossa amiga de Floripa na tentativa de descansar um pouco antes da noite chegar. Claro que não descansei nada, mas tudo bem, pelo menos conversamos mais um pouco.

Porque no sábado à noite, os amigos paulistas organizaram uma festa para a gente encontrar todo mundo. Sempre é mais legal uma reunião em casa, a gente fica mais à vontade e mesmo que não seja muito tempo, dá para matar um pouco da saudade.

Foi o máximo! Mas para ser sincera, estava um pouco nostálgica. É bacana ver as pessoas bem, seguindo suas vidas, mas em paralelo também dá um pouco a sensação de perda por não estar tão próxima. Sei que não perdi nada, ganhei outras coisas, mas acho que sempre será assim.

Disse tchau, mas não me despedi de ninguém. Não quero mais me despedir de ninguém!

A partir de domingo, tirei o pé um pouco do acelerador, porque Luiz estava exausto e querendo férias das férias. Tudo bem, vai, havíamos encontrado a maioria das pessoas pelo menos uma vez.

E quem não encontramos, paciência! Todos os dias anunciei onde estaríamos para quem pudesse se programar. Fazemos o maior esforço para atravessar o oceano e neguinho não arruma um diazinho que possa sair um pouco mais cedo do trabalho, ou sábado que não precisaria de babá… ou a desculpa que seja, fazer o que? Fatalidades acontecem e entendo, mas fora isso, quem quis nos encontrar, achou tempo, a gente fez o possível!

O período em que estivemos na cidade, tentei viver como se morasse lá novamente. Não temos planos de sair da Espanha, mas tantos amigos e conhecidos voltaram para o Brasil nos últimos meses que é difícil não pensar no tema. E foi estranho olhar a cidade assim.

Achei São Paulo enorme outra vez! Lembro que quando mudei para lá, as distâncias me impressionavam, não cabia tudo na minha cabeça. Logo fui me acostumando até achar normal, inclusive as duas horas diárias dispensadas em engarrafamentos. Agora achei o trânsito ainda pior e tudo parecia tão longe! E para lembrar dos caminhos? Luiz e eu fazíamos uma força danada! E olha que circulávamos muito, mas muito bem pela cidade. Foi frustrante, outra vez a sensação de perda. Tudo bem, não é tão grave, só esquisito. A memória foi voltando gradualmente e, ao final de uma semana, não me sentia tão estrangeira.

Há uma coisa que acredito que estranharia muito se voltasse, que é esse negócio de só andar de carro. Enquanto não conhecia outra alternativa, não sentia falta, mas agora que faço tudo caminhando, seria muito difícil abrir mão da liberdade que os pés te trazem.

Mas enfim, também não tem porque me encucar muito com isso. Como disse, não temos planos de sair da Espanha agora.

No dia 17 de agosto, pegamos o avião de volta para casa. Bom vôo, chegamos bem. Tudo no lugar, sem faltar nenhum pedaço. Cheguei a esquecer o nome da minha rua, putz!

A cabeça é sempre a primeira a viajar e a última a voltar, mas uma hora volta. Já voltou.

Ajuda encontrar um felino gordo e carinhoso, morrendo de saudades! Quem acha que gato não liga para gente, conhece muito pouco dos bichanos. Jack estava bem, não perdeu peso nem parecia estressado, mas me seguiu a primeira semana inteira até para ir ao banheiro! Pelo sim e pelo não, resolvi dar equinácea todos os dias para ele, misturada a um patê de gatos que ele ama, assim aumentamos a resistência do nosso velhinho que fará seus onze anos em breve.

Entramos rápido na vida madrileña, mas isso conto na próxima vez!

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