E a vida segue…

Ficaram coisas para contar e admito que nos últimos tempos não tenho dado a devida prioridade ao blog. Às vezes, a gente tem que optar em como ocupar o dia com o que é urgente. Acho que o verão traz também um pouco de preguiça boa e tudo que fazemos parece mais devagar. Sou naturalmente muito acelerada e um freiozinho de mão natural pode me vir bem.

Começo pela nossa apresentação com o coral, que foi no dia 8 de julho. Acredito que tenha sido a mais elaborada e cuidada nos detalhes que fizemos, pelo menos, dentro dos nossos recursos. O repertório foi só de sambas, na verdade, um recorrido histórico iniciado pelo primeiro samba reconhecido, Pelo Telefone do Donga, passando por Chiquinha Gonzaga, Cantoras do Rádio, Pixinguinha, Braguinha, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, entre outros. Demos um toque teatral e nosso cenário foi um bar no estilo gafieira, onde as canções surgiam naturalmente, como de um bate papo nas mesas. Ficou bonito!

 

Investimos dois meses nesse show e, se por um lado o trabalho desgasta um pouco, por outro traz muita realização na hora que a gente respira fundo e pensa: funcionou! Saí com vontade de mais e nos reunimos cerca de uma semana depois para pensar na possibilidade de levá-lo para algum teatro ou outro espaço.

Para mim foi um pouco difícil, porque a cabeça já tinha mudado de sintonia para a próxima prioridade, que é a exposição no Brasil. Mas achava importante que a gente conversasse enquanto as idéias estavam frescas.

Foi uma boa conversa, onde identificamos uma série de pontos que poderiam ser melhorados. Ao mesmo tempo, começou a me cair a ficha da trabalheira que isso significava e do tempo a ser investido. No final, na hora de estabelecermos uma agenda, a coisa começou a se desencontrar.

Tomei um banho de realidade e cheguei a conclusão que tenho uma série de outros projetos para iniciar. Nesse momento, preciso que a cigarra dê um tempo porque às vezes a formiga também precisa se concentrar para trabalhar em paz. Vou pensar se tenho alguma alternativa quando chegar setembro, mas no momento, não vejo como seguir cantando, ao menos não no grupo. Tenho uma sensação de perda, mas não quero pensar nisso agora.

Enquanto isso, na sala de justiça… a fábrica caseira não parou! Acho que os artistas são bem parecidos nesse sentido, é muito difícil a gente dar um fim a qualquer trabalho ou montagem de exposição. A gente quer usar até o último minuto e nunca acha que é suficiente, portanto, o trabalho não acaba, o que acaba é o tempo. E ontem à noite, meu tempo acabou! Finalizei a 50a peça e gosto de números redondos. Que assim seja! E que a merda me acompanhe!

 

Agora que está perto da viagem ao Brasil, será na semana que vem, o frio na espinha bateu com tudo e por muitos motivos diferentes. Estou uma histérica, oscilando entre a euforia e a irritação, tudo é muito!

Sim, meu pai segue com uma ou outra complicação, mas também aprendendo a administrar com minha mãe seu leão de cada dia, e o principal, tentando melhorar sua qualidade de vida. Continuo no eterno dilema se não deveria estar contribuindo mais nesse apoio, estar mais presente, mas faço o exercício de não me culpar, porque culpas não ajudam ninguém. E o fato de não ir ao Brasil às pressas, correndo do aeroporto para um hospital não tem preço! Ainda que fosse só por isso, eu agradeceria. Mas é por muito mais.

Comecei a agitar os encontros com os amigos brazucas e o carinho que a gente recebe me traz uma mistura de felicidade extrema e nostalgia. Temos amigos desviando sua rota, saindo de suas cidades, mudando sua programação ou simplesmente achando uma brecha na própria agenda complicada. E isso é muita coisa, me emociona.

Parei para pensar em quantas pessoas me despedi na vida e quando a cifra chegou aos três dígitos, não sabia se agradecia o privilégio de conhecer tanta gente boa ou sofria por antecipação da falta das próximas a conhecer (e das mesmas conhecidas). Já me peguei de má vontade em me relacionar com novos amigos com data para ir embora. E também sei que de novo chegará minha vez.

Tudo bem, sei lidar com essa questão, já aprendi e viva a internet que ajuda e muito a encurtar as distâncias. Mas isso não quer dizer que não sinta saudades, que não tenha amigos específicos que quero contar assuntos específicos e pessoalmente, tomando um vinho, um whisky ou uma cachacinha. A proximidade dessa possibilidade faz minha cabeça girar a mil por hora e nem dormir direito consigo mais!

Para culminar a explosão de sentimentos, tem a exposição. O que posso dizer? Minha última no Brasil desmontei com a mudança para Atlanta empacotada, quase um ritual de passagem. Os últimos sete anos fora do país e o impacto que isso teve no meu trabalho, já vim contando ao longo do tempo e nem sei se importa mais. A sensação de voltar e com uma individual agendada em São Paulo, caraca, nem sei como descrever. Mas é forte pacas! E olha o ciclo dos 7 anos outra vez!

Estou pronta para o próximo ciclo.

2 comentários em “E a vida segue…”

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