E o bicho pegou para o meu lado

Vou logo avisando que não me responsabilizo por qualquer dislexia no texto abaixo, porque mal dá para escrever, que dirá revisar. Mas antes que eu enlouqueça de tédio, melhor ficar um pouco tontinha escrevendo.

O que aconteceu? Acabo de ter minha primeira crise de labirintite! Uma delícia! Parece ressaca de bebida ruim e o pior, dura dias sem dar trégua.

Mais ou menos por fevereiro, tive umas tonturas estranhas por um tempo, mas fiz de conta que nada estava acontecendo. Por um lado, pela minha falta de confiança nos médicos locais e por outro, porque não me impedia de fazer nada.

Desde que mudei para o apartamento novo, elas tinham acabado, o que faz mais ou menos uns três meses. Muito bem, na semana passada, um dia deitei e o mundo deu aquela girada básica, pensei, putz, será que voltou? Mas no dia anterior havia tomado um xarope para tosse e xaropes me deixam meio doidona, então, parei de tomá-lo e resolvi observar. A tontura passou, beleza, deve ter sido o xarope!

Na sexta-feira, fomos ao ensaio do coral que acabou se convertendo um churrasco com amigos. Abusei da cachacinha, mas nada que me comprometesse, também bebi bastante água, comi bem e acordei bem. Um pouco cansada, mas sem ressaca. Fiz almoço e tudo!

Tinha um show para ir no sábado à noite, quando comecei a ter um pouco de tontura. Caramba, será que era ressaca interrompida? Não fazia muito sentido, mas segui sem dar grandes importâncias. Só não tive ânimo de ir ao tal show e achei que uma noite bem dormida resolveria.

Não resolveu. Primeiro, porque não foi bem dormida, o quarto girou a noite toda e acordei pior. Não tinha posição que resolvesse. O máximo que conseguia fazer era ir ao banheiro e mesmo assim, na volta dava uma vomitada básica, glamour total!

Luiz queria me levar a um hospital. Mas não vou nem a pau! Primeiro, porque não tenho condições de me locomover, vou sofrer horrores para sair de casa e chegar em uma emergência qualquer em pleno domingo, onde provavelmente um ortopedista de plantão e com má vontade vai me mandar voltar para casa, tomar muita água e iboprofeno! Tô fora! Só vou a médico indicado por alguém de confiança, caso contrário, não vou perder meu tempo.

Passei o domingo na minha máquina de lavar particular, sem conseguir nem comer direito, porque é mais ou menos como escolher a hora da tempestade no barco para fazer uma boquinha.

Na segunda-feira, acordei melhor, o que quer dizer que o quarto mexia menos e em algumas posições com a cabeça, não ficava totalmente mareada. Pode acreditar, isso era um progresso e tanto!

Mas era óbvio que não estava bem e isso não era normal, tinha que dar meu braço a torcer, precisava ir a um médico. Caraca, tô ferrada! Onde é que vou arrumar um otorrino bom aqui?

Luiz ligou, consegui um otorrino com indicação, é amigo de infância de uma pessoa aqui do meu trabalho e ele me garantiu que o cidadão é fera. Bom, assim já é outra coisa. Então tá, como a gente marca? Já marquei para hoje pela hora do almoço. Mas como assim hoje, não consigo levantar da cama!

Resolvi tentar. Levantei para me arrumar e vomitei como uma louca! Depois imaginei que teria que descer três andares de escada, andar de carro, esperar no médico… e comecei a ficar mais nervosa e, consequentemente, mais tonta! Liguei para o Luiz, esquece, sem condições! Eu vou no médico, me comprometo, mas não consigo chegar na porta de casa! Ele desmarcou.

Um pouco mais tarde, lembrei que enjoava em avião quando era criança e tomava Dramine, que tinha outro no me na época, para viagens internacionais. Liguei para Luiz e pedi para ele trazer para mim quando viesse do trabalho, porque se ao menos conseguisse não enjoar tanto, dava para levantar da cama e ir ao médico.

E assim foi, depois de uns quantos Dramines, consegui levantar, comer um pouco e até dar uma olhadinha na internet. Aproveitei para tomar um banho, porque nem isso dava antes. Beleza, não estou bem, mas pelo menos consigo me locomover mais ou menos.

Na terça-feira, final da tarde, Luiz conseguiu uma brecha na agenda do otorrino para me atender e veio me buscar. Lá fui eu, como um robôzinho dopado, só dava para caminhar com a cabeça bem reta, o mínimo de movimento possível.

Primeiro desafio, trocar de roupa sem mexer a cabeça. Caramba, como é que vou chegar nessa consulta? Tratei de colocar dois saquinhos de compras na bolsa, vai que enjôo no caminho? Cada vez a coisa ficava mais glamourosa, né?

Luiz ligou, você desce ou estaciono e vou te buscar? Amor, são três andares de escada irregular, sem chance! Ele subiu para me buscar e desceu as escadas na minha frente. Eu tinha a expectativa de ir caminhando com ele até o estacionamento, mas perdi essa coragem quando cheguei na portaria. Espero aqui sentada.

O movimento do carro era uma coisa deliciosa! Verdade que tinha tanto Dramine no organismo que nem se fizesse muita força, enjoava. Não passei mal, na verdade, nem vou fazer suspense, fui e voltei mais ou menos sã e salva para casa.

Ainda no caminho para o hospital, estava meio apreensiva e se não fosse labirintite? O que poderia ser? Todo mundo na minha família tem seu tumorzinho particular, só faltava descobrir o meu! Putz! E se o médico não for bom? Minhas experiências aqui nesse sentido são tão horrorosas… bom, uma coisa de cada vez, vamos com calma. E a essa altura, realmente já estava até torcendo para ter labirintite!

Chegando na rua do nosso destino, tem um cemitério imenso, logo depois uma casa funerária, e em seguida o hospital! Super sugestivo, né? Funerária adora abrir perto de hospital, são negócios complementares! Que mal gosto, credo! Relaxa, Bianca, um pouco de bom humor, vai!

Nem demorou muito para eu ter essa oportunidade. Chegamos na clínica, Luiz me deixou na porta e foi estacionar. Salto eu, andando daquele jeito esquisito, com a cabeça reta e meio esverdeada e vou para recepção ver o que tenho que fazer para ser atendida. Afinal, não tinha consulta marcada, o médico ia me encaixar. Como é que falo isso mesmo em espanhol?

Expliquei meio grogue para a atendente, que me perguntou, a senhora tem companhia? E eu respondo, tenho, está estacionando… Não senhora, companhia de seguro para a consulta! Ah, tenho também!

Sentei com vontade de rir, pensando que devia estar parecendo uma bêbada! Logo chegou Luiz e nem demorou muito para o médico me atender.

Olha, vou dar meu braço a torcer, porque justiça seja feita, sempre reclamo pacas dos serviços de saúde, mas o otorrino era ótimo! Além de me passar confiança, foi bastante atencioso e inclusive simpático! Um alívio!

Fez uns exercícios virando minha cabeça, me receitou um remédio para os enjôos e tonturas, recomendou que dormisse as primeiras 72 horas com travesseiro bem alto, me deu um exercício para fazer em casa e que procurasse mover a cabeça o mínimo possível (como seu eu pudesse movimentá-la!). Daqui a uns 10 dias, volto lá para ver como tudo vai correndo. Aqui o que tenho não chama labirintite, não existe esse nome, é não-sei-o-que postural cerebral benígno, mas a descrição se parece bastante à labirintite, então explico assim porque é mais fácil. O importante é que me concentrei no “benígno”. Há muito tempo penso que o que tem solução, tá bom!

Não sei se pelos movimentos que ele fez na minha cabeça, pelo fato de estar mais tranquila por ver um caminho ou pelo alívio que é confiar em um médico, saí de lá melhor. Consegui ir caminhando com Luiz até o carro, de braços dados e andando meio esquisitona, mas tudo bem. Queria forçar um pouquinho também para recuperar mais rápido.

Compramos o remédio indicado aqui perto de casa e subi os três andares melhor do que desci, olhar para cima é sempre mais fácil. Bom, subi com ajuda do Luiz ainda, mas acho que não fui tão mal.

Hoje levantei melhor, foi o dia que melhor dormi também. Porque ainda que só ficasse na cama, a gente não consegue dormir direito com o mundo rodando. Não dá para ver TV, não dá para fazer nada, é bem entediante. Hoje não, consegui levantar, tomar café, ler as mensagens e agora até escrever no blog. Tenho que dar umas paradinhas de vez em quando, mas sigo melhorando.

Estou um pouco preocupada, porque nos últimos dias não consegui trabalhar na exposição. Dá para escrever no computador, porque não preciso digitar olhando as teclas, mas desenhar é impossível. Tenho já bastante coisa pronta, mas não está tudo pronto e fico agoniada. Não dá para sair sozinha, me sinto insegura de descer as escadas e ir pela rua assim. A casa também está uma zona e isso me irrita! Tudo bem, acabei contratando uma amiga para me dar uma força na sexta-feira e não vou morrer se a casa não estiver uma semana organizada, paciência! Se isso passar até o fim da semana, tudo sob controle.

Bom, por hoje, consegui escrever, já é um grande passo, me deixa menos louca! Vamos ver como acordo amanhã e um dia de cada vez.

12 comentários em “E o bicho pegou para o meu lado”

  1. Affe chica, fiquei ate mareada e enjoada so de ler esses seus sintomas. caracaaaaaaaaaaa nao sabia que a labirintite era assim de forte . Melhoras Blanquita.
    besos

  2. Didis, acho que tem níveis diferentes, quando dá a crise é bem forte sim. Melhora um pouquinho todo dia, mas tá me custando a passar de vez. Entretanto, se realmente for labirintite, dá para controlar.

    Obrigada, meninas!

    Besitos

  3. Oi! Ficar doente é uma bosta mesmo, fiquei com pena de você… minha mae tem labirintite, é flórida mesmo… ainda bem que o médico era bacana, coisa rara neste país, vc sabe… se cuida direitinho e logo, logo vc vai ficar boa! Nao adianta ficar nervosa, tem que dar tempo ao corpo primeiro… beijao e melhoras!

  4. Putis grila, Bianca………..
    Bom, descansa, relaxa(como se vc fosse se mexer muito, né?dâââ, rssss).

    Férias forçadas.Coitada…..
    Espero que esse mal estar horroroso passe logo.

    Sabe que eu tenho uma coisa chamada sinetosis, é o “mal do movimento”, enjoo com carro, curvas, as vezes diferenças de pressâo, faltas de referencias(esquiar no fim da tarde sem luz, mergulhar). Vomito pacas e gira tudo. Em crises nem TV rola. É horroroooooooooooooooso, imagino que vc deve estar com isso o tempo todo. Credo.

    Fica boazinha. To perto, se precisar de algo durante o dia me diz.
    Beijo enorme.

  5. Oi, Alessandra! Pois o médico é bom sim, espero que você não precise, mas se precisar, pode perguntar que te indico esse otorrinolaringologista – devo estar melhor, né? Já consigo escrever essa palavra desse tamanho! 🙂 Besitos

  6. Oi, Vane! Também tenho uma Cinetose básica, mas é relativamente simples de controlar, tem os macetes de olhar um ponto fixo… etc. O que o otorrino acredita que tenho agora é “Vertigem Postural Paroxística Benígna”, chamei de labirintite por ser um nome genérico, mas não tenho nenhuma inflamação, o que caracterizaria o sufixo “ite”. Também estou aprendendo e me informando a respeito, nunca tive nessa intensidade e espero não ter mais. É tipo um ressacão gigantesco, que dura dias sem parar. Hoje é do quinto para sexto dia e é o primeiro em que não senti ainda tontura do nada e os enjôos passaram. Não sei se os enjôos passaram também porque sigo tomando remédio, e dá um pouco de pressão na cabeça. Mas já não estou passando mal, mais tarde ou amanhã vou tentar desenhar um pouco. Obrigada pelo delivery de alimentação oferecido 🙂 se precisar, pode deixar que eu grito! Besitos

  7. Oi Bianca,
    Algumas vezes também tenho esses sintomas de uma possível labirintite. A primeira vez que sofri um episodio desses foi quando eu tinha uns 7 anos, mas passou rápido e então ninguém deu muita importância. Cheguei a chorar e tudo. Imagina, eu era uma garotinha. Depois tive alguma vez mais alguns momentos em que via tudo girando ao meu redor, visualmente parece que o lugar em que estou está girando mesmo. Mas passava rápido, geralmente apareciam estes sintomas quando ia dormir. Mas então fechava os olhos, tranquilizava-me e passava. Mas foi quando eu tinha uns 20 e poucos quando tive umas vertigens que duraram vários dias. Uma sensação de enjoo, de estar flutuando e andava cambaleando. Passei por todo tipo de exames médicos, eletroencefalograma, audiometria, exame de sangue, glicemia e não apareceu nada. Como não tinha nada físico me disseram para ir a um psiquiatra. Mas aí eu decidi que se não era físico também eu não tinha que esquentar muito e então quando ficava dias e dias com tonturas tentava fazer de tudo para levar uma vida normal, tentava passar mais tempo caminhando e fazendo as coisas que me davam tontura para ir me acostumando, porque realmente, eu não podia estar todo o dia em casa preocupada achando que se eu saísse alguma coisa ruim ia acontecer e porque sabia que era possível que esses episódios poderiam se repetir. Então quando eu tentava me acostumar, a tontura com os dias ia passando e tudo voltava ao normal. Algumas vezes quando surge pode ser só momentâneo, ou durar umas horas ou ficar dias e até semanas. É muito de vez em quando que tenho essas tonturas. Podem passar anos e então algum dia voltar. Então posso andar meio cambaleando, meio torta e tal mas ninguém percebe e já aprendi a lidar com isso. E se alguém perceber nem me importo. Agora me preocupo menos porque vi que não é uma coisa tao incomum e muitas vezes (apesar de algumas causas poderem ser físicas, como ouvido inflamado, problemas circulatórios ou cerume que afeta o labirinto) a causa pode ser o stress ou pode ter relação com uma crise de ansiedade. Há pouco tive outro momento com essas vertigens e coincidiu com uma crise de asma. Nesse caso acho que tinha relação com ansiedade mesmo. Isso aqui tá parecendo um sermão da montanha… rs
    Você já deve estar melhor. É que demorei para comentar.

    Um abraço

  8. Oi! heheheh… parece o sermão da montanha não! Na verdade, gosto de saber o que acontece com as outras pessoas porque pode ser parecido ao que acontece comigo e vou aprendendo com a experiência alheia. Hoje foi o primeiro dia que acordei 100% boa, ou seja, durou uns 15 dias, melhorando um pouquinho cada dia. Até bom escrever que, se precisar, posso consultar depois. A primeira semana foi horrível e a segunda semana dava para fazer as coisas devagar. Nessa sexta-feira pego o resultado da ressonância magnética, que fiz por si acaso. Realmente, espero não ter novamente, mas se tiver, paciência. Concordo com você, é aprender a lidar. Por agora, estou feliz da vida que passou! 🙂

    Besitos

  9. Oi Bianca

    Ai que coisa ruim essas tonturas, mas ainda bem que não é nada grave. É a idade também, hahahaha.
    Melhoras

    Beijos

    Marianne

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