Fim de semana movimentado

Na Espanha tem feriado para cassilda! Acho que na maioria são feriados católicos, mas como nunca sei quando é o que, não posso garantir essa informação. Muito bem, na última sexta feira, 19 de março, foi dia dos pais aqui, se não me engano, dia de São José.

Ótimo para a gente, porque pudemos comemorar nosso aniversário de casamento, no dia anterior, sem a preocupação de acordar cedo na sexta.

O plano A era fazer um jantar em casa mesmo e abrir algum dos vinhos enfurecidos, mas ando sem grandes inspirações na cozinha. Como já disse, minha cabeça está em outro lugar e, com a proximidade da mudança, não quero fazer compras. A geladeira anda uma pobreza, coitada!

Entre nós, também não me animava muito comemorar as bodas em um apartamento disputado por um divórcio. Sei lá, meio uruca, né?

Luiz havia visitado algum cliente pelo centro da cidade e passou em uma rua com restaurantes que agradaram. Sugeriu que saíssemos sem grandes planos e escolhêssemos algum lugar que parecesse legal. Normalmente, não é uma boa idéia sair para jantar sem reserva, mas quer saber, bem que gostei da proposta. Fazia algum tempo que não saíamos sem destino certo pelas ruas de Madri e a conotação me agradou.

Fomos primeiro ao coral, onde ganhamos um “Carinhoso” ao fim da aula. Já fomos sem carro para nem ter preocupação com nada. De lá, pegamos o metrô para o centro e caminhamos até encontrar um restaurante italiano que me agradou, chamado La Creazione.

Gostei do lugar e depois, estava feliz. Bom, Luiz tratou de pedir logo um Brunello di Montalcino. Algo que tem o poder de melhorar instantaneamente o atendimento. Minha clássica resistência à bebida anda mais ou menos, por causa de umas tonturas malucas que melhoraram, mas não passaram. Mas quer saber, por um lado são dezesseis aninhos de casório, por outro, era um Brunello! Meu fígado cutucou o estômago, deu aquela piscadinha: a gente aguenta, vai? De entrada, comi um tartar de atum, muito bom. Mas o campeão da noite foi um tagliolini (aquela pasta fininha, como o cabelo de anjo) com lâminas de trufa bianchetta, de ajoelhar!

Ainda puxamos papo com um garçon de Cabo Verde. Conversamos sobre o que gostávamos no país, reclamamos das leis de imigração que andam enlouquecidas e saímos de lá fechando o local.

Muito bem, como na sexta-feira era feriado, aproveitamos e marcamos uma comemoração em casa com os amigos. Assim ficava uma festinha dupla, porque também funcionou como despedida do apartamento. Por mais que queira mudar e tal, a verdade é que aproveitei muito morar aqui, tivemos momentos bastante legais e acho que devemos cumprir com alguns rituais de passagem para fechar os ciclos. Dessa vez foi uma recepção pequena e durante o dia. De maneira que quando o pessoal chegou, ainda estávamos meio de ressaca da noite anterior. Tudo bem, porque eles também estavam.

Mas sabe como é, uma coisa puxa a outra… Luiz colocou uma Salineira na mesa… a evaporação aqui em casa é alta… e chutamos o balde outra vez!

Pela meia noite e alguma coisa, quando só restava um casal de convidados, botei pilha para irmos ao Kabocla, no show de uns amigos. E lá fomos nós!

Duas caipirinhas depois, durante o intervalo, esses amigos músicos nos chamaram para tocar alguns instrumentos que estavam sobrando. Bom, acho que foi mais ou menos assim, porque meu nível de compreensão poderia não estar muito preciso. O fato é que, ao lado da banda, se reuniu toda uma equipe de chocalhos! Alternei com um tamborim e Luiz com um pandeiro. Não sei que raio de barulho fizemos ali, mas me diverti muito!

Para variar, saímos com a casa fechando e aproveitamos uma carona providencial dos amigos que foram conosco. A temperatura estava ótima, foi o primeiro dia do ano que pude usar camiseta sem manga. Sempre me lembro desses dias, porque apesar do frio não ser tão incômodo para mim, depois de meses usando casacos, acho a sensação do fresco direto na pele uma delícia! Logo fica normal, mas os primeiros dias assim são libertadores.

Até chegar em casa, tomar banho e tal, era quase de manhã. Em algum momento, acordei com a voz de susto do Luiz! Caraca, são duas e meia da tarde!

Nenhum problema se não tivéssemos combinado de participar do show infantil de uma amiga que começava às cinco.

Levantamos com aquela cara amarrotada e nos arrumamos no reflexo. Tomei um não-sei-o-que de vitamina com ginseng, aspirina e um balde de café! A gente ainda precisava ensaiar uma música, mas não dava tempo! Peguei o CD e fomos treinando pelo caminho no carro.

Resultado, o show foi ótimo, como sempre. Mas a música que cantamos foi um micão daqueles! Entrei sem um pingo de segurança e com a voz baixíssima (se aumentasse desafinava), Luiz esqueceu a letra… putz! Sorte que era como um desafio, então errar ficava um pouco engraçado, tudo bem. Nos redimimos nos tamborins, que aí sim, acho que ficou bonitinho.

Terminado o show, e aí, saímos para tomar alguma coisa? Ai, meu deus! Olha, saio amarradona, mas no momento, até coca-cola está forte para mim!

Fomos a um restaurante mexicano ali perto e comemos bem. Não havia me dado conta que estava com fome, pois acho que não tive tempo para pensar no assunto, mas só de ler o cardápio, meu estômago começou a participar ativamente da conversa. De lá, emendamos em uma vinoteca, onde juro e tenho testemunhas, que não bebi nada além de água. Luiz guerreiro, ainda sobreviveu a uma taça de vinho.

As meninas estavam engraçadas e a imagem campeã da noite foi na hora da conta, quando as duas disputavam quem pagaria. Até dedo no olho rolou! O golpe de misericórdia foi uma delas literalmente arremessar uma nota de 20 euros no pobre do garçon, que olhava completamente perplexo a cena!

Demos uma carona para elas e voltamos para casa, mortinhos! Luiz, amanhã vamos não fazer nada?

E sim, no domingo, não fizemos nada além de morgar e nos recuperar de três dias seguidos de movida.

Hoje, começo a empacotar algumas coisas para a mudança. Bom que amanheceu um dia lindo de sol, com a temperatura bastante amena e isso sempre anima a começar o dia melhor.

3 comentários em “Fim de semana movimentado”

  1. Bianca te devo uma desculpa creio que de tanto morar na Espanha estou virando espanhola, olha leva pra sua casa nova o que vc achar que deve, eu nao tenho nada com isso e se precisar mesmo ajudo a carregar, e se precisar onde ficar tenho um estudio vazio em casa aqui na Galicia. E vou usar a tecnica que uso com meu marido, se te doeu, se ofendeu, se fez voce se sentir mal, com certeza nao era isso que queria dizer. Um beijo antonia.

  2. Oi, Antonia! Que isso, que bobagem! 🙂 Achei que você ficou curiosa ou estava tentando ajudar e te respondi lá na outra crônica. Tem muita gente que acha mais fácil deixar as coisas para trás e às vezes é. Mas nem sempre. No meu caso, quando coloco na ponta do lápis, acaba ficando mais caro e dando mais trabalho. Não me esquento, contrato uma empresa de mudanças e tudo bem. O que gosto é de levar o básico antes porque no mesmo dia já podemos nos sentir em casa. Dá um pouco de trabalho sim, mas já entrei no clima e estou doida para mudar logo! Besitos

  3. Bianca e Luiz, feliz aniversário de casamento (ainda que atrasado…)! Mesmo sem conhecê-los pessoalmente, sei que formam um casal nota MIL!
    Muita diversão para vocês, sempre! 🙂
    Besitos!

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