Reveillon em Paris

No dia 27 de dezembro, logo após o café da manhã, tomamos o rumo para Paris. Precisávamos chegar na cidade até umas cinco da tarde, horário que os donos do apartamento que ficamos sairiam para sua viagem.

Engraçado como são as coisas, custamos a encontrar apartamento para ficar durante o reveillon, chegamos a fechar com dois imóveis, mas sempre acontecia algum problema e furava. Finalmente, um amigo do trabalho do Luiz, que mora em Paris, soube que estávamos procurando apartamento para alugar e ofereceu o dele, gratuitamente, pelo período em que estivesse viajando com a família. Maravilha! Um casal simpático com duas filhas lindinhas e uma gata que ficou em ambiente separado ao do Jack até eles partirem. Não sei se a Mia (sua gata) e o Jack se entrosariam, pareciam tranquilos, mas essas coisas é melhor não arriscar. Esse apartamento fica em Puteaux, a pronúncia para quem fala português não é convidativa (putô), mas a região é uma graça e fica a uma estação de Concorde, já dentro de Paris.

Uma vez instalados, começamos a fazer contatos para saber como encontrar com nosso sobrinho e os amigos. Primeiro encontramos nosso sobrinho, de sangue do Luiz, meu por afinidade. É muito curioso quando a gente conhece as pessoas enquanto são ainda crianças, porque a primeira imagem é sempre muito forte. Luiz, obviamente, o conheceu nenén e eu quando ele tinha por volta de seus 9 ou 10 anos, ou seja um menino. Só nos demos conta da sua idade real, quando ele nos disse que já tem 27 anos! Um homem!

Imagino que seja assim quando a gente tem filhos, não importa a idade que tenham, é muito difícil visualizá-los adultos. Eu já era casada com Luiz e me lembro de escutar meu pai avisar para minha mãe, falando sobre nós e meu irmão: vou descendo com as crianças! O pior é que não era pejorativo, foi absolutamente natural e na mesma entonação que ouvi minha vida inteira.

Mas enfim, achei muito divertido saber que sou tia de um marmanjo! Mas não achei tanta graça assim quando a faxineira que foi fazer a limpeza do apartamento nos perguntou se ele era nosso filho. Caraca, mãe de um cidadão de quase 30 anos, também não me sacaneia,né? Vaca míope!

Continuando, jantamos juntos no León de Bruxelles, conversamos um pouco, depois ele seguiu para balada com os amigos e Luiz e eu ficamos por Puteaux mesmo.

No dia 28, acordamos tarde e iniciamos uma mais ou menos rotina que durou até o reveillon. Os outros dois casais de amigos chegaram de procedências diferentes. Na verdade, um desses casais, ela está passando alguns meses em Paris e ele veio encontrá-la, nós saímos mais com eles. Durante o dia, cada um fazia seu próprio programa e à noite jantávamos juntos. Cada noite um casal deu uma sugestão. Fomos no “Pasco”, no “Chez André” e em um Café muito bonitinho que não lembro agora o nome, mas depois vou revirar meus cartões.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não conseguíamos decidir onde ir na noite de reveillon. Só uma coisa era ponto em comum, ninguém queria passar na rua, porque na Champs-Elysées é uma roubadaça total! Começamos a ver os preços dos jantares e nada era menos que 160 euros, com direito a uma mera taça de champagne. Havia um par de festas que o preço era razoável, mas sem jantar nem bebida. Fizemos uma conta simples, estávamos em 7 pessoas, se considerássemos esse valor médio por pessoa, dava para tomar champagne até sair pela orelha! Disse que não me importava em cozinhar, a única coisa é que estávamos em Puteaux, um pouco longe. Eles toparam. O trato era jantar em Puteaux, romper o ano por lá mesmo e depois ir para Paris para alguma festa.

Sendo assim, no dia 30 fomos Luiz e eu para as compras e chutamos todos os baldes possíveis! Entre Moët Chandon, Veuve Cliquot, Taittinger e Jacquesson, foram umas quinze garrafas. De comidas, ingredientes para um salpicão de frutos do mar, salmão defumado com diversos molhinhos, salmão enrolado com creme azedo, caviar do enfurecido, folhados de foie gras e de queijo, torta de frango defumado, vários queijos,  pães, torradas e biscoitinhos. Velas para enfeitar, afinal um pouco de charme também conta. Considerando que éramos sete pessoas, pode-se dizer que estávamos mais do que bem servidos.

Dia 31, marcamos de nos encontrar cedo, por volta dàs 19:00hs, para aproveitar tudo com calma e a locomoção ser mais fácil.

A noite foi divertidíssima, pelo menos do meu ponto de vista. Aproveitei para burro! Para início de conversa, não sobrou nem uma garrafinha de champagne para contar história e nos acabamos em um banquete farto e com que havia de melhor. Por volta das duas ou três da matina, não sei exatamente, pois o teor alcóolico já fazia seu efeito, deixamos o apartamento e fomos para a estação de trem, direção Paris.

Acontece que não chegava nenhuma condução, ainda que tivesse sido anunciado que funcionaria por toda a noite. Resolvemos irresponsavelmente, ir de carro. Luiz nunca, jamais, em tempo algum, dirige quando bebe, mas nesse dia, não tínhamos muita escolha. Mais do que isso, precisavam caber sete pessoas dentro do carro! Foi mais ou menos no esquema da piada dos sete elefantes no fusca, três na frente e quatro atrás!

Muito bem, a essa altura, as bolhas da champagne começaram a subir rapidamente. Porque em casa, as pessoas (e eu) estávamos alegres, mas bem lúcidas. Quando a gente saiu, não sei o que raio aconteceu, que fiquei muito para lá de Marrakech! Só me lembro que no caminho fui com nosso sobrinho no colo – sim, havia um homem no meu colo, mas acho que na minha cabeça era o menino, porque nem achei pesado, só lembro que era impossível me mexer –  batendo o maior papo às gargalhadas, até porque ele não estava nem um pouco melhor que eu. No dia seguinte, Luiz me contou que falávamos dele como se houvesse um cone do silêncio à nossa volta e ele não pudesse escutar nada, sentado ao volante justo do lado! Ai, meu Deus, que exemplo!

Enfim, chegamos na tal festa e antes de entrar, um dos casais desistiu e resolveu pegar um taxi. Achei que seria muito improvável que eles conseguissem um taxi ali e àquela hora, mas não tinha muita condição de argumentar com ninguém. Depois, estava em meu planeta feliz e tudo bem! Entramos em cinco pessoas e começamos a dançar em um lugar grande e cheio, era uma festa brasileira.

Na minha cabeça, isso durou uns quinze minutos, mas na verdade, durou horas, porque já saímos com o lugar fechando de manhã. Avisamos ao nosso sobrinho que estávamos indo, ele nos disse que ia ficar com os amigos. É verdade que depois ele esqueceu e ficou nos procurando, mas isso só soubemos no dia seguinte. Realmente, acho que não tinha ninguém muito bem nem falando coisa com coisa.

Próximo passo: achar o carro. Cassilda, ninguém lembrava onde o carro estava estacionado!  Depois da primeira procurada em dois casais, ficamos as meninas na frente do local da festa e os meninos foram atrás do veículo perdido!

Um frio do cão, a gente tentando sentar em um parapeito alto de no máximo uns 10 cm. É lógico que quando conseguíamos subir, escorregávamos em seguida, mas acho que só desisti depois da quarta ou quinta tentativa. E os maridos passando para cima e para baixo e nada do carro! Eu deveria estar achando ruim, mas só conseguia rir da situação absurda. Até que, finalmente, o carro apareceu!

Demos uma carona para esse casal e seguimos para casa. Lembro de olhar o Arco do Triunfo e pensar, nossa, deve estar difícil passar por aí com tanta gente, mas estava absolutamente vazio. Foi quando olhei o relógio e me toquei que passava dàs 6:30hs! Foi só então que percebi o tamanho da noite.

No dia seguinte, ou melhor, pouco depois, uma ressaca daquelas! Além da quantidade de champagne, esqueci completamente de beber água, ponto fundamental para a recuperação. O dia primeiro foi inútil para todos nós!  Mas não me arrependi nem um pouquinho, bebi por mim e pelos meus. Que o ano seja farto, feliz, com a família e com os amigos. Sobretudo com saúde e bom humor para quando as coisas não forem tão bem quanto planejamos. Espero que Iemanjá tenha recebido meu recado e ainda tenha paciência em me esperar para alguma próxima noite de ano novo, em areias cariocas.

Dia 2, limpeza do apartamento, afinal queríamos entregar tudo impecável. Cuido muito bem do que é meu e melhor ainda do que é emprestado, principalmente com tanta gentileza. Deixamos tudo nos trinques e fomos de mala e cuia para um hotel pequeno que gosto muito, o Etats-Unis Opéra, é um três estrelas simples, limpo e bem localizado. Fiquei nesse hotel até o dia 5 de janeiro, quando liberou o apartamento que alugamos por um mês.

No dia 3, foi a primeira leva embora, um casal e o marido da menina que está morando aqui por um período. Pelo menos mais alguém ficou, que bom! Em um futuro próximo nos encontraríamos.

No dia 4, acordei bem cedo, era meu primeiro dia de aula. Despedi do Luiz, porque na volta já não encontraria nem ele nem meu sobrinho que aproveitou a carona para Madri e fez companhia em uma viagem longa de carro. Daí para frente, era Jack, eu e a casa nas costas.

Senti saudade antecipada, não solidão porque sei que Luiz me apoia no máximo que pode. E juntos a gente sempre pode muito mais, talvez seja esse o motivo principal de sermos um casal. Mas era algo que precisava fazer. Às vezes, tenho a sensação que Madri é aquele apartamento bem decorado, confortável, mas com o teto muito baixo. De tempos em tempos, fico claustrofóbica e preciso sair, me alongar, ou começarei a pensar pequeno. Preciso por a cabeça para fora d’água ou me afogo, mas posso chegar longe com um pouco de fôlego.

É bom começar o ano aprendendo e cheia de planos. Alguns deles podem não dar certo, mas não importa, porque é sempre o caminho que interessa e hoje, mais do que nunca, sei disso.

12 comentários em “Reveillon em Paris”

  1. Aiiiiiiiiiiiiiiiii ja estava ficando com saudades das cronicas hehe. Caracaaaaaaaa que maravilha de chutada de balde nega branca hehe é isso ai, entao vc bebeu por mim tbem ja que nem ressaca eu tive :-)! Estou louca pra ver fotos do ap !!! Saber como esta o dia a dia das aulas . Acordar de noite nesse friozaoooo , affeee!!! Mas tudo vale a pena SIMMMM!!!
    Tô guardando teu lugar aqui, mas acontece que sem vc eu nao consigo tomar aquela nossa garrafa de black da diretoria hehehe entao estou torcendo pra chegar o inicio de fevereiro pra gente chutar o balde juntas , acho que pode rolar uma festa de ano novo né? Já que tava todo mundo viajando 🙂 !!!
    Beijos e saudades

  2. Oi Bianca

    Meu que coragem sair a noite dirigindo com umas taças na cabeça. Ainda bem que tudo deu certo.
    Que curso de culinaria é esse que ira fazer? Vai tambem fazer aulas de frances?
    Bom depois queria ver fotos, se possível.
    Beijos

    Marianne

  3. Oi, Marianne! Dirigir não foi coragem, foi irresponsabilidade mesmo e não aconselho a ninguém, mas às vezes a gente também faz besteira… e sim, felizmente, deu tudo certo. Faço aulas de francês todos os dias de manhã e aulas de gastronomia durante à tarde. As aulas de gastronomia não são todos os dias nem na mesma escola. Por enquanto, minhas aulas foram na Le Cordon Bleu, já contarei tudo aqui. Pois é, tirei fotos, mas ainda não sei como baixar, já verei isso também. Besitos

  4. Oi, Didis! Fica tranquila que a chutada foi só no reveillon, também não bebo sem companhia, muito chato, né? Acredita que a dona do apartamento me deixou uma garrafa de bordeaux como cortesia, há uma semana não consegui chegar até a metade dela e o resto virou tempero… heheheh… Adorei a idéia de outra festa de Ano Novo, fechado! Besitos

  5. Bi,

    Que delícia! Adorei seu reveillon! você contando e eu imaginando a cena..srsrs
    Já estou em Madrid! Feliz 2010 e te espero por aqui!

    bjos

  6. Querida aproveita bem…
    To super feliz com seus planinhos.
    E acho que sempre dâo certo sim, de um jeito ou de outro.
    Delicia total.

    Vou mandando as “aulas virtuais”, ok?
    Saudadona.
    Adorei a sugestâo da Diana de Ano Novo posterior. To dentro….
    Beijos enormes.

  7. Por favor. Voces poderiam sugerir alguem que possua um apartamento para alugar em Paris. De pre3ferencia que fale portugues. Muito obrigada.

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