Natal em Grenade sur l’Adour

Dia 24, logo pela manhã, pegamos a estrada Luiz, eu e nosso felino. A previsão era de 6 horas de viagem, que se transformaram em 7, porque um dos pneus furou. Ainda assim, foi uma boa viagem. Jack se comportou melhor do que nunca, quer dizer, ele sempre se comporta, mas dessa vez além disso estava surpreendentemente relaxado, até dormiu.

Nos hospedamos em um hotelzinho que para mim é um oásis gastronômico no meio do nada, chamado Pain, Adour et Fantaisie. O lugar tem mais cara de casa do que de hotel, os quartos são grandes e com vista para o rio Adour. O preço é mais do que razoável, porque o carro chefe mesmo é o restaurante. O cardápio é  baseado em três opções que levam o nome do local, ou seja, há o menú “pain”, o “adour” e o “fantaisie”, que variam em relação ao tipo e número de pratos.

Sempre sento à mesa jurando que vou pedir o menú “adour”, que é o menor deles, ou seja, entrada, prato principal e sobremesa. Mas é sempre mentira. Era Natal e acabei não resistindo, caí na tentação do “fantaisie”, que nesse dia foi o amuse bouche, carpacio de vieiras como entrada, seguido por uma lagosta divina, uma ave de caça como prato principal, queijos, sobremesa, que era um tipo de suspiro em forma de bola recheada com sorvete, café e macarons. Claro, tudo acompanhado dos respectivos vinhos, que vão mudando ao longo do jantar. Isso quer dizer que além da orgia gastronômica de seis etapas mais o café, tomei sozinha o equivalente a uma garrafa de vinho. Arrependimento? Nenhum. E também imagino que nem precisasse dizer que Luiz consumiu exatamente o mesmo.

Achei que fosse difícil pegar no sono depois, mas nada, dormi que foi uma beleza! Verdade que era difícil virar de lado e impossível de bruços, mas tudo bem.

Dia seguinte, café da manhã na cama. Essa é a vantagem de ficar em hotel pequeno, para eles é muito mais fácil levar seu café que montar toda a estrutura no restaurante, portanto, o café no quarto é exatamente o mesmo preço. E vamos combinar, existe luxo maior no mundo do que café da manhã na cama?

Fomos dar uma caminhada pela cidadezinha, simplesmente para ter alguma fome na hora do almoço, porque a essa altura eu era pura gula. E para quem espera algo diferente de comida desse texto, pode esquecer, esse lugar é absoluta e unicamente gastronômico.

Dia 25 de dezembro, o restaurante estava cheio para o almoço. Em princípio, eles não abririam, mas imagino que com a procura eles resolveram mudar de idéia. E mais uma vez, me acabei! Destaco um tipo de maki de homard, ele fez assim, desfiou toda a lagosta, enrolou com uma lâmina de polvo cozida quase transparente e em volta a alga japonesa, o molho levava algo de leite de côco, mas muito suave. Um escândalo! E felizmente, um prato leve. Notei esse ano que ele está com uma tendência oriental, uma cozinha mais fusion. Também comi uma pintade, que parece uma galinha d’angola, recheada de foie gras. Aliás, Luiz pediu a picata de foie gras, o prato pelo qual ele é famoso. Trata-se de 4 escalopes de foie fresco, o básico, mas feito à perfeição. Só porque sou muito legal e para ajudar meu marido que já não tinha mais fome, comi um dos seus escalopes.

Muito bem, o restaurante do hotel fechava nessa noite e eles mesmo reservaram para a gente na cidade vizinha, que é outra chutação de balde gastronômica que estou até com preguiça de explicar. Mas para quem quiser pesquisar, só digo que é em Eugénie Les Bains, e o responsável é o Michel Guerard, papa da nouvelle cousine.

O engraçado é o seguinte, só a gente estava hospedado em Grenade nesse dia, as outras pessoas foram só para o almoço. Simplesmente, quando acabou a função do restaurante, todos os empregados foram embora e ficamos com a chave da porta do hotel! Se soubesse, tinha organizado uma festa e ninguém ia notar! Enfim, foi bizarro e divertido saber que éramos as únicas almas viventes por ali, me deu a maior vontade de ir fuçar na cozinha, mas me comportei como uma mocinha.

Mas voltando ao jantar, na cidade vizinha, o local se chama Les prés de Eugénie e, apesar de tudo pertencer ao Guerard e sua esposa, não é um único hotel. Há a opção de três tipos de hospedagem diferentes e dois restaurantes. lkmjn09———————————————nb                         hjuuuuuuuuu (e esse foi o Jack passeando no teclado, ele também quer participar) Continuando…

Há o restaurante mais tradicional, muito elegante, de comida e atendimento perfeitos! É normal que o próprio Guerard venha à sua mesa durante o jantar. É formal, e ainda que eles não cometam a indelicadeza de exigir, todos ou quase todos os homens estarão de blazer ou paletó. É bastante caro, dificilmente sairá a menos de duzentos euros por pessoa, mas vale cada centavo.

A segunda opção é mais despojada e informal, sem perder uma gota de charme. Se chama La Ferme aux Grives e tem o ambiente de cozinha de fazenda do sudoeste francês. Foi nesse que jantamos no dia 25.  Quando eu disser pelo que sou completamente louca, tarada de pedra nesse restaurante, vai parecer deboche, mas juro que não é. Eles fazem o melhor purê de batata do universo! O simples também pode ser um luxo. Mas vamos do começo, um caldinho de amuse bouche, seguidos por um souflé pequeno com sabor de pão-de-queijo e um embutido fatiado. Na sequência, Luiz tomou uma sopa com vieiras, com base em leite de côco (olha o oriental aí outra vez!), comi um carpaccio de salmão com um molho divino. De prato principal, a tal da pintade temperada com hervinhas frescas e o ma-ra-vi-lho-so purê de batata! O prato do Luiz não ficava atrás, uma carne grelhada com pasta ao queijo gratinada, outra delícia que belisquei. Luiz abriu mão da sobremesa, mas eu não desisto nunca, jamais! Tortinha de maçã quentinha e café.

Voltamos para nosso hotel-fantasma, em comum acordo que no dia seguinte não almoçaríamos nem em Grenade, nem em Eugénie! Não há dieta (nem bolso) que resista!

Muito bem, no dia 26 de dezembro, acordamos e fomos passear em uma cidade próxima, Mont-de-Marsan. Bem bonitinha, pequena, mas com uma estrutura mais que razoável.  Ali realmente só passeamos, almoçamos sem abusar. Compramos uma champagne para os amigos onde ficaríamos hospedados, o dono da loja nos recomendou a Jacquesson, dizendo que não era tão comercial e tinha muita personalidade. Aceitamos a dica, e no futuro próximo, não nos arrependeríamos.

Bom, mas já que não abusamos no almoço… era o último jantar antes de seguirmos viagem, então, dava para fazer mais um sacrifíciozinho, né? Comemos novamente no Philippe Garret, mas dessa vez mantivemos a palavra de seguir o menu “Adour”, com um número de pratos na escala humana. O engraçado é que nesse dia o cardápio estava inspirado na Espanha, é possível que tenha sido por nossa causa, porque viemos de Madri.

Dia 27, pela manhã, deixamos Grenade um pouquinho mais pesados e bem mais felizes.

Direção: Paris!

6 comentários em “Natal em Grenade sur l’Adour”

  1. Affeee chica, to babando rsrsrs ai que delicia tudo isso !! Ja estava ansiosa passando aqui todos os dias pra saber noticias rsrsrs .Beijos milllll

  2. Oi Bianca que bom te ler outra vez falando de coisas gostosas, alias muiiito gostosas, feliz ano novo.
    E tenho um gato o Thor, pois a parte sua raçao ele so come duas coisas, foi grass, y pato confitado, o demais passa olimpicamente.
    Um beijo e nao nos deixe tanto tempo sem noticias.

  3. Nossa, Antonia, mas o Thor é chiquérrimo 😀 O Jack também só come ração, mas de vez em quando ele quer saber o que a gente está comendo e coloco um pedacinho ínfimo no dedo para ele provar. Sabe qual é o prato favorito dele? Feijão! Ele ama lamber do nosso dedo caldinho de feijão, pode? Queijos também são bem vindos, principalmente os mais fedidos (esse meu felino me enche de orgulho :P).

    Pode deixar que tentarei dar notícias mais frequentemente, é que fim do ano é complicado, além do mais a internet era muito limitada.

    Feliz 2010!

    Besitos

  4. Didis, de manhã quando saio para a aula lembro de você e da Vanessa e penso que se EU estou com frio, imagina se fossem vocês! Besitos

  5. Oi Bianca e Luiz

    Nessas épocas é impossivel nao comer somente o necessário ainda mais viajando para esses lugares gatronomicos não dá mesmo!
    Que voce tenha passado um feliz ano novo.
    Beijos

    Marianne

  6. Oi Bianca, e ai como vao as coisas? Como passaram de ano novo? Me lembrei de vc qdo fui a uma cafeteria Lenotre em Berlim!!! Comi uma torta de morango divina!Espero que vc esteja curtindo bastante! Beijos e Feliz 2010!

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