Munique e a Oktoberfest 2009

Na sexta-feira, acordamos não muito tarde e já recuperados. A Oktoberfest só abriria no sábado.

 

Luiz não liga para café da manhã, no seu dia a dia toma um copo de leite e sai. Eu amo café, mas só costumo caprichar nos fins de semana ou quando tenho visitas. Meu normal é comer umas torradinhas com manteiga, café preto (muito!) e, de uns tempos para cá, incluí suco fresco de laranja. Portanto, quando sou hóspede, não costumo ter grandes exigências e me adapto ao cardápio dos anfitriões. A única coisa que não consigo abrir mão é da cafeína, ou simplesmente não acordo.

 

Assim que quando nossa amiga perguntou sobre o nosso café da manhã, foi o que expliquei. Acontece que os pães alemães são uma delícia! Fora que adoro uma novidade, então aquele nosso cafezinho básico virou toda uma refeição. E Luiz, que nunca come nada, comeu mais do que eu!

 

Não ligo muito para os pães espanhóis. Eles aqui tem paladar para coisas meio secas, tanto os pães como os queijos. Para mim, tenho sempre a impressão que o pão está meio velho. Há exceções, é claro, mas na média é assim, é uma questão de gosto. Os pães alemães me parecem um orgulho nacional, mais até do que as famosas salsichas – que também adoro. São diferentes cores, sementes, cereais, até puros são saborosos. Resultado, a dieta foi para o brejo.

 

Saí com minha amiga para dar uma caminhada e conversar, Luiz ficou em casa. A gente fala mais do que a língua e por alguma coincidência dos astros, passamos por situações muito semelhantes em épocas parecidas, apesar de sermos muito diferentes. Foi bom pelo papo e pela caminhada, maneira que gosto de entrar no clima das cidades.

 

Pela hora do almoço, voltamos ao apartamento dela para encontrarmos com Luiz e irmos a um museu-não-lembro-de-que no centro da cidade. Nunca chegamos ao tal museu. Andamos pela cidade e estacionamos em um bistrot charmosinho, onde conseguimos confundir bastante o garçon, que misturava alemão, francês e inglês. Já não era exatamente verão, mas um friozinho suportável que nos fez sentar do lado de fora e aproveitar os últimos dias de ar livre.

 

O caso é que ficamos ali até bem umas cinco da tarde, enrolando com um borgonha muito bom. Mas precisávamos voltar para casa porque tínhamos planejado jantar em um restaurante alemão que Luiz conhecia.

 

Aliás, esse foi um capítulo a parte, nunca imaginamos que o fato de sair para jantar pudesse se transformar em algo tão complexo! Minha amiga reclamava sem parar que era no outro lado da cidade, pedíamos outra sugestão e nada! Porque eles não conheciam restaurantes alemães, nem tão longe de casa. Então vamos nesse, vamos de taxi que ninguém precisa se preocupar em não beber, não pode ser tão complicado assim. No final, fomos de carro, Luiz e eu acreditando que sairíamos da cidade! Ou do país, sei lá! Quando ele olha no gps, constata que o restaurante ficava a 10Km da casa deles, 15 minutos dirigindo. Caraca! Isso era o do-outro-lado-do-mundo-difícil-para-cacete? O coral que frequento fica a 6km… e vou a pé! Se precisasse viver em um raio de 5km2 acho que morria de claustrofobia!

 

Enfim, chegamos ao restaurante e achei ótimo, se chama Sankt Emmerams . Não comi nada tão cheio de gordura ou esquisito. Na verdade, me deu pena estar com pouca fome, porque não dei conta de tomar vinho outra vez e fiquei curiosa para provar outros pratos. Comi um faisão recheado divino, em um prato cheio de detalhes e matizes agridoces.

 

Finalmente, chegou sábado, dia da abertura da famosa Oktoberfest. Não guardava enormes expectativas a respeito, mas era uma festa que tinha curiosidade em conhecer. Havíamos combinado outras vezes de ir, mas sempre acontecia alguma coisa, ou esquecia que apesar do nome, era em setembro e não outubro. Até que agora, por acaso (e juro que foi por acaso), começamos a combinar de nos encontrar e tal. Falei com Luiz que estava afim de ir, ele se animou também e só depois percebemos que coincidiria com a abertura da Oktoberfest. Beleza! Melhor ainda.

 

A única coisa é que como decidimos sem grandes antecedências – e é na Alemanha! – não conseguiríamos entrar nas tendas. Funciona da seguinte maneira, você só consegue beber se estiver sentado nas mesas, dentro dessas tendas. Como era o dia da abertura, estava totalmente lotado. As pessoas que não tinham reserva, chegavam super cedo para se estapear e guardar algum lugar, o que não seria nosso caso.

 

Por mim, tudo bem. Honestamente, achei até melhor. Porque não tomo cerveja e não gosto de estar no meio da muvuca muitas horas. Acho que se estivéssemos em um grupo grande e conseguisse beber alguma coisa, até encarava, mas acordar de madrugada, passar o maior perrengue, para simplesmente sentar ali e ver o povo tomar cerveja, não fazia a menor questão. Eles moram lá há nove anos, ou seja, devem estar carecas de ir! Provavelmente, estavam quebrando nosso galho aturando a quermese.

 

O que achei uma pena é que minha amiga tinha um vestido típico extra e eu estava doida para pagar esse mico, mas infelizmente, não coube em mim. Ela é brasileira, a única do nosso grupo vestida tipicamente como uma alemã.

 

Enfim, resumo da ópera, chegamos pouco antes do meio dia, horário da abertura oficial, e ainda pegamos o finalzinho da parada.

CIMG4719

CIMG4724 

Escutamos o prefeito ou algo do gênero inaugurando a feira e nos dirigimos para a tenda de onde vinha a sua voz. Demos a maior sorte e conseguimos entrar. Segundo minha amiga, normalmente esse horário você já não consegue mais, eles fecham as portas. Não ficamos muito tempo lá dentro, mas deu para ver como funcionava. De vez em quando, precisávamos desviar das garçonetes que passavam com trocentas canecas de cerveja enormes do nosso lado. Visto isso, começou a ficar muito apertado e resolvemos sair.

CIMG4729 

CIMG4730

CIMG4734

CIMG4735

Do lado de fora estava bem cheio também. É como se fosse um imenso parque de diversões, parece muito com uma quermese. Vários quiosques de comidas típicas e, acredite se quiser, até um que vendia caipirinha. Na verdade, caipirinha faz muito sucesso na Alemanha, tomamos uma bem correta. Encontramos um quiosque que vendia cerveja também, mas segundo nosso amigo alemão, era uma cerveja han$sgros##&*  que ele não tomava. Como não entendo chongas de cerveja…

CIMG4736

CIMG4738

CIMG4739

CIMG4740 

Não podia sair de Munique sem comer uma salsicha, né? Aproveitei e comi uma wurst muito gostosa, que foi meu almoço. Nesse dia, resolvi não marcar bobeira e me guardar para um bom jantar. Gosto das salsichas alemãs e sempre que viajo, tento comer o que é da região, é bom variar um pouco.

CIMG4755 

De lá, fomos procurar algum lugar para sentar fora da Oktoberfest e tomar alguma coisa. Não entendi muito bem, acho que o plano inicial era um biergarten, mas acabamos passando por uma terraza bonitinha que parecia oferecer opções além da cerveja. Ali ficamos tomando um vinhozinho, curtindo meia dúzia de nesgas de sol que apareceram e começamos a decidir onde jantar.

 

Sim, porque veja bem, definir um local para jantar era a operação mais complexa de toda a viagem! Minha amiga, que deve estar lendo meu blog, sofrerá na minha mão agora. Primeiro, porque intimidade é uma merda; segundo, porque vai ter dificuldade em escolher um lugar para ir lá na PQP! Cassilda! Na boa, a gente conversava em português, todos conversávamos em inglês, os dois trocavam idéias em alemão… e nada! Tentava fazer algumas perguntas para facilitar, do tipo, qual é o seu restaurante favorito? Mas daí parece que complicava mais! Não sei, definitivamente, deve haver algum esquema alemão para se definir onde jantar, mas o processo precisa ser realizado com três semanas de antecedência e em um formulário xpto, em duas vias de cores diferentes…

 

Eu sou coelho! Eu sou coelho! Só quero um lugarzinho para jantar! Qualquer lugar! Qualquer nacionalidade! Pode ser andando, de metrô, de carro, de bicicleta, de helicóptero! Não me importa! Socorro!

 

O esforço compensou. Eles lembraram de um francês fusion que não-sei-quem foi comemorar o aniversário de casamento. Fechado! Esse! Está ótimo! Demos sorte mais uma vez e desconfio que eles conseguiram reservar a última mesa do restaurante, porque estava lotado.

 

O lugar era uma graça, se chama Makassar e já ganhou o posto de meu restaurante preferido em Munich. Atendimento simpatissíssimo, dois dos três donos atendiam as mesas, falavam um inglês perfeito e conheciam bem o Brasil. O ambiente era um charme e a comida divina! Companhia perfeita, viagem fechada com chave de ouro. Show!

 

Meu paupérrimo vocabulário alemão aumentou. Agora sei falar genau (exatamente), lecker (gostoso), danke (obrigada) e bitte (por favor, de nada). 

 

No domingo, tomamos o rumo de casa. Dessa vez, o vôo estava marcado em um horário civilizado e o tempo de espera na conexão em Roma era bem razoável. Nossos amigos nos levaram ao aeroporto e esse sim é bem longinho. De carro, sem trânsito, uns 40 minutos.

 

Tanto no aeroporto alemão, quanto no italiano, compramos vinhos. Imagina se perderíamos a chance. Uma meia dúzia de garrafas no total, afinal de contas, no dia seguinte estreiaríamos nossa vinoteca. Aqui, por motivos óbvios, é mais fácil e mais em conta comprarmos vinhos espanhóis. Eu gosto, mas também gosto de variar. Vinhos e gastronomia são prazeres que Luiz e eu temos em comum, acho que é nosso luxo. Não somos muito consumistas com outras coisas, esse é nosso fraco.

 

No aeroporto de Roma, recebemos uma mensagem da amiga que ficou aqui em casa com o Jack. Pedia que chegássemos com fome. Então tá, né? A figuraça fez almoço, sobremesa e prendeu faixas de papel de boas vindas! Pode? Muito bom ser mimada, adoro, nem faço doce.

 

E é isso, agora preciso segurar a onda porque no fim do mês vamos a Paris. Daí já viu, outro chute no balde! Meu plano malévolo é fazer um workshop culinário, será que rola?

8 comentários em “Munique e a Oktoberfest 2009”

  1. Ahahah olha, sabe do que me lembrei qdo vi as fotos??? Da Festa dos Estados la em Brasilia, era exatamente assim, tinham a galera que ficava fora e as barracas dos Estados que ficavam looooooooooooooootadaaaaaaaaaaaaaaaassssss e a gente se estapeava pra conseguir entrar e comer as comidas tipicas de cada local. Agora Bibis, eu imagino vc no meio do povo e onde só vendia CERVEJA rsrs putz, pq Luiz nao é cervejeiro né, mas toma alguma , mas vocêeee nao toma nem meia!!! Que otimo que foi tudo de bom e que vcs se divertiram .
    Beijossss

  2. Oi, Didis! Foi ótimo! Eu não tomo cerveja, mas tinha curiosidade de ver como era. Por isso que para mim foi perfeito, vimos tudo e não doeu 🙂 Exatamente o que queria. E me lembro dessa festa dos estados de BSB, nessa época eu ainda tinha paciência e disposição para o acotovelamento… heheheh… era até boa nisso porque jogava handball! Essa minha amiga me conhece há anos, do meu tempo de solteira, quando ainda gostava de confusão. Os lugares só estavam bons quando estavam bem loooootaaaadooos… heheheheh… aff… agora dou tudo para sentar em uma mesinha e ser bem atendida! Besitos

  3. Nossa Bi você tem mesmo um talento pra línguas… mas não podemos esquecer do toll (legal) e Angeber (exibido). E por falar em vinho, espero que em breve vocês possam tomar os vinhos adquiridos nos copos também recém comprados. Isto é se os vinhos sobreviverem até os copos chegarem.

    O final de semana foi fantástico e eu espero que o delicioso pão alemão seja um motivo pra vocês voltarem o mais breve possível. Além é claro de poder visitar a fábrica da Riedel.

    Beijos mil pra vocês.

  4. Putz! Sabia que estava esquecendo alguma coisa! Toll… E achei melhor nem contar das taças ou pareceria uma Angeber! Bom, acho que os copos só chegam na semana que vem e uma das garrafas de vinho já foi 🙂 Também quis contar daquela loja de comidinhas, mas esqueci o nome.

    Eu só volto se puder ir a um restaurante a mais de 10km da sua casa… hahahahaha…

    Agora é a vez de vocês! Vou encomendar os pães!

    Besitos

  5. A loja de comidinhas é Dallmayr.

    E a mais de 10km se for na Austria (Salzburg – por exemplo) tá fechado.

  6. Hummm… Salzburg… puede… é onde fica a fábrica da Riedel? Se bem que agora já não tenho mais onde por copos! Fora que estou de olho em comprar umas panelas em Paris e pedi de aniversário um jogo de facas de chef. Caraca, como sou doméstica! 😛

    Besitos

  7. êeeee, cervejeiros!!! eu ainda nao tenho esse check na minha check list….vamos ver se no ano que vem consigo ir! Que legal!

Seja bem vindo a comentar! Sua resposta pode demorar um pouco a ser publicada.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s