Saúde em Madri (ou a falta dela)

Aprendi a não confundir longevidade com saúde pública. As pessoas aqui vivem mais porque ficam menos doentes e não porque os médicos sejam bons.

 

Há duas questões principais, uma é cultural, mas a outra, vai me desculpar, é falta de conhecimento mesmo.

 

A cultural eu tolero, porque não há outra maneira, mas não se justifica. Essa lógica literal e restrita, até aceito. Mas quando as pessoas se sentem o máximo em suas conclusões pequenas, realmente me irrita. E ainda te tratam como se fosse você que não tivesse entendido bem, sem perceber que você já seguiu a larga distância.

 

Se você se intimidou daí, se ferrou, mas se cutucar um pouco mais e começar a questionar, descobre que muitas vezes esse pseudo mau humor e firmeza escondem uma tremenda falta de visão. Não sabem a resposta? Falam bem alto e  firme o que sabem (ou acham que sabem), mesmo que seja o óbvio e não tenha a ver com o que você precise. O problema é que esse comportamento, que pode ser engraçadinho em um bar, se repete nos hospitais, e isso é inaceitável!

 

Já contei o absurdo que foi o atendimento ao meu pai em três hospitais madrileños diferentes e “bem conceituados” por essas bandas. Cheguei ao cúmulo de optar por levar um senhor de 70 anos, que acabou de ter um AVC e uma arritmia cardíaca, em um vôo de 10 horas para o Brasil. Sabe o que é pior? Provavelmente, foi o que salvou a vida dele.

 

Contei também sobre meus dois cistos que a médica sugeriu observar e esperar crescer. Que a propósito, eram cinco! Tive que extrair e fazer a biopsia no Rio.

 

Contei das minhas amigas que pariram? Porque sinto muito, dessa maneira medieval ninguém dá a luz, é parido mesmo. Depois das trinta horas em trabalho de parto, nenhuma recebeu uma gota de anestesia. Claro, quanto mais procedimentos, mais possibilidade de erro, a mãe que sinta dor, depois passa. A suturada foi a seco, afinal de contas, o parto era “natural”. A parte da sutura foi causada por rasgo e não por um corte. As mulheres morrem de parto? Não. Mas honestamente, precisam passar por esse sofrimento todo?

 

O filho de uma amiga, que deve ter por volta de uns 5 anos, quando foi internado tinha uma ou duas horas de visita ao dia. A mãe não podia ficar com ele. Você não pode ficar com o paciente, independente da idade que ele tenha. Melhor assim, menos gente testemunhando a quantidade de aberrações que devem acontecer lá dentro!

 

Dor aqui é frescura. Há uma forma de fazer as coisas, a de toda la vida! Se o mundo evoluiu e tem milhões de outras alternativas, francamente, vai dar muito mais trabalho!

 

Se gabam de tratar igual a todos. Eu acho esse negócio de igualdade uma bela porcaria que a gente traga há séculos. Nada é mais injusto e autoritário que tratar igualmente a pessoas diferentes. É tudo muito padronizado, só que por baixo.

 

Minha última experiência foi hoje mesmo, na ginecologista, a quinta médica que tento. O mau atendimento já não me atinge, não saio mais do consultório me sentindo uma idiota, mas também não escuto mais chorradas calada. Agora respondo cinicamente, e quanto mais ela completa a frase com um “vale? “, com aquele tom de pode-ir-logo-que-tenho-outras-pacientes, putz, aí é que me dá vontade de perguntar coisas. Se alguém tem que se irritar por aqui, então seremos as duas.

 

Para quem tem paciência, o diálogo foi mais ou menos assim:

 

_ Os exames estão todos bem.

 

Achei que fosse uma maneira positiva de começar a frase, legal. Mas não, era a conclusão. Tudo que ela tinha para me dizer de um hemograma completo (o qual fui eu que pedi e incluí um TSH), preventivo (com um mioma de 10mm), mamografia e ecografia (com cistos) foi… bem.

 

_ Vale? (me mandando embora, claro)

 

Não, não vale. Não estou esperando um mês essa bosta dessa consulta para alguém me dizer “bem”? Isso sei ler!

 

_ Então, não apareceu nenhum cisto? Perguntei.

_ Ah, um ou outro é normal.

_ …

 

Lendo a mamografia, constava que não havia alterações em relação à do ano anterior. Muito bem, alguém me explica como depois de tirar cinco quistos não havia nenhuma alteração?

 

Mas vamos seguir com a conversa que vai ficando cada vez mais divertida.

 

_ Parei de tomar anticoncepcionais porque pensava engravidar, mas estou na dúvida, e se quiser voltar a tomá-los, queria conhecer as opções.

_ Pílula, anel e parches. Vale?

_ Não passo bem com pílulas, o melhor para mim é a injeção depo provera, mas…

_ Isso aqui na Espanha não é assim!

 

Nossa, eu amo de paixão essa frase! Ela é sempre repetida em tom de orgulho, como alguém que está te ensinando alguma coisa. Você não sabe nada, aqui na Espanha ninguém faz assim! Nunca será possível novas invenções, evoluções, maneiras diferentes, a Espanha é diferente de todo o planeta!

 

Quer saber, vamos jogar um pouco?

 

_ … essa injeção mensal nós aqui não aplicamos.

_ É trimestral. Nos Estados Unidos e no Brasil é bem comum. Aqui na Espanha, uma médica espanhola me receitou, cheguei a comprá-la, só não continuei porque era complicada a aplicação.

_ Qual método afinal você quer?

_ Não sei, quero conhecer as opções.

_ Pílula, anel e parches. Vale? (vamos repetir essa frase com insistência, quem sabe funciona, né?)

_ Passo mal com a pílula, como disse. Aqui tentei a Cerazet porque era… (tentei dizer que era porque não tinha estrogêneo)

_ A Cerazet é para lactância…

_ Hein?

_ Aqui (na Espanha é claro) nós usamos para lactância…

_ Foi uma ginecologista espanhola quem me receitou.

_ Ah… bueno… pues… puede… mas não é boa no seu caso porque é só progesterona.

 

Pois é, cassilda! Isso que tentava explicar, é a merda do estrogêneo que me ferra! Mas enfim, também não queria continuar com a Cerazet mesmo, pelos meus próprios motivos, então, vamos continuar o jogo de quem se irrita primeiro.

 

_ E esse anel vaginal?

_ Um anel que se põe pela vagina. Vale? (me mandando embora outra vez)

 

Ah, bom! Agora ela tinha me explicado, porque pelo nome, anel vaginal, eu não tinha a menor idéia de em que orifício utilizá-lo! Puxa, que esclarecedor! Vai que confundo com um brinco?

 

Continuei impassível, juro. Mas também não me levantei nem fiz menção de quem ia embora. A atendente não se conteve e começou a me explicar, acho que ela não pensou, saiu pela boca. E verdade seja dita, era o que queria saber.

 

_ Se coloca como um tampão…

_ Tenho que tirar ou dissolve?

_ Não, você tira, dura 3 semanas…

_ É fácil para tirar?

_ É fácil…

 

De repente, a médica se interou que estava me consultando melhor com sua atendente. Só aí se deu ao trabalho de tirar um anel da gaveta e me mostrar.

 

_ Quer uma receita?

_ Não estou decidida se voltarei agora aos anticoncepcionais

_ A receita é válida por um ano, assim você não precisa voltar só para isso (olha o medo dela de me atender novamente! Mal sabia que já havia decidido há muito tempo que jamais seria minha médica! Mais fácil me consultar com a atendente!)

_ Então eu quero.

_ Vale?

 

Não, ainda não vale, você vai me aturar um pouco mais.

 

_ E se decidir engravidar?

_ Mas você não disse que desistiu?

_ Eu disse que tenho dúvidas.

 

Não tenho dúvidas. Daqui para frente era pirraça. Eu não disse a ela em nenhum momento que havia desistido e que eu saiba, qualquer médico na área de ginecologia e obstetrícia é, ou deveria ser, a favor que uma mulher engravidasse.

 

_ Na verdade, tenho um pouco de medo. Minha última médica me disse que simplesmente parasse com o anticoncepcional e ….

_ Tomasse ácido fólico (falamos juntas)

_ Pois é, me pareceu uma solução muito simples para uma mulher de 39 anos. Há riscos e alternativas…

_ Não, é assim dessa maneira (só faltou me dizer outra vez que na Espanha é assim). Não se pode simplesmente te virar de cabeça para baixo e sair um filho…

_ Certo, e também não há maneiras de saber se estou ovulando? Ou incentivar ovulação? Verificar se não tenho endometriose? (vamos combinar que você não está falando com alguém desinformado? Não me trate como retardada!)

_ Ah, bem, mas aí você precisaria ir a um centro especializado em fertilização…

_ Como assim? Você pode me indicar a um centro de fertilização? Isso é fertilização artificial ou em geral?

_ E tem mais, o plano de saúde não cobre tudo, esses exames são muito caros… (se não tenho argumentos, vamos tentar assustar pelo preço)

_ Não é um problema para mim, posso pagar. (essa doeu, senti que incomodou e admito que gostei)

_ Mas isso só depois de você tentar um tempo, não é assim, você decide e engravida! (que bom que ela me explicou outra vez, outra coisa que nunca imaginaria)

_ Faz mais de um ano que parei o anticoncepcional, consta aí na minha ficha (que você não leu!).

_ Mas você precisa decidir se quer engravidar ou não. Você não sabe se quer engravidar, isso não é assim… (isso, vamos mudar de assunto e colocar a culpa em mim, porque você é uma incentivadora e tanto, né? Dá para responder o que estou perguntando?)

_ Há alguma maternidade com algum tipo de especialização em mulheres com mais idade que decidam ser mães?

 

Ah, agora era a hora dela ser irônica. Que resposta brilhante, a melhor de todas!

 

_ Claro que não existe um centro só para mulheres de 39 anos que querem engravidar!

 

Que coisa mais absurda eu estava falando! Porque lógico que tirei da minha cabeça, um setor  no hospital só para mim!

 

_ Não apenas as mulheres de 39 anos. Mas, por exemplo no Brasil, nos melhores hospitais (e você podia dormir sem essa!), há setores especializados no processo de fertilização de mulheres com mais de 40 anos ou nessa faixa etária.

 

Poderia entrar no discurso que as mulheres do planeta vem adiando a maternidade e, portanto, surgiu uma nova necessidade em atendê-las. Porque não, ser mãe aos 26 não é igual a ser aos 39! Existem alternativas diferentes à fórmula: ácido fólico e trepem! Mas claro, na Espanha não deve ser assim!

 

E no caso de não querer ser mãe, a hipótese de saber se sou fértil ou não, nem pensar! Muito caro! Na dúvida, melhor me entupir de hormônios à toa.

 

De qualquer maneira, essa conversa já tinha me cansado. Agora podia ir embora. Dei boa tarde e agradeci (à atendente).

 

Pelo caminho fui pensando que não quero aguentar esse tipo de atitude indeterminadamente. Sei que não se pode julgar toda uma população por uma pessoa, mas é que não é só uma pessoa. Reproduzi um diálogo que poderia ser no taxi, na loja de roupas, no restaurante…

 

Quando você está de férias é engraçadinho. Morando, por um tempo a gente entuba que é cultural, mas quando penso em conviver com essa atitude provinciana, me cansa muito. Tem outras vantagens? Claro que sim, vou tentar pensar um pouco nelas. Sei que em outro lugar existirão outros problemas, mas caramba, às vezes queria mudar um pouco de problemas.

 

Para amenizar, antes de chegar em casa, meus pensamentos foram interrompidos no sinal por um mendigo me pedindo alguma moeda. Respondi com educação, mas disse que não. Ele era magrelo, parecia um pouco maluquinho, dos mansos, e era menor que eu, não assustava. Insistiu, olha, ali na frente tem um bar, é que estou com fome, você me compraria um lanche?

 

Não nego e espero nunca negar comida para ninguém, isso já é uma questão de honra. Então tá, hombre, un bocadillo te lo compro. Ali na frente?

 

Fechou o sinal e ele me acompanhou, alertando que tomasse cuidado com os carros, que sempre há acidentes. Falava compulsivamente: nunca sofri um acidente de carro, meu pai nunca sofreu um acidente de carro, ele morreu em casa, mas não foi em um acidente de carro…

 

Ai, meu santo! Onde fui amarrar minha égua? Cadê o bar?

 

Na porta me perguntou, você pode me pagar também uma coca-cola? Respondi, posso.

 

Entramos, ele pegou uma coca e na hora de escolher o sanduíche, olhando para a oferta do balcão, relutou. Melhor não, vou ficar só com a coca, me alimento só de pão e de leite, esse aqui – apontando um tipo de croissant – tem muita manteiga, faz mal para sua saúde!

 

Para tudo! Deixa eu entender, um mendigo preocupado com o colesterol?

 

Continuou me apontando um donnut, você não deve comer esse, tem muito açucar, faz mal para você! Vou tomar só a coca-cola, muito obrigada, já vou. Olhou para a vendedora, me apontou: ela vai pagar. E sumiu. Foi muito educado e vou pensar duas vezes antes de querer abocanhar um donnut!

 

Mas, definitivamente, quando um mendigo maluquinho se preocupa mais com minha saúde do que uma médica, alguma coisa está fora da ordem.

 

17 comentários em “Saúde em Madri (ou a falta dela)”

  1. Ai Bianca, adorei seu post!
    Ficava lendo e falava sozinha, a medida que ia passando os parágrafos “putz, é assim mesmo”, “é bem assim”, “caramba, é verdade”…

    Sei muito bem o que vc quer dizer, acho que todos nós já passamos por várias situaçoes assim. É verdade também que isso pode acontecer em qualquer lugar, como vc disse, mas eu ainda acho que na consulta do médico é o mais-mais!

    Já passei por diálogos parecidos com esse (um deles foi cum uma ginecologista, por sinal), e já deixei de fazer tratamento aqui porque cansei dessa gente tratar nós, imigrantes, como se fosse escória. Eles acham que porque tem uma merda de diploma e estao atendendo a um estrangeiro podem pisar na gente como querem… nossa, uma vez quase falei pra médica “olha, eu sou brasileira, mas eu tenho curso superior, eu nao sou uma dessas rumanas analfabetas que vc está acostumada a atender”.

    Dá mesmo muita raiva… mas na hora que vc contou do mendigo eu dei risada… e vc tem razao, num país onde os mendigos se preocupam mais conosco do que os médicos, a coisa tá feia!

    Detalhe: seu pai sofreu o AVC e precisou ir ao Brasil… meu primo perdeu duas pernas!!!! E agora tá meio “lelé da cuca”, vai-se saber porquê!!! Ainda acho que é pela grande capacidade dos médicos espanhóis!

  2. Just a coment, deixa eu te contar quando fui ao alergólogo do Gregório Marañon…

    Bem, tudo começou com um ataque de asma forte que tive aqui e me obrigou a ir a urgencias de madrugada, o médico me atendeu bem, mas disse que eu tinha que ir ao médico de cabeceira, porque eu nao podia deixar pra lá uma asma assim, etc e tal (o cara era bacana, ele até disse que foi do Médico Sin fronteras, que trabalhou na África… vai ver era por isso).

    Fui ao médico de cabeceira, que me mandou direto pro pneumólogo. Me atendeu uma velha mal amada que mal me olhava na cara, eu cheguei um pouco atrasada porque calculei mal o tempo, e a mulher acabou comigo, como se, por causa do meu atraso, todos os doentes de pulmao da Espanha tinham morrido…
    Me mandou fazer um exame que nao me lembro o nome, sei que vc tem que soprar numa máquina pra calcular a força pulmonar, e eu tentei 3 vezes e nao consegui. A atendente disse “ela nao consegue”, e a mal amada me diz “pues a ver si la proxima aprendes, eh!”

    Muito bem, ao final fui ao alergólogo. Me atendeu um argentino. Um amor! Fiquei super feliz quando vi que o cara era estrangeiro também, me tratou super bem, nao ficou me puxando o saco, mas também nao me tratou como se fosse uma analfabeta ou retardada mental.

    Fiz os exames, deu que eu era alérgica, ele me mandou tomar uns remédios e mandou eu voltar dali 2 meses. Voltei, pensando que seria atendida pelo argentino… que surpresa levo quando me dou c/ espanhol c/ cara de idiota.

    Sabe o que ele fez? Leu todo o meu histórico, tudo o que o argentino anotou quando me entrevistou, E REPETIU A MESMA COISA que o argentino disse… detalhe: ele me disse que eu devia dar o meu cachorro pra alguém! Eu falei pra ele: “olha doutor, vc pode me mandar o que quiser, mas nao me mande dar o meu cachorro, porque eu nao vou”, tinha que ver a cara dele!

    Quase virei pra ele e disse: “também tenho que derrubar todas as arvores dos parques perto de casa?” (tbem sou alérgica a pólen).

    Por que essa gente nao orienta??? Cacete, tem remédio pra isso! Tem maneiras de combater a alergia! Nao precisa dar o cachorro, só tem que limpar mais a casa e as coisas do animal! Eu li isso no Google… será que o Google é melhor que os livros de medicina????

  3. Pois é, Alessandra, é fogo! Mas sabe que tenho minhas dúvidas se esse atendimento é só com imigrantes? Honestamente, acho que eles tratam assim todo mundo! A diferença é que os espanhóis estão acostumados e se conformam em serem mal tratados. O que o médico fala, eles entubam. Eu acho que qualquer pessoa que entre em um consultório merece ser atendida com respeito. Se é analfabeta romena ou marciana, que se explique de maneira mais simples, mas todo paciente tem direito à informação.

    Acho mesmo que essa postura é cômoda, mascara profissionais ruins, mal formados e com muito pouca exigência. Eles não explicam porque não sabem e não se importam em não saber.

    A propósito, um dos hospitais que meu pai “passeou” foi esse Gregório Marañon. Foi o terceiro hospital, onde assinei um termo de responsabilidade e tiramos ele de lá no peito.

    Outra coisa engraçada, como você, aqui estou me especializando em ser a Dra. Google. Não sei se é melhor que os livros de medicina, mas certamente a gente consegue muito melhor informação que em uma consulta médica!

    E não precisa dar seu cachorro mesmo, você fez muito bem! Tem tratamento e melhora muito quando a casa é mais limpa e o animal escovado. Já passei por isso com dois gatos persa, os de pelo bem comprido! Se quiser, depois te conto sobre a medicação que tomei.

    Enquanto isso, na sala de justiça, é cruzar os dedos para não ficar doente! Credo!

    Besitos

  4. Pois é, parece que todas temos histórias bem parecidas pra contar… Da ultima vez que fui ao médico (duas semanas) fui especialmente para pedir um exame de TSH, T3 e T4 porque tenho problema de tireóide e minha médica (no Brasil) me pede os exames a cada seis meses.

    Acabei comentando que estava com um principio de cistite (já sofri bastante com isso enquanto ainda morava no Brasil e cheguei a fazer um tratamento de 6 meses com antibióticos para curar a “crônica” porque ela havia chegado aos rins, ou seja, me dá pânico só de pensar que posso voltar a sentir dores)… para meu espanto, o médico não me receitou remedio algum e me mandou fazer os exames, esperar os resultados, e só depois ia ver se me dava os remédios!!! Pqp, no Brasil o meu médico sempre me medicava (afinal, quem já teve cistite sabe como doi) e logo esperava umas semanas pra fazer o exame (porque o remedio mascara o “bicho”). Se estivesse “limpo”, eu tava curada… pelo menos até a próxima. Contei a história do tratamento prolongado ao médico e disse que queria remédioooo… ele disse remédio só depois de fazer a cultura da urina, que lá no Brasil não deveriam ter feito a cultura, que faziam exame comum. Aqui na Espanha a gente faz a culturaaaaa…sem a cultura não se pode saber qual remedio utilizar. Nossa, que raiva…óbvio que no Brasil faziam a cultura…só que não me deixavam morrendo de dor até chegar o resultado.

    Resumindo…voltei pra casa com aqueles sintomas horriveis da infecção e com exames para fazer. Quando recebi os resultados, percebi que tinha um hemograma completo, colesterol, tudo menos os exames da TIREÓIDE. Pqp, se eu fui ao médico especialmente pra isso e pedi com todas as letras… Agora vou ter que ir a outro, porque nesse eu não coloco mais os pés. Sorte que a cistite foi fraca e passou sem precisar tomar remedios mais fortes (porque eu tomei por conta propria uns que meu pai, que é farmacêutico, me receitou e consegui comprar na farmácia sem receita)

    É tudo uma porcaria… essa gente estuda anos, recebe um bom salário e não serve pra nada… ojalá nunca tenha uma doença séria enquanto estiver por aqui!

  5. Eles simplesmente não te escutam! Interrompem suas frases, não te deixam contar o que sente, muito menos ouvem as experiências passadas. Parece que você vai ao médico por prazer, porque não tem nada melhor para fazer! Acho que na cabeça deles, é bom que você tenha um momento bem horrível, que assim você pensa duas vezes antes de voltar a um hospital!

    Medicina preventiva então? Xiii… que mariconada! Deixa você estar morrendo para a gente acreditar que você está doente! Dois meses depois que você tem qualquer problema, um para a consulta e outro para os exames ficarem prontos, pode ser que eles tomem um providência! Mas vai que você morre antes? Melhor, menos trabalho!

    Infelizmente, também temos nossa farmacinha básica em casa. Nada muito sério e sou bem contra se auto medicar, mas aqui não te dão alternativa.

    Besitos

  6. Oi Bianca, você tem razao, eu acho que eles tratam todo mundo mal mesmo (o Ernesto também foi vítima de erro médico, além do meu primo), mas eu já notei que, quando eles notam que é estrangeiro, aí que eles detonam… por isso que a gente tem que fazer isso mesmo, tem que peitar e demonstrar que nao é nenhum idiota. Com certeza quem nao tem estudo também tem direito de ser bem atendido, mas parece que eles pensam isso, “ah, é estrangeiro? da américa do sul? ah, esse nao sabe nada”, e me dá muita raiva…

    E nao é só da Seguridad Social, eu fui também em médico de convênio (quando trabalhava tinha Sanitas), e sao da mesma forma, UM BANDO DE VAGOS, só querem cobrar o salário e tchau…

  7. Oi Bianca:
    Adorei o post, claro q ñ pela consulta chata (pois isso ñ é pra rir mas arrhh!!! 🙂 ri pela informaçao do mendigo.

    Sobre o que tu respondestes p Alessandra…
    “- Mas sabe que tenho minhas dúvidas se esse atendimento é só com imigrantes? Honestamente, acho que eles tratam assim todo mundo! A diferença é que os espanhóis estão acostumados e se conformam em serem mal tratados.”

    Li teu post e em seguida perguntei pra um español (pois até eu fiquei com a dúvida 😉
    Ele disse que é geral e nao apenas com a gente. Que para os espanhóis “dá igual”.

    P.S.: Esse foi o primeiro ano que tive que fazer check-up na España. Aprendi minha liçao, realizar isso só no BRASIL!

    Fica bem,
    Ana

  8. Oi, Ana!

    Sim, o mau atendimento é geral. Como você pode ler no próprio comentário da Alessandra, tanto o marido quanto o primo (espanhóis) também foram vítimas (porque aqui acho que não somos mais pacientes e sim vítimas!).

    Enquanto o próprio espanhol não aprender a reclamar e exigir, não vai mudar. Mas como você pode ver, parece que para eles “dá igual”. Entre nós, acho que eles não tem é coragem nem informação mesmo para entrar na discussão.

    Pois é, muita coisa tenho que fazer no Brasil. Mas chega um ponto que não posso ficar esperando uma vez ao ano para fazer tudo. Da última vez pensei que não é possível que não seja capaz de encontrar algum bom médico em Madrid e continuei minha busca. Acontece que como você vê, não é nada simples!

    Besitos

  9. Oi, Alessandra!

    Essa última médica que contei no post é da Sanitas. Aliás, todas as ginecologistas que fui aqui eram particulares e não adiantou nada. São ruins também.

    E só como informação adicional, ela achou que eu fosse italiana.

    Besitos

  10. Oi Bianca

    Pois é, tenho parentes na Suiça que tratam dos dentes no Brasil ha muitos anos, não é só pelo preço não, é pela competencia mesmo.
    Exames desse que voce precisou fazer só mesmo aqui pra confiar, depois dessa sua tragédia hilária a gente fica com medo de continuar se arriscando.
    E a ex-sogra da minha irmã que foi mordida por um cachorro na mão em Portugal e no hospital em Cascais queriam de todo jeito tirar raio x do pulmão, e ela repetia :
    – Mas é na MÃO!!!!!
    Resumindo preferiu ficar horas num vôo de volta para São Paulo e operar aqui no Hospital Albert Einstein.
    Boa Sorte.
    Beijos

    Marianne

  11. … é que mão rima com pulmão! Afê!

    Michel chega hoje aqui em casa, se quiser podemos falar pelo MSN mais tarde. Tô preparando um jantarzinho básico 🙂

    Besitos

  12. kkkk, demais esse p0st!!!
    Ach0 q aqui n BrasiI, p/ quem pde pagar um PIan0 a c0isa é meIh0r, hehehe
    Bjs

  13. Ola Bianca

    Cheguei no seu blog através da Ale de Madrid e já li esse seu post a dias…

    Me dá até preguiça falar do tema, pois tenho tantas histórias a respeito, que afffffffff maria!!!!

    Para resumir…

    Primeira historinha rapidinha: meu marido tem problemas com seus espermas, entao nao podemos ter filhos naturalmente, estou desde 2005 na fila da seguridad social para fazer o tratamento e até hoje nao me chamaram, nem ao menos me deram satisfaçao, e se por um acaso eu ligo, pedem para ter paciência pois a espera é grande pela quantidade de pessoas com problemas, imagine…
    Ah, dizem que depois dos 35 a “coisa” agiliza, mas eu já fiz 36 e nada!!!
    Mas é lógico que resolvemos fazer tudo por nossa conta, e estou grávida do meu 2º filho, ambos tratamentos feitos no Brasil na Reproduçao humana do Santa Joana, em Sao Paulo, aproveitamento de 100%, rssssss

    Outra historinha rapida… no começo de 2006 meu sogro “notou” algo raro na boca, foi ao dentista, que disse para que ele fosse ao medico, do medico de cabecera foi parar no maxilofacial, onde foi diagnosticado câncer na boca, ele fez varias sessoes de radio e ficou por isso mesmo.
    NAO fizeram nenhum outro tipo de exames, nenhuma tomografia ou o tal do TAC como preferir.
    Sei que por volta do mes de agosto apareceram novos tumores no pescoço, ele foi internado no fim de novembro para operar o câncer no pescoço e morreu dia 27 de dezembro devido a um câncer no fígado que foi descoberto dias antes do seu falecimento!!!
    O que dizer a respeito??? Da uma vontade louca de “meter” um processo nessa gente por negligência, mas nao adianta, nao vai trazer o velho de volta!!!

    Mais uma rapidinha e prometo que paro, rsss…
    A avó do meu marido ainda é viva, tem quase 1 século de vida, mas está ai firme porém nao tao forte!
    Outro dia tivemos que leva-la a urgencias, faz 1 ano mais ou menos, pois vc acredita que deixaram a pobre mulher numa maca no meio da sala de urgências por mais de 6 horas esperando e detalhe, NENHUM medico passou para ver o que estava acontecendo… apenas um ATS que mediu a pressao por umas 2 ou 3 vezes e nada mais!!!!

    Tenho muitas no estilo dessa sua do blog, mas vou parar por aqui, se quiser trocar figurinhas sobre o tema é só entrar em contato, rsss

    Beijocas

    ps. vou add seu blog aos meus preferidos ok, gostei dele! rsss

  14. Ah, em funçao de tudo isso começamos a pagar um plano tb, fizemos sanitas, mas o que passa é que os medicos sao praticamente os mesmos, rssss… a única coisa que diferencia é a espera!!!

  15. Oi, Andrea!

    Seja bem vinda!

    Pois é, esse assunto de saúde aqui é algo aterrorizador e me impressiona como eles não reclamam nem cobram! A questão de colocar um processo não é só que não traga a pessoa de volta (que é o pior), é que não dá em absolutamente nada! Os espanhóis acham isso normal. Claro que devem ficar aborrecidos, tristes etc etc, mas duvido que eles imaginem que há alternativas diferentes.

    Medicina preventiva aqui é custo desnecessário, é visto como errado e isso é inaceitável! Além de desumano, é burro, porque é mais caro!

    As pessoas colocam tudo na cesta de “diferenças culturais” e não é verdade! Mesmo que não concorde, posso aceitar um atendimento que considero ruim em um restaurante como fator cultural. Mas quando tratamos de vidas, não é admissível essa completa displicência e tratar absolutamente todas as doenças como frescura ou parte da vida. Não é parte da vida se morrer ou ter danos irreversíveis para situações onde exista recurso de cura ou de prevenção.

    Temos o Sanitas também, pelo que comentam, é um dos melhores. E sim, o único que diferencia é a espera, a mentalidade é a mesma. Definitivamente, cada vez tenho mais medo de ficar doente aqui, credo! Fico realmente feliz que você tenha conseguido fazer seu tratamento no Brasil e reverter a situação. E afinal, você achou algum(a) ginecologista que preste aqui em Madrid?

    Besitos

  16. Oi Bianca, para piorar a situaçao em vivo em Andalucia, para ser mais exata em um pueblo de 200mil habitantes chamado Jerez de la Frontera, rssssss
    beijocas

Seja bem vindo a comentar! Sua resposta pode demorar um pouco a ser publicada.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s