Bizarro e divertido

Eu boto fogo mesmo! Gosto de festa e de comemorações, o planeta inteirinho sabe disso. Portanto, se me avisou que é aniversário, a não ser que a pessoa diga explicitamente que não quer comemorar, boto a maior pilha.

 

Foi a vez da outra imparável aniversariante ter o momento não-sei-desanimei-será? Como assim, não me sacaneia! Claro que sim, óbvio que sim, sim, né? Então tá, marcado para sábado em um bar-que-ninguém-sabe-qual-é.

 

Luiz viajou na sexta para Suíça e acabou emendando no sábado, porque temos amigos por lá. Para mim não deu, porque não tinha com quem deixar o Jack e levá-lo era muita complicação para pouco tempo.

 

Sendo assim, para não chegar sozinha ao bar, fui com a aniversariante, que passou de carro aqui em casa mais cedo. Fomos buscar seu marido que é músico e estava tocando em um restaurante, para de lá ir tocar nesse bar.

 

Beleza. No carro, que dava a maior fome porque cheirava a pão de queijo e coxinha, ai que delícia, toca o celular. O show era somente de três, mas apareceu um quarto músico, convidado pela dona do recinto. Confusão armada e a gente nem tinha chegado. Momento no qual pensei como é bom não saber sobre os bastidores.

 

Entramos na rua, na nossa frente atravessam três mocinhas com aquela pinta para lá de suspeita, os meninos falam qualquer besteira e passamos. Quando paramos na porta para eles saltarem com instrumentos e salgadinhos, quem entra no bar? As três, lógico! Falei para minha amiga, tranquilo, aqui não dá problema, elas vieram a lazer e não a trabalho. E o pior, ou melhor, é que foi. As meninas ficaram na delas e não encheram o saco de ninguém, depois fiquei até com a consciência pesada da minha maldade, mas só um pouquinho.

 

Fomos estacionar o carro. Na volta, entrando no bar, pegamos no flagra a gerente no celular com a dona contando a confusão de que músico-toca-que-músico-não-toca, passei batido. Tocaram os quatro, não sei o que ficou resolvido em relação a pagamento.

 

Entrei, alguns amigos, legal. Duas com o bico na lua, não entendi muito bem, mas achei melhor ser educada. Às vezes, agradeço meu lado sangue ruim, porque na mesma hora liguei minha redoma que me torna imune e ignorei. Acho que ainda é resquício do fim dos imparáveis, mas juro que não tenho mais saco para essa história. Minha amiga eternamente preocupada, relaxa, relaxa! E eu, mas estou relaxada, e estava, aliás, se relaxasse mais dormia! O resto, animado, alguns ainda chegando. Aniversariante distribuindo copas, então tá, só por isso vou tomar uma caipirinha. Sem açucar, por favor!

 

Uma pena todos não poderem estar presentes, principalmente Luiz e minha dupla dinâmica etílica, mas tudo bem. Chegando o verão é mais difícil encontrar o povo mesmo. Até que, considerando a época, foi bastante gente. E me diverti.

 

Os salgadinhos foram devidamente atacados e estavam ótimos. Claro que de vez em quando chegava um bicão desconhecido e se engraçava com as coxinhas. Lá ia eu cutucá-los e dizer, pode comer, mas tem que dar parabéns à aniversariante que é ela! Apontando para minha amiga que só não ficava mais sem graça que os bicões, que davam parabéns e saíam de fininho.

 

Dali a pouco surge um dos amigos que, antes de falar direito conosco, entrou feito um torpedo procurando o “André”! Ninguém tinha a menor idéia de quem era o indivíduo e muito menos entendemos o que tinha acontecido. Foi um para cada lado, acho que se informar, sei lá. E eu pensando, o povo está meio bizarro hoje.

 

Olho para frente e vejo uma das amigas dançando sozinha animadíssima em seu planeta feliz, sem se dar conta de absolutamente nada que acontecia em volta. Putz, pensei, é para lá que vou. Oi, seu universo paralelo está mais divertido! Ali fiquei dançando no meu mundo feliz também.

 

Quer dizer, por um tempo, porque como já sei que vou para o inferno, não demora muito para começar a observar as pessoas e pipocarem apelidos na minha cabeça. Tinha o Bill Gates, uma barreira quase intransponível até o bar; a Poderosa Ísis, com aquele vestido branco e uns brilhinhos; o Homem-Nariz, vilão que rouba nosso oxigênio; a mocinha com vestido vermelho estampado anos sessenta e… acho que conheço aquele rosto. Será do orkut?

 

Meu amigo, que acabo de descobrir que é outro cáustico, inclusive ganhou muitos pontos comigo agora, pergunta, aquele não é o fulano do orkut? O antropóooooologo! Sim, porque a cada observação feita na comunidade, ele sempre faz um discurso e avisa que faz doutorado em antropologia. Parece advogado!

 

Ah, só pode ser, porque se eu achei e você achou… Não levou nem 5 minutos, chega a aniversariante, escuta, aquele ali não é o fulano do orkut? E nós três em coro, o antropóooooologo! Putz, vamos puxar conversa com ele? Pedir um autógrafo? Já sei, vou me apresentar como socióloga!

 

Até aí, estávamos nós três de farra. Acontece que não lembro mais porque, acabamos por chamá-lo de verdade e puxamos conversa. Minha amiga mais do que depressa, aponta para mim – só pode ser vingança porque fiquei mandando os bicões lhe darem parabéns – ela é socióloga! O cidadão se interessa, ah, é? Onde você se formou? Bianca, pensa rápido um lugar bem improvável: UnB, Brasília. Qual era a chance dele me responder eu também? Para quem conhece a Lei de Murphy = 100%. Começou a rolar as perguntas do tipo, lembra disso? E eu para minha amiga: me salva!

 

Ouvi a tese de doutorado que tinha algo a ver com antropologia, nutrição e hare krishna. Caraca, será que tomei muita caipirinha? Bianca, se concentra, você agora é so-ci-ó-lo-ga, lembra? Acabei prestando atenção e acho que fazia algum sentido, ou seria a caipirinha?

 

Acho que está na hora de ir embora.

 

Ganhei mais uma caronita da aniversariante e tive a mordomia de ser deixada na porta de casa, pelas 5 da matina. Para quem tinha se programado para um possível sabadozinho monótono, sozinha em casa… nada mal, né?

4 comentários em “Bizarro e divertido”

  1. Bi,

    To até agora rindo das pérolas de sábado! Do nosso mais novo amigo!!
    Obrigada pela força e por me animar a comemorar!

    Foi ótimo.. socióloga.

    bjos

  2. O antropólogo é o mesmo cara que, no Carnaval, nao parava de puxar “bandeira branca amor…ao posso maaaais”. E pronto, ele virou o bandeira branca 🙂 lembra?
    beijos! essas farras de Madrid….só em Madrid mesmo! hahaa

  3. Suz, não sei se era ele porque estava no Brasil, mas se for um bem chato, é ele mesmo!

    Didis, perdeu chica, mas outras virão!

    Dani, disponha 🙂

    Besitos

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