De trás para frente

Ok, escrever em parte é disciplina, então deixa eu montar nessa bicicleta e logo lembrarei. Porque vontade, vontade mesmo, está me custando a entrar. Não será por falta de assunto e acho melhor começar a registrar antes que se perca no tempo ou eu perca a coragem. Já nem sei o que quero escrever primeiro.

 

Vou começar pelo que é mais difícil de lidar, porém mais fácil de escrever, porque racionalizando fica mais simples. Meu pai está internado outra vez, evitando o suspense que já ficou para trás, está bem. É uma infecção urinária persistente, que precisa ser curada antes de continuar o tratamento com BCG, para a bexiga. O problema é que no início, havia a suspeita de ter infiltrado pelos rins, seja lá o que isso signifique. Sei que ele foi para o CTI, o que me parecia despropositado para uma infecção urinária. Ou era excesso de cuidado, ou eu é que não tinha todas as informações. Agora acho que foi um misto dessas duas coisas. Importa que ontem ele foi liberado do CTI e estava indo para o quarto. É possível que tenha alta em uns três ou quatro dias, a previsão inicial era de uns dez dias, ou seja, melhorou.

 

Sim, me assustou, fiquei na dúvida se tinha que ir para o Brasil outra vez, não queria sair de casa para esperar as notícias, toda aquela história. Enfim, consegui manter a calma até ter uma definição melhor do quadro, não aprendi, mas estou aprendendo. Estou aprendendo que agora é assim, dias bons e outros nem tanto, mas exagerando um pouco, não posso sair correndo a cada espirro. Eu, que sou de extremos, talvez seja obrigada a aprender a dosar.

 

Voltando o filme, nesse domingo, antes de saber dessa história, montamos a piscina aqui em casa. Verão passado aproveitei um monte e fiquei nêga, por improvável que pareça. Esse ano quase não tive vontade de montá-la, praticamente me forcei porque o curso das coisas deve continuar. Agora estou sem ânimo de aproveitá-la, ainda não entrei nem uma vez, mas vou entrar com ou sem vontade.

 

No sábado, fomos ao Kabocla ver nosso amigo tocar. Foi divertido e surreal, estava bom, mas diferente. No fundo, acho que para mim foi uma tentativa de voltar e às vezes me esqueço que os caminhos de volta também mudam, porque não sou o umbigo do mundo, portanto não sou a única a mudar, todos tem seu curso. De alguns amigos me aproximei, de outros perdi a confiança, soube que tinha razão e de maneira incoerente, quis não tê-la. Depois não me importou mais. Agora sim se tratava do meu umbigo e por alguns instantes tive o gosto da sensação de poder tudo outra vez, se faltava confiança era em mim, esse era um problema meu, e não falta mais.

 

Anteriormente, na quinta-feira, fomos à despedida de uma amiga, onde conheci outras pessoas. Ando com vontade de conhecer outras pessoas, preciso aumentar um pouco o mundo. Uma delas começou a me perguntar coisas bastante íntimas e não me incomodou. Sabia que me perguntava por seus próprios motivos, tem decisões a tomar. Conversávamos sobre visto de trabalho, como foi para eu vir só com o visto de residência e tal. Até que chegou na pergunta principal, se você soubesse que era assim, você viria?

 

Sim, viria. Mas viria sabendo do que se tratava. O fato seria o mesmo, mas mudaria a atitude. Expectativas são quase inevitáveis, mas são uma merda! Sou perfeitamente capaz de abrir mão da vida profissional formal por algum tempo, talvez até muito tempo. Mas é insuportável que fique implícito que, se não a tenho, é porque no fundo, eu é que não me esforcei o suficiente. Isso é uma tremenda injustiça, e o mais injusto é que acreditei nela. Não acredito mais. Não posso mudar o passado, mas posso mudar a atitude.

 

Não faço arte por hobby, não escrevo para ocupar o tempo, não preciso de um subemprego ilegal para pagar contas, não volto para o mundo de negócios porque não quero e não trabalho porque não posso. Ponto final.

 

Próxima página? Nem idéia. Talvez pegar uma piscina.

3 comentários em “De trás para frente”

  1. Bravo!

    Sim, o caminho sempre está mudando. Mesmo quando, em teoria, o lugar é o mesmo. Mas nós é que não somos mais. E os outros também, como bem ponderaste.

    Teu pai tem dias bons e dias bastante complicados. Guardada as devidas proporções, você também. Respeite os dias de saco cheio, de não querer saber de muita coisa, mas sempre deixando a alma e a cabeça aberta para se contradizer, para se surpreender, mudar de direções rapidamente.

    Bueno, mais uma coisa para a lista de zilhões de assuntos que temos para tratar. Agora, estás certíssima com a piscina, com a magreza, com o bronzeado… enfim, para variar, tens razão em tudo. 😉 Chato ser assim, hein? (tô zoando vc)

    Beijos grandes e aproveita o dia para fazer o que exatamente “te da la gana”. Nem mais, nem menos. Com o tempo – aquele de quem gostamos de falar -, tudo vai se ajeitando. Melhoras para teu pai e “serenidade” – minha palavrinha mágica há alguns meses – para ti.

  2. Affeee que deslanchou hoje né chica!!!
    Corre pra piscina e vai ficar negona de novo que dá outro animo!
    Beijocas

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