A arte, as palavras e o tempo

Há algum tempo atrás, me dei conta que escrever, de certa forma, me afastou das artes plásticas. Não precisava ser assim, mas é que no meu caso, parte da motivação visceral de trabalhar com arte era a de me comunicar e interagir. Como me custa muito falar, criar códigos artísticos me serviu como uma ferramenta e tanto. De repente, descobri que a palavra escrita podia suprir essa necessidade, talvez por isso eu escreva muito parecido como falo, só que mais organizado. A palavra é mais direta e arriscada. Não foi o único motivo, mas cada dia tenho mais certeza que foi o que viabilizou.

 

O que é engraçado é que agora, quando não estava com a menor vontade de falar ou escrever, me peguei desenhando. Bom saber tocar mais de um instrumento, enlouquecemos mais devagar.

 

Vou me desviando das bruxas, acho que como todos. Segundo os noticiários, blogs e afins, a vida no planeta não está nada fácil. Entre acidentes aéreos, crises, gripe suína e protestos no Irã, às vezes dá tempo de tomar um bom vinho e lembrar que desde que o mundo é mundo shit happens, e é melhor aproveitar antes que nos toque. Melhor tomar fôlego antes de mergulhar. Como acabo de nadar até a margem, ainda não dá para correr que estou cansada, mas dá para tomar um solzinho.

 

Em casa, foi difícil voltar, vivo me perdendo pelo caminho, mas cheguei. Talvez sejam os emblemáticos 40 também chegando. Nos 20, não somos muita coisa, mas podemos ser quase tudo; nos 30 é o equilíbrio perfeito, temos experiência, tempo e várias portas a serem abertas. Nos 40, ou temos orgulho de alguma coisa que fizemos no passado para nos agarrarmos como referência, ou corremos o sério risco de optar por uma vida medíocre. Claro que podemos mudar, construir, mas só frente às portas que abrimos, as outras já eram, foi nossa opção. Acho que abri muitas portas, mas se foram as corretas e suficientes, só saberei com o tempo.

 

Tempo, tempo, tempo… estou sempre pensando nele.

 

Quer saber, chega! Tá bom de filosofia por hoje, melhor pensar no que realmente importa na vida de uma mulher moderna e preocupada com sua participação na engrenagem do universo: estou magra! Como dizem os espanhóis, toma!

7 comentários em “A arte, as palavras e o tempo”

  1. Hahaha estou magra foi oooooooooooootemoooo, é isso ai chica, os 40 sao arrebatadores, o meu foi Fods com PH!!!
    Mas passa viu…

    Beijoss

  2. Oi menina!!

    Não me importa se vc vai fazer 40 ou, daqui a 30 anos, 70… vou sempre te chamar de menina. hehehehehehe

    Acabo de ver que tu me deixou uma mensagem no blog falando da nossa já conhecida sintonia. O mais louco, Bi, não é termos falado do mesmo… mas eu ter pensado exatamente nisso que comentaste neste blog há pouco tempo.

    Um belo dia, estava pensando sobre como deveria ter sido barra a tua volta para Madrid, de como deverias estar te sentindo, e pensei: “Será que ela não vai canalizar tudo isso para a arte?”. Naquele dia eu me imaginei te dando esse “conselho” – olha a arrogância da menina! -, falando para ti que talvez fosse um bom momento para criar, para fazer algo grande…

    E daí venho aqui e vejo esse texto. Que engraçado!

    As palavras são mágicas. Eu sou tarada por elas… me emociono lendo algo bacana, acho fundamental a escolha de cada uma. Mas, na mesma medida, o silêncio é fundamental. A presença e a ausência delas, as tais palavras, significam muito. E quando algo é muito grande, acho natural que elas simplesmente sintam dificuldade de sair.

    Como bem se diz por aí, tudo a seu tempo. Tem horas que não queremos saber disso, mas é o que há.

    Beijos gigantes e tudo de bom para ti. E se posso te dar um conselho… extravasa. Do jeito que for. Pela arte – acho que é o momento -, pelo silêncio, pelas palavras… você saberá o melhor jeito. Na pura intuição. Fique bem!

  3. Oi Bianca

    Demorou mas escreveu. Fiquei até preocupada.
    Eu como já estou próximo dos 47 anos já tô encarando outros “problemas” ou os mesmos mas com uma paciencia de Jó.
    Beijos

    Marianne

  4. Putz, Marianne, como o tempo passa! Paciência para ti. E, pelo menos, o último parágrafo é uma constante verdade: você é magra! 🙂

    Besitos

  5. Bianca, não te conheço como artista plástica, mas você manda muito bem escrevendo. Keep posting!!!

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