Parece mas não é

Eram três muçulmanos, um judeu, uma argentina e dois brasileiros…

 

Não, não é um início de piada, foi um jantar aqui em casa ontem, juro! Dois egípcios, um marroquino, um israelense, uma argentina, Luiz e eu. E que ninguém reclame que não faço minha parte pela paz mundial! Tá bom ou quer mais? Acho que só faltou um americano republicano e um cubano castrista.

 

Começou assim, havia uma dessas reuniões de negócios da empresa do Luiz que vem gente dos quatro cantos do mundo. Entre essas pessoas, o amigo egípicio que mora em Dubai e foi um super anfitrião, junto com sua esposa, quando estivemos por lá. Falei com Luiz, puxa queria chamá-lo para um jantar e retribuir um pouco do que eles fizeram por nós. Luiz respondeu que para chamar esse amigo, seria melhor chamar outros dois que trabalham juntos, os três são muçulmanos, tem problema para você três pessoas? Para mim nenhum, inclusive é um bom momento, porque estão em mês de Ramadan e não tenho nada parecido no meu currículo de recepções.

 

Explicando leiga e rapidamente o que é Ramandan, é o mês mais importante do calendário islâmico. Os muçulmanos passam todo o dia em jejum, comida e água, até às 19:30. Depois disso, fazem uma refeição abundante. Isso se repete durante todo o mês. A intenção é criar uma empatia com as pessoas miseráveis que não tem o que comer ou beber, para que você saiba o que elas sentem. Na hora do jantar, é o oposto, você celebra com fartura. Além disso, também é um mês de caridade e é comum que se ofereçam essas ceias às pessoas desfavorecidas. Acho um ritual bonito de confraternização.

 

Enfim, daí fui pesquisar comidas para uma ceia de Ramadan, o que não achei especificamente, mas tinha uma idéia de algo parecido. Francamente, fui fazer na maior boa vontade. Sempre há um pouco de preocupação se não estaria quebrando alguma regra, mas por outro lado, pensei, eles estão acostumados a viajar e conhecer outras culturas, sabem que não somos muçulmanos, não acredito que a gente possa fazer nada tão ofensivo. O curioso é que Luiz também tem a maior pinta de “brimo”, juntando com mais três, na pior das hipóteses, os vizinhos olhariam pela janela e pensariam que era uma reunião da Al-Qaeda. Com certeza, ninguém reclamaria se a música estivesse meio alta.

 

Daqui a pouco me liga Luiz, escuta, queria chamar mais um amigo para o jantar, pode ser? Entre nós, já imaginava que poderia vir mais gente e estava mais ou menos engrenada, claro que pode. Quando ele me disse quem era, pensei, mas esse é judeu. Inclusive, também foi outro grande anfitrião para o Luiz quando foi por sua primeira vez a Israel. Bom, quer saber, isso é bobagem, todos eles trabalham juntos, já se conhecem, não tem nenhum problema. Era simplesmente uma mescla curiosa, mas para quem nasceu carioca e conheceu o “Sahara” no centro do Rio, isso era fichinha.

 

Lá fui eu “to google” para ver se estava cometendo algum equívoco mais sério no cardápio. Tudo sob controle!

 

Passa mais um tempinho… Bi, pode mais uma pessoa? E eu, pode, mas por favor me diz que é uma mulher, porque é muita testosterona para o meu gênero! Era uma mulher, também do time. Na verdade, até já tem um tempo que Luiz queria convidá-la para ir lá em casa.

 

Quando desliguei o telefone, lembrei que ela era argentina. Tive que parar e fiquei rindo sozinha. Espera aí, muçulmano com judeu, argentina com brasileiro, isso está ficando com cara de piada! Acho que foi em uma reunião assim onde surgiu o ditado que não se discute religião nem futebol!

 

Quanto às comidas, resolvi fazer várias entradas menores, distribuídas na enorme mesa de centro que temos em casa. Pastinha de iogurt com pepino, catupiry, bolinho de bacalhau, salada de pepino, tabule, azeitonas, pães variados, inclusive pão árabe, coquetel de castanhas, nozes e amêndoas. De prato principal, kibe de bandeja, costeleta de cordeiro com cebola, batatas com pimentão, arroz branco e salada de folhas verdes. Como sobremesa, queijo com geléia e chocolates que os convidados trouxeram. Ia servir maçã com mel e sorvete, mas já havia muita coisa. Tive o cuidado de não temperar nada com bebida alcoólica e ter bom estoque de sucos de frutas e refrigerantes. Música brasileira no fundo.

 

Como foi? Ótimo! Um jantar normal, com gente normal, educada e civilizada! Gente boa e simpática. Até meu gato, que é um tremendo antisocial, ficou passeando pela sala tranquilo e não parava de se exibir.

 

Salam Aleikum, Shalom e à demain! Fui!

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