Outono com inferno astral

Só falta a TPM…

 

Não tenho nada contra o outono, na verdade, como temperatura é até bem agradável. No início é um refresco e acho bonito as folhas avermelharem, mas logo em seguida as mesmas folhas vão caindo junto com a temperatura e a luz. Fico um pouco melancólica.

 

Quando chega a tarde, ainda posso abrir as janelas da varanda minúscula. Meu gato fica ansioso esperando esse momento e se posiciona na direção dos raios de sol, como se soubesse que em breve ficará uns três meses sem esse luxo exterior. Talvez ele saiba, animais são muito espertos.

 

Ano passado tive sorte e a deprê de inverno passou longe. Em compensação, esse ano já sinto seus sintomas antecipados, preciso me cuidar. Ainda por cima, parei por um tempo de tomar a melatonina, porque já estava perdendo o efeito, e meu sono está piorando gradativamente. Fiz isso no início do outono, justamente para estar ajustada quando chegasse o inverno, mas nem sempre podemos controlar todas as variáveis.

 

Dias pesados e difícieis de passar. Francamente, sem um motivo real para isso, tenho me divertido. O que também é um sintoma, vou do completo desânimo à total euforia em um minuto.

 

Ontem cheguei a sair ligando para a família, será que era intuição? Saudade do meu avô que se foi, liguei para o que está vivo, mensagem da minha prima, falei com minha mãe. Aparentemente, tudo sob certa normalidade. Um problema aqui, outro ali, dessa vez mais para o lado do Luiz do que para o meu, parte da vida.

 

E, bosta, não dá para andar do jeito que quero! No sábado abusei, andei 5 km, dancei a noite toda e voltei a pé os mesmos cinco. No dia seguinte pela manhã, após 10 km de caminhada e horas em pé ou na balada, as bolhas me lembraram que ainda estão lá e, apesar de não sentir mais dor, não posso correr o risco delas abrirem outra vez. Resultado, menos endorfina na cuca.

 

Bom, também não quero ficar de hiena reclamante, não é que a coisa vá mal, pelo contrário. Na quarta-feira, encontramos amigos. A amiga que trabalha no restaurante onde fomos nos trouxe balões inflados com gás hélio, de farra. Lógico que não resisti a tentação de respirar o hélio para falar e cantar engraçado, o que acabou se extendendo para outras pessoas. É irresistível! Não voltamos tão tarde porque era dia de semana e, óbvio, sem caminhar. Quase chegando em casa, passamos na porta do Fogón de Trifon e fomos sugados para dentro, onde nos ofereceram uma última copa.

 

Ontem teve uma coisa legal, era dia do coral e sabia que isso iria acabar me animando. Até o último minuto, sofri a tentação do que-se-foda, vou calçar minhas botas e ir caminhando assim mesmo. O pouco juízo que me resta, aliado a impossibilidade de colar um curativo nos digníssimos calcanhares, me fizeram retroceder e fui de metrô.

 

Cassilda! Que coisa estranha, foi totalmente claustrofóbico! E eu sempre andei de metrô numa boa aqui, achava a coisa mais prática do mundo, principalmente pela minha falta de saco em voltar a dirigir. Mas ontem, fui achando todo mundo feio e mareando quando via as letras descrevendo as estações ganharem velocidade até virarem uma linha contínua. Quando finalmente entrou um acordeón para pedir dinheiro, queria cortar os pulsos! O bom é que saltava na próxima parada.

 

Tudo bem, cheguei cedo na aula com aquela cara meio de nádegas, mas otimista. Ontem foi um tipo de entrevista individual para definir que tipo é sua voz. Sinceramente, não tinha a menor noção de qual era a minha. Sou completamente crua nisso. Acho que não fui tão mal, ou a professora foi gentil comigo para não desanimar. Prefiro acreditar na primeira hipótese. E, a propósito, sou mezzo soprano e Luiz está entre um barítono e tenor. Assim soa muito mais profissional, né não?

 

Aos poucos, fui relaxando e tenho a sensação que era geral. Eu realmente sinto que houve alguns progressos, apesar de poucas aulas. Não tenho grandes pretenções, mas queria fazer bem feito.

 

O curioso é que essa mesma professora, que obviamente é cantora, fará uma apresentação em um bar, agora em novembro, e chamou o grupo para dar uma canja em seu show. Imagina isso? É óbvio que só de pensar dá dor de barriga, mas como é que a gente vai perder uma oportunidade assim? O show é dela, assim como o risco, é só uma palhinha em grupo, mas para mim, que nem no chuveiro cantava, porque afinal de contas os vizinhos iam escutar, é um grande passo para a humanidade!

 

E assim passam os dias, me arrastando para levantar em um humor, no mínimo, questionável, mas pouco a pouco me animando. Vai ver é meu inferno astral, o que apesar de vir junto à uruca, também me lembra que está chegando meu aniversário. E uma festinha não é nada mal…

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