Entre boas e más notícias

Temos recebido muitos amigos em casa. Luiz já pode sair, mas não estamos saindo muito, assim que os amigos mesmo ligam perguntando se podem passar por aqui e a coisa às vezes acaba virando quase uma festa.

 

Chegou de férias do Brasil uma amigona nossa, sempre saímos juntas e, quase em paralelo, também de visitas a Madri um casal de amigos que adoramos, moraram aqui por um ano e voltaram para o Rio. Enfim, esse casal ligou perguntando se podia passar aqui em casa, claro que sim. Chamamos também essa outra amiga e outros amigos que foram ligando.

 

Muito bem, por volta dàs quatro da tarde, começamos a tomar um vinhozinho, ou melhor ótimos vinhos, e a reunião foi crescendo. No fim da tarde, chegou um outro amigão que faz um super pudim e perguntou se não queríamos ir ao show do Armandinho. Sim, o Armandinho de Dodô e Osmar está em Madri. Topamos.

 

Pouco antes de sairmos para o show, chega uma correspondência registrada para mim. Achei estranho, mas assim que vi o envelope entendi do que se tratava. Há mais ou menos quatro meses, dei entrada no pedido de visto de trabalho, uma longa história. Enfim era a resposta. Abri o envelope brincando e dizendo que tinha mais um motivo para beber, para comemorar ou para esquecer. A verdade é que não tinha um bom presságio. A resposta foi negativa, me negaram o visto de trabalho e fiquei bem aborrecida. Luiz ainda leu em voz alta as piores partes o que me irritou um pouco mais. Fica todo mundo com aquela cara de nádegas, tentando te animar e eu com aquela vontade de xingar todos os palavrões que conheço. O que fazer? Amigos em casa, tudo certo para sair, segurei minha onda e prossegui com a noite.

 

Ali tomei uma decisão séria. Não tinha vontade de conversar sobre isso. Mais tarde, quando Luiz e eu chegássemos em casa ele saberia.

 

Fomos para o show, chegamos em cima da hora, mas ainda estava vazio. As coisas aqui sempre atrasam muito. Nosso amigo conseguiu uma mesa bem na frente do palco, para umas dez pessoas. Pedi uma dose de whisky cavalar, que se repetiu depois. Queria mesmo chutar o balde.

 

Nossa amiga cantora também foi e o mesmo baterista que tocou conosco no show do Cartola foi tocar com o Armandinho. Até me senti meio profissional e enturmada.

 

Resumo da ópera, um dos melhores shows que fui na vida, um privilégio! Ele é muito bom e arrebentou! Os outros músicos não ficavam atrás, mas a estrela era definitivamente o Armandinho.

 

Cheio de brasileiros na casa, na hora que tocou “vassourinha” foi impossível para qualquer mortal ficar sentado. Até trenzinho rolou! Uma farra! Fiquei com vontade de voltar no dia seguinte. Quando acabou o show, a casa abriu a pista e aproveitei para terminar de soltar a franga dançando. Conhecemos o próprio Armandinho e os outros músicos, todos muito simpáticos.

 

Voltamos para casa dividindo um taxi com mais dois amigos. Vim calada, ainda tínhamos um assunto pendente. Quando saltei sozinha com Luiz, disse o que ele já deveria desconfiar.

 

Só fico em Madri até o ano que vem. Não posso continuar assim, para mim chega. Ele me apoiou, como sempre, e isso ajuda muito. Ainda não sei o que fazer, não sei se quero voltar ao Brasil, há outras possibilidades, mas sei que aqui não quero mais. Cansei.

 

Desse fim de semana infernal, prefiro guardar a parte boa, o encontro com os amigos e o som da guitarra baiana do Armandinho. O resto está resolvido e é só uma questão de tempo.

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