51 – Taking a walk on the wild side

Na quarta-feira, recebemos visitas. Um casal de amigos franceses que adoramos. Não me lembro mais se já contei essa história, mas nos conhecemos de maneira curiosa. Luiz foi fazer um treinamento na Inglaterra, em uma cidadezinha meio afastada de Londres. Morávamos no Brasil nessa época e acabei indo com ele.

 

Na minha memória, levava quase duas horas para que conseguisse chegar em algum lugar razoável em Londres, de maneira que no terceiro dia da viagem, estava cortando os pulsos de tédio. Nosso vôo fazia escala em Paris, portanto decidi voltar para França mais cedo, mesmo sozinha, e aproveitar o resto do tempo por lá.

 

Nisso, Luiz fez amizade com um francês no seu curso e contando essa história para ele, o outro respondeu que sua esposa estava em Paris, um pouco entediada também, porque acabavam de voltar a morar por lá e ela ainda não estava trabalhando. Ele deu o telefone da esposa e Luiz me repassou, pedindo que ligasse para ela.

 

Liguei por educação, imaginei que uma francesa que nunca tinha me visto na vida não ia querer sair comigo. Aquilo era armação de marido. Mas o fato é que nos encontramos e foi amizade instantânea. Chegamos inclusive a frequentar uma aula de desenho com modelo vivo, o que considerando que ela é veterinária, foi bastante inesperado.

 

Luiz se tornou grande amigo do marido e eu grande amiga da esposa, mas não nos encontramos os dois casais juntos. Levou quase um ano para que nos encontrássemos todos de uma vez, em Paris. Daí por diante, sempre mantivemos contato, ficamos duas vezes hospedados com eles.

 

Já os havia convidado antes, mas ao longo do tempo, eles tiveram dois filhos e até então, complicava um pouco para viajar. Agora é menos complicado, pois o mais velho tem quase 6 anos e a mais nova uns 3. O menino, cheguei a conhecer por volta dos 3 anos e era um docinho. De maneira, que ao saber que estariam pela Espanha no fim de julho, pensei, por que não convidá-los? O apartamento comporta, a gente gosta deles, que tal dar uma voltinha no lado selvagem da vida?

 

Eles toparam. Quando avisei ao Luiz que teríamos duas crianças em casa, senti um suspiro contido de medo, mas logo se dispersou. A verdade é que ele, como eu, acreditamos que não há criança mal educada, e sim pais mal educados. Pelo que conhecíamos do casal e do menininho mais novo, achamos que valia o risco.

 

E valeu. As crianças não atrapalharam absolutamente nada, no fundo, até achei bem legal.

 

É uma rotina diferente, a cada saída de casa há um milhão de detalhes, entre carrinhos, brinquedos, água, chapéus… Conheci Madri por outro ângulo, o de quem tem filhos.

 

Fomos caminhar no centro da cidade na quinta-feira pela manhã e é um local meio difícil para ir de carro, portanto fomos de metrô. Muda o tempo para chegar até a estação, porque as crianças tem o passo menor. Ali precisava descobrir por onde passava o carrinho e a partir de que idade se pagava passagem. A propósito, se paga passagem a partir dos 4 anos, mas eles são razoavelmente tolerantes em relação a isso. Se a criança tiver tamanho para passar com você na roleta, eles fazem vista grossa. O carrinho passa por um portão lateral. Mas não é só isso, tem uma escadaria danada dentro da estação, coisa que nunca tinha prestado muita atenção até esse momento. Num instante você trata de descobrir onde raios é o elevador, se é que há algum, coisa que nem sempre acontece. Quando não tem, um pega o carrinho pela parte de cima e outro pela parte de baixo. Às vezes a mãe está sozinha e alguma voluntária, que normalmente é mulher, se oferece para ajudar.

 

Isso tenho que reconhecer, as pessoas me pareceram solidárias com quem tem filhos. Vou dar outro exemplo, temos só uma vaga na garagem. Luiz cedeu essa vaga para nossos amigos, até porque o carro precisa ser grande e sempre vai carregado de coisas. Nossa vizinha, reparou que o carro era diferente e certamente viu o carrinho de criança que ficou do lado de fora, no corredor do elevador, coisa que ela também faz de vez em quando. No dia seguinte, pela manhã, havia um bilhete embaixo da nossa porta avisando que eles saíram de férias e que se quiséssemos, podíamos usar a vaga deles na garagem. Achei muito gentil e tenho certeza que boa parte dessa amabilidade foi por empatia. Eles tem duas meninas e devem saber a complicação que é sair com crianças.

 

Mas se por um lado é complicado o transporte, durante o passeio é bem normal, só muda mesmo os tempos.

 

Na quinta-feira à noite, tínhamos aula de percussão e não queríamos faltar. É um curso intensivo que estamos fazendo durante o mês de julho. Talvez a gente continue depois, espero que sim porque estou adorando, mas voltando ao assunto, levamos o casal e as crianças conosco para assistir. Apesar do nosso mico, acho que eles gostaram.

 

Em casa, também foi bem tranquilo e muitas vezes engraçado. A menina ficou enlouquecida com meu gato, que como um típico felino, não gostou tanto assim do interesse. Mas ao mesmo tempo, ela era bastante doce e não o assustava. Ela  ia atrás dele incansável bem devagar e ele fugia na mesma velocidade, uma perseguição em loop e câmera lenta.

 

O menino, já maiorzinho, se encantou com o Wii, que é realmente hipnótico. Mas ao mesmo tempo, também não ficava obcecado, ponto para os pais. Ele adora ler, o que achei o máximo. Muito bonitinho quando ele lê para a irmã, que presta a maior atenção.

 

Na sexta-feira, aproveitamos o pretexto e montamos a piscina no terraço. A proprietária do apartamento deixou uma piscina, dessas de lona para crianças. Finalmente, tínhamos a perfeita desculpa para montá-la. Até que é bem grandinha, melhor do que as que existiam no meu tempo. As crianças adoraram e, admito, que nós adultos também. Foi legal aproveitar o ar livre e jantávamos lá por cima mesmo. Fizemos churrasco, logo após às 20:00 horas, quando a temperatura fica mais amena.

 

No sábado à tarde, fomos almoçar em Patones de Arriba. Um vilarejo de pedra com uma história bem interessante, que já contei por aqui. Na época da invasão francesa, foi o único povoado espanhol que não se rendeu. O motivo foi o mais curioso, as tropas de Napoleão nunca sequer encontraram o vilarejo escondido nas montanhas. Mas enfim, hoje em dia é um lugar gostoso para ir almoçar. Gosto muito de um restaurante chamado El Poleo, para onde levamos nossos amigos.

 

A idéia inicial era de lá passear em Pedraza, outra cidadezinha, mas o calor não estava cooperando muito. Achamos melhor voltar para casa, fazer uma siesta básica e depois ir para piscina. Acabamos fazendo outro churrasco, o que não foi nada mal.

 

No domingo, pela manhã, eles se foram. Passou voando. Acredite se quiser, mas na segunda-feira, bem que senti falta dos passinhos pequenos e risadinhas entrando no meu quarto devagar para ver se tinha acordado, e da gargalhada dupla quando abria um olho só e dizia, cuco! Bonjour!

 

4 comentários em “51 – Taking a walk on the wild side”

  1. Que máximo!

    Amei os passinhos pequenos e as risadas contidas entrando no seu quarto… e a sua resposta, então… a melhor!

    Beijossssssss e vou dormir que estou morta. hehehehehehe

  2. hehehehe… com certeza! Já já vocês estarão passeando pelo wild side! E eu vou esperar para ler no Iacobus!

    Besitos

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