Carnaval para inglês ver…

Nesse caso, literalmente!

Gente, não adianta, carnaval é no Brasil e pronto. Em Londres, ninguém nem tomou conhecimento do assunto! Para começar, o deles é como em Nova Orleans, em agosto.

Mas vamos lá, porque brasileiro se espalha, né? E a cidade é super cosmopolita, assim que você sempre pode encontrar algo próximo ao que chamamos de carnaval por aqui. Mas nada de feriado, é vida normal e corrente.

É importante manter as expectativas do tamanho certo. Provavelmente, o máximo que costuma acontecer são festas com músicas brasileiras, no sábado de carnaval. Eventualmente, pode até ter algum desfile menor, talvez algo em Notting Hill, alguma coisa em Clapham ou Willesden Green… mas ainda não vi nada tão oficial. Ou seja, já me preparo psicologicamente para me conformar com um sábadozinho e olhe lá!

No ano passado, fui ao Brasil nessa época. Certamente, um dos melhores carnavais da minha vida, contei por aqui. Modéstia às favas, desfilei tocando meu surdo com o Monobloco em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Também foi um momento importante de ritual de passagem e despedida do país. Enfim, foi muito bacana!

Esse ano, tem várias coisas acontecendo em paralelo pelas bandas de cá e a menor possibilidade (honestamente nem vontade) de ir ao Brasil tão cedo! Por isso, como disse, não estava esperando nada, até evitava olhar as fotos dos amigos batuqueiros no Instagram para não dar saudade (porque ver e ouvir a bateria de tão longe dói um pouco).

Daí pelo meio da semana, me chama uma amiga baiana, e aí, vamos numa festa de carnaval no sábado? Igualzinho a perguntar se macaco quer banana… É claro que eu quero! Então, lá fomos nós em um grupo de umas 7 pessoas, Luiz de bendito é o fruto entre as mulheres!

A tal festa foi em um bar chamado Jerusalem. Confesso que fiquei um pouco cismada em ir pular carnaval em um bar com esse nome… será que ia parar em uma festa kosher? Ou crente? Mas, brincadeiras à parte, descobrimos que o bar leva esse nome como uma tentativa pacífica de congregar diferentes culturas e opiniões. Achei a história bonitinha e fez mais sentido celebrarem um carnaval brazuca. O bar é legal também.

Chegamos cedo, na tentativa de pegar uma mesa e garantir certo conforto e, principalmente, o espaço vital do Luiz. Funcionou bem, conseguimos uma mesa ótima! Atendimento simpático… as músicas começaram mais tranquilas… e, aos poucos, o pessoal falando português começou a encher o local. Minha amiga chegou, com mais quatro meninas que eu não conhecia… … animadas… a música foi esquentando… dancei pacas, até Luiz se empolgou, fazia um tempinho que não dançávamos tanto juntos… e sabe que foi muito bom!

Só não ficamos até o final porque não queríamos perder o transporte público. Para vir de metrô, a gente precisava sair por volta da meia noite. Muita gente não gosta desses últimos horários de metrô ou de trem, porque fica cheio de, digamos assim, pessoas um pouco mais etilizadas (não, não quis dizer elitizadas, é sobre o patamar etílico mesmo!). Eu adoro! Acho divertido!

Juro que nem tentei fazer amizade com ninguém, vim bem comportadinha porque Luiz estava muito legal nessa noite. Aliás, ando comportadíssima! Durante toda a festa, a única “estranha” que conversei foi a noiva de uma despedida de solteira, dei conselhos para a vida sexual dela, mas foi ela que perguntou…

Enfim, voltando ao metrô (comportadinha, sem puxar papo com ninguém, lembra?), conversando com o Luiz, escuto em português do brasil, desculpa me intrometer, mas vocês estavam em uma festa de carnaval, né? Tem carnaval aqui ? Sentado ao meu lado, vinha um rapaz que havia chegado há pouco tempo em Londres e queria algumas dicas. Viu? Nem sempre sou eu que provoco. Nem convidei para uma festa em casa! Porque, não deu tempo…

E, pronto, acabou a história! Chegamos e dormimos. Não avisei que o carnaval aqui era meio sem graça?