Londres – Paris – São Paulo

A saída de Londres foi conturbada. Acordamos às 3 da matina, com os gatos desconfiadíssimos! Colocá-los dentro das bolsas de transporte foi um parto de mamute, com direito a Phoenix se enfiar pela chaminé tentando fugir!

Luiz conseguiu agarrar sua perna e puxava para baixo. Enfiei minha mão, por dentro do buraco da chaminé para bloquear a passagem e empurrava desde cima. Com um certo custo, conseguimos arrancar a gata lá de dentro, cheia de cinzas e assustada, coitada! E nós meio arranhados, mas menos mal. Imagina se essa gata sobe? A viagem tinha ido para o saco! Paciência, nessas horas encorporo o espírito “I’m a woman in a mission” e não paro para pensar nem para reclamar, é do jeito que dá e pronto!

Fomos com tempo para o aeroporto, até porque precisávamos despachar tudo e passar pelos controles com dois felinos. Foi melhor do que imaginávamos, eles tem uma salinha separada para tirar os gatos da bolsa e passar tudo pelo raio-X. Ok, primeira parte superada!

Nós tínhamos que fazer uma conexão em Paris. A Air France era a única companhia aérea que aceitava nossos gatos viajarem dentro da cabine conosco. Sempre tem aquela preocupação que o vôo não atrase e que a gente consiga pegar o seguinte. E claro que tivemos que passar por outro controle antes de embarcar, dessa vez, sem salinha. Quer saber, Luiz, passamos pelo raio-X com os gatos dentro da bolsa mesmo! Vale como uma radiografia!

Foi meio corrido, chegamos no avião seguinte com meio palmo de língua para fora, mas chegamos!

Daí para frente, foi mais tranquilo. Uma vez no avião para o Brasil, sabia que a gente ia chegar e os gatos poderiam até reclamar um pouco, mas daríamos nosso jeito. Cobrimos as bolsas de transporte, no escuro eles se sentem mais protegidos, e fomos com eles no nosso colo. Se comportaram muito bem! Só quando pousamos, Wolverine não aguentou mais e fez xixi na bolsa mesmo, que felizmente estava protegida com material absorvente. Ele não devia estar tão confortável, mas ninguém notou e já estávamos no final.

Fomos esperar as malas, torcendo para chegar tudo logo, afinal estávamos mortinhos e os gatos deviam estar famintos, com sede etc.

Muito bem, havíamos feito toda a documentação necessária para os felinos entrarem no Brasil sem problemas, mas seguro morreu de velho. Do Brasil para Atlanta, nós fomos declarar os gatos e ninguém deu a menor bola. De Atlanta para Madri, entrei com a bolsa no ombro olhando para o horizonte e ninguém me perguntou nada. Quer saber? Vou me fazer de morta e não vou declarar coisa nenhuma, se alguém me perguntar, mostramos os documentos.

Luiz, todo caxias e acostumado a viver no exterior, me dizia, mas a gente tem que passar em “mercadorias a declarar”! Se a gente não fizer isso, pode dar problema porque mentimos! Olho para ele com aquela cara de Garfield: se alguém reclamar, estou trazendo gatos, não mercadorias! Não vou declarar e pronto! Fui na frente empurrando um carrinho com duas malas e a bolsa do gato no ombro; ele atrás de mim, igualzinho. Na hora de passar no portão, com a postura de não tenho nada a esconder, olho bem no rosto do responsável, afinal, enquanto ele me olha nos olhos, não olha para minha bolsa, certo? Ele segue fazendo sinal para que eu siga. E Luiz atrás no meu vácuo!

Sim, estávamos totalmente legalizados, mas já imaginou se a gente entra no lugar de mercadorias a declarar e o povo inventa de revistar mala, o caramba… e os gatos ali com fome e sede! Fora que não iam encontrar nada de irregular e era capaz de começarem a buscar pelo em ovo!

Enfim, saímos rapidinho, nenhum problema! Eu me sentindo vitoriosa, te falei que ninguém ia perguntar nada! Sem dizer que foi um alívio pisar em terra firme, com tudo certo, os gatos e as malas!

Estava exausta! Mas tentando me animar, manter o bom humor e ver o lado positivo de chegar ao Brasil. Estava difícil, no colo gatos assustados, e do meu lado, Luiz emburrado, com uma inflamação super forte na garganta, precisando ir para um hospital! Sério assim de cara?

Chegamos no flat e toca a tentar acomodar malas, a gente, os gatos… enquanto Luiz pega um taxi e vai buscar o atendimento de emergência mais próximo. Não demorou tanto, voltou medicado. Gatos acomodados, malas desfeitas e empurradas para a varanda. Despenquei na cama como um tronco de árvore e acho que devo ter acordado na manhã seguinte na mesma posição!

Estou aqui! Cheguei! Preciso fazer com que isso dê certo, porque precisa dar.

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