Chegando ao fim da saga!

Só havia se passado 10 dias e parecia que estávamos fora há uma vida! Chegou a hora de atravessar a fronteira novamente no caminho inverso e tomar o rumo a Madri.

 

Acordamos tardíssimo nesse dia, assim, umas oito da manhã! Tomamos café, nos despedimos do gerente do acampamento em Wadi Rum e pegamos a estrada em direção a Aqaba.

 

É estranho quando você está chegando na cidade, porque como vem de uma região mais alta, vê Aqaba, o mar vermelho e Eilat por detrás. O contraste é gigante! Estão coladas, cortadas por uma linha divisória fina e ao mesmo tempo totalmente diferentes!

 

Deve ser parecido quando os gringos chegam ao Rio e se deparam com o morro e o asfalto lado a lado, a tensão que, por conviver a cada dia, não lembra mais o quanto é tensa, nem percebe quão bruto é o contraste.

 

Deixamos o carro na locadora e um dos atendentes nos deu uma carona até a fronteira com Eilat. Luiz todo estressado com medo de não passar!

 

Fizemos todos os controles, assim como na ida, nem mais nem menos. Cruzamos a fronteira a pé e ainda demos sorte de haver um taxi do lado israelense disponível, nem tivemos que esperar.

 

Nosso vôo era só no fim do dia, porque quando marcamos não tínhamos idéia do quanto seria fácil ou difícil a trajetória da volta. Acontece que tudo acabou sendo mais simples do que pensamos e chegamos cedo para burro no aeroporto.

 

Pensamos em guardar as malas ali e sair para passear na cidade. Nem lembramos que com a possibilidade de atentados, não existe um lugar para você deixar sua bagagem! Seria o ponto perfeito para se deixar um explosivo, por exemplo. Além do mais, o aeroporto é minúsculo, até um pouco confuso.

 

Lá fomos nós tentar embarcar mais cedo, mas antes… claro que havia um controle de segurança. Tudo bem que é necessário e tal, mas para ser sincera, começava a me encher o saco.

 

Dessa vez, ainda tínhamos o carimbo da Jordânia no passaporte para enriquecer o diálogo com o agente!

 

_ Tá vindo da onde tá indo para onde? Blá, blá, blá…Para que time torce? O que foram fazer na Jordânia?

_ Visitar Petra.

_ Conheceram alguém durante a viagem?

_ (Veja bem meu amigo, você sabe quem está entrevistando? Eu falo com deus e o mundo!) Só gente do hotel…

_ Receberam algum presente ou encomenda de alguém?

_ Não! (Bom, eu ganhei uma pedra de uma nômade, mas acho que isso não conta, né?)

_ Compraram alguma coisa?

_ Sim, os lenços de colocar na cabeça!

_ Algum motivo religioso?

_ Não, acho bonito e protege do sol.

_ Vocês entendem que estamos fazendo essas perguntas porque estamos sob ameaça de bomba e podem ter utilizado vocês?

_ (Glup!) Entendo, pode perguntar à vontade.

_ Ok, boa viagem!

 

Depois desse controle, fomos ao balcão entrar em uma fila de espera e tentar um vôo mais cedo. É como uma ponte aérea e achamos que tínhamos boas chances de conseguir.

 

Esperança que foi diminuindo à medida que o tempo foi passando e o aeroporto não parava de encher!

 

Sentados, esperando, conhecemos o casal que estava ao lado, ele era brasileiro, maior coincidência. Até que queria conversar mais, mas a essa altura, você fica tão paranóico que alguém pode estar te observando que se restringe ao limite da educação. Logo chegou a hora do vôo deles e nos despedimos.

 

Luiz ia pedir informações no balcão de tempos em tempos. Em um desses intervalos, um rapazinho com uma mala grande me pediu se podia vigiar a mala dele enquanto ele ia não sei onde. Desculpa amigo, mas não vai rolar nem a pau Juvenal! Ele franziu o rosto, mas não se queixou, saiu com sua mala. Desconfio que era um policial disfarçado me testando.

 

Aliás, no meio dessa muvuca, fica passando alguns agentes, checam atrás dos painéis e cantos do aeroporto, procuram bombas. Se existe alguma mala um pouco afastada de alguém, perguntam de quem é. E se não há um dono, isolam a área e explodem a bolsa. Felizmente, não presenciamos esse fato.

 

Enfim, quando já estávamos desanimando, escutamos nosso nome! Conseguiram nos encaixar em um vôo mais cedo! Lá vamos nós!

 

Mas antes, claro, novo controle na hora de ir para a sala de embarque! Uma coisa me chamou a atenção positivamente, eles não barram as garrafas de água nesses controles de segurança. A água é muito preciosa para você jogar fora.

 

É curioso porque esse aeroporto é bem pequeno e simples. No salão de embarque chegam a complementar os assentos com cadeiras de plástico, dessas de praia. Gente saindo pelo ladrão, parece uma estação rodoviária! A rodoviária mais segura do mundo!

 

Embarcamos em um avião daqueles pequenos e balançantes. Mas não sei, talvez pela quantidade de coisas que havíamos passado nos últimos dias, incluindo um passeio de balão pelo deserto, me pareceu fichinha! Nenhum sinal de medo ou vertigem.

 

Chegamos bem a Tel Aviv. Tomei um banho caprichado e lavei meus enormes cabelos, coisa que em Wadi Rum seria bastante complicado.

 

À noite, saímos com o casal de amigos israelenses para jantar e nos despedir. Nos levaram ao Porto, em Old Jaffa. Um lugar agradável, em frente a uma marina de pescadores. A música ao vivo era um pouco mais pesada do que nós quatro esperávamos, mas incomodou mais a eles do que a nós.

 

Manhã seguinte, aeroporto internacional para pegarmos o vôo para Madri. No caminho, um taxista completamente tarado por futebol! Muito simpático e, quando viu que Luiz levava uma camisa do Brasil, a única que ainda estava limpa, ficou todo empolgado e engatou na conversa. Ficou feliz quando dissemos que nos sentimos em casa na cidade e que a praia lembrava bastante as praias do Rio (o que é a mais pura verdade!).

 

Antes de entrar no aeroporto, advinha o que tem? Controle de segurança é claro! Nem falamos nada, o próprio taxista que se comunicou com o guarda. Mas já abri as janelas logo para eles olharem para a gente e adiantar a história. Foi rápido.

 

Na entrada do aeroporto, tem controle novamente, mas é aleatório, não pediram para a gente parar. Achei interessante os avisos de proibições na porta. Não podia fumar, não podia levar animais, nem armas. Achei que cigarros, cachorros e armas não deveriam estar na mesma categoria, mas enfim…

 

Lá fomos nós para a fila do check in e… mais um controle!

 

_ Tá vindo da onde, tá indo para onde, para que time torce? Falou com alguém, conhece alguém… blá, blá, blá…

 

Passamos pelo raio X, dessa vez a mala do Luiz foi aprovada direto e a minha não, precisava abrir. Fiquei pensando o que raios eu tinha na mala que poderia levantar suspeita? Os carregadores de celular?

 

O que levantou suspeita foi um livro! Ela me perguntou se eu tinha um livro na mala. Eu pensei que tivesse entendido errado. Ao invés de responder já abri logo a mala para ela olhar o que quisesse e encurtar o caminho.

 

Ela queria realmente saber do livro. Que por acaso era um guia da Jordânia. Me perguntou onde havia comprado, respondi que no aeroporto de Madri. No mesmo segundo ela perdeu o interesse e disse que podia fechar a mala.

 

Muito bem, finalmente, fizemos o check in. Agora era ir para o salão de embarque!

 

Mas antes… outro controle! Taquiupariu lá longe! Lá vamos nós outra vez, mais uma vez, de novo! Uma fila do caramba, pelo menos não foi tão demorado.

 

Lá dentro é legal, bem grande e com boas opções de lojas e de onde comer. Comprei um vestido maravilhoso da Michal Negrin! Nunca me imaginei comprando roupa em aeroporto, mas não é que me encantei pela loja?

 

O vôo da volta foi tranquilo, voltamos em uma segunda-feira, o avião vazio que deu para nos espalharmos pelas poltronas livres.

 

Confesso que chegar em Madri foi um certo alívio. Mostrar meu passaporte espanhol e simplesmente passar direto! Sem filas, sem perguntas, sem stress! A mesma sensação que tinha antes quando mostrava meu passaporte brasileiro no Brasil, de ser reconhecida, como se estivesse usando um crachá ou soubesse a senha de entrada!

 

Não sei por quanto tempo, mas é bom sentir essa sensação de chegar em casa, independente de onde ela seja. Nem sempre a tenho, nem sempre terei, mas hoje sim.

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