Dia nublado

Segunda-feira, 2 de maio de 2011, feriado. Aqui na Espanha, o dia do trabalho é dia primeiro, igual ao Brasil. Eu achava que havia sido transferido para o dia seguinte por cair em um domingo, mas segundo um dos meus leitores, eles não fazem isso aqui, é feriado por ser dia da comunidade de Madri.

Muito bem, acordei assustada quando olhei o relógio marcando quase 10 da manhã e Luiz ainda do meu lado: você perdeu a hora, não vai trabalhar? Não, era feriado, havia me esquecido completamente.

Fiquei fazendo hora na cama até escutar a voz do Luiz vindo do quarto do computador dizendo que o Bin Laden morreu!

A notícia me pegou meio de surpresa e levei algumas horas até absorver. É daquelas notícias que você não sabe se deve se sentir aliviada ou se assustar mais. O mundo árabe (se é que podemos considerar toda essa unidade) anda muito estranho. Atualmente, depois de conhecer um pouco melhor o emaranhado de culturas e estando tão mais perto geograficamente, olho tudo com muito mais cautela. Muita teoria da conspiração ainda virá por aí.

Fui para internet me informar um pouco melhor, afinal parecia uma história meio mal contada. O que lia não batia com as imagens. Uma morte sem cadáver, uma mansão luxuosa de um milhão de dólares que mais parecia um barracão, uns muros merreca que qualquer assaltante carioca pularia sem problemas expostos como se fossem fortalezas medievais. Menos, né? Realmente, acho que a grande dificuldade era sua localização e a garantia de uma operação sigilosa até o último momento.

Fico dividida. Por um lado, não há como negar que o 11 de setembro mudou para pior a vida do mundo ocidental e sim, lógico que Osama teve muito a ver com isso. Mas uma execução é uma execução e sempre me choca, independente de que lado venha. Não tenho pena nem tristeza por ele, muito menos penso que não foi justo, só não sinto vontade de comemorar.

De certa forma, hoje fomos obrigados a reviver em fast foward uma década de tristeza referente aos ataques, não só nos EUA, mas toda uma onda de mortes e violência de todos os lados. Porque dia 11 foi só um começo marcado, me lembro desse dia, sei onde estava e com quem estava e como parecia irreal e distante da minha vida. Pois na semana passada, reconheci o local do último atentado em Marrocos (28 de abril), já almoçamos exatamente ao lado de onde a bomba explodiu. El último camello de la fila camina tan deprisa como el primero, o que toca a um, toca a todos.

Que ao menos seja o fim de um ciclo ruim. Liberdade deveria ser vida, não morte. Amanhã começará outra guerra, infelizmente, mas espero que essa noite as pessoas possam ter um pouco de paz.

3 comentários em “Dia nublado”

  1. hola, es festivo por que es DIA DE LA COMUNIDAD DE MADRID desde siempre, en españa no se transfieren festivos, españolita!!

  2. Oi Bianca

    Eu penso que a coisa vai ficar feia por todos os lados, esse povo árabe não é de deixar nada barato não.
    Na Europa já estão pedindo pra galera se previnir contra possíveis ataques e nos EUA então nem se fala!

    Beijos

    Marianne

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