Fim de férias

E cá estamos novamente! Tem tanto tempo que não escrevo que custa pegar o jeito! Após quase um mês no Brasil, está difícil pegar no tranco. Não digo que estivesse sem internet, mas considerando a frequência com que a utilizo normalmente, estive radicalmente menos conectada. Escrever toma tempo e viver também, nesse caso, escrever poderia ficar para depois. O que é muito mais difícil, porque se perdem os detalhes… e o diabo mora nos detalhes.

Não é apenas uma questão de tempo, é também uma opção por canais de comunicação diferentes. Duas das minhas maneiras de expressão mais importantes são a escrita e a arte, e como já anunciado anteriormente, nos últimos dois ou três meses, priorizei a arte. E sempre é bom lembrar quem somos em essência, ainda que nunca sejamos uma coisa só.

Mas enfim, como é que foi no Brasil? Vou tentar me liberar da ordem cronológica das coisas e me concentrar no que me importava fazer, apoiar a família, realizar uma exposição e rever os amigos. De quebra vieram mais um monte de coisas, mas sempre giraram em torno desses pontos.

A origem da minha ida agora foi a exposição. Claro que iria de qualquer maneira, mas a data teve esse motivo. Porque ir só pela exposição me custaria muito caro, já que o transporte é por minha conta. Portanto, precisava conciliar tudo ao mesmo tempo, o que exige uma certa logística.

Quem acompanhou a saga ainda não terminada em relação à saúde do meu pai, sabe que houve um período em que fui ao Rio quase que de três em três meses, o que não é mole, psicológico nem financeiramente. Esse último ano, com um ou outro susto, sua situação esteve mais estável, e me deu a chance de conseguir me planejar. Bom, na medida do possível que é me planejar, né? Mas o que importa é que funcionou.

No dia 21 de julho, embarquei com uma exposição inteira na mala! Luiz me encontraria no Rio, uma semana depois. Passado o suspense da bagagem chegar, passar pela alfândega e tal, a verdade é que deu tudo certo. Chegaram sem um arranhão os 50 trabalhos emoldurados, 2 esculturas de acrílico e 200 pêndulos de vidro para uma instalação; tudo isso em 3 malas, uma delas negociada com a companhia para não pagar excesso de bagagem.

Fiz escala em São Paulo, onde fica a Galeria, deixei tudo direitinho por lá, resolvi as últimas pendências do vernissage, encontrei a família paulista e, logo no dia seguinte pela manhã, embarquei para o Rio.

É o ideal chegar pelo menos uma semana antes do Luiz, assim tenho um pouco mais de tempo para dar atenção à família e resolver pepinos de médicos ou documentação. Quando Luiz chega, além disso, também quero rever os amigos, ir nos restaurantes favoritos etc etc… e daí já viu, não paro um minuto, juro! Ele reclama um pouco que não dou trégua, mas entende que não tem outro jeito. Depois, quem mandou casar com uma imparável? Até tento segurar um pouco a onda, ou fazer alguma coisa enquanto ele descansa, mas mesmo assim, reconheço que para os seres humanos razoavelmente normais, o pique é meio pauleira!

Capítulo médicos pessoais: fiz check up e fui no mastologista, já que a recomendação espanhola é cultivar cistos e comer muita tortilla para evitar um câncer. A primeira mamografia aqui é recomendada após os 50 anos! Não estou inventando, li isso em um centro de saúde pública! Bom, resumo da ópera, tirei mais 3 cistos para minha coleção, o que dá um total de 8 retirados. Fora a delícia que é cada punção, tudo certo, mas não posso dar mole, porque aparentemente será assim até a menopausa.

Capítulo médico paterno: acompanhei uma consulta do meu pai no seu clínico geral, onde ele dizia que estava perfeito, não sentia nada demais, só uma tossezinha chata que ele queria saber o que podia tomar (porque se dependesse dele, ele se auto medicaria, mas a gente não deixou). Pois é, depois do exame, verificou-se que ele estava com uma pneumonia básica! Agora já está bom da pneumonia, mas o quadro geral é o seguinte, ele está no meio de um tratamento para dissolver um coágulo no pulmão, isso é feito com um anticoagulante pesado, chamado Marevan (eu acho que o nome é esse). Por isso, teve que interromper o tratamento do câncer de bexiga, porque a sonda poderia provocar uma hemorragia. No caminho, descobriu que está com uma obstrução no ureter, o que pode ser algo simples ou outro tumor. Não pode deixar isso assim até acabar o tratamento do coágulo do pulmão, porque um dos rins, o que esse canal obstruído alcança, já diminuiu de tamanho e ele não pode correr o risco de perdê-lo, afinal, toma muita medicação e isso sacrifica os rins. Muito bem, então o que se faz é o seguinte, agora que ele ficou bom da pneumonia, vai parar de tomar o Marevan (que tem larga duração no organismo) e tomar injeções de anticoagulante com duração de 24 horas. Nas vésperas da cirurgia do ureter, ele para de tomar a tal injeção e só volta quando estiver tudo cicatrizado, o que deve ser entre uma e duas semanas. De momento, também apareceu um tal de derrame na pleura (taquiupariu!), mas segundo o médico, isso não é tão grave e está administrado. Ele deve fazer a tal da intervenção no ureter pelo dia 2 ou 3 de setembro. Apesar desse parágrafo imenso, ele aparenta estar bem, juro! Vai ao clube todos os dias, que é logo em frente… faz a feira duas vezes na semana e compra comida para todo um batalhão; parte dessa comida vai para o lixo, parte está tornando sofisticadíssimo o paladar da faxineira e sua filha, afinal elas agora não sabem mais viver sem comer salmão semanalmente… joga na internet e reclama o tempo inteirinho… assiste todos os jornais com as mesmas notícias a todo volume… o de sempre. Daí, quando meus amigos me perguntam como vai meu pai, me dá uma preguiça danada de explicar tudo isso e resumo, ele não está bom, mas está bem!

Compramos um apartamento pequeno, em sociedade com meu irmão, perto da casa dos meus pais. Um sala e quarto bem jeitozinho que meus pais reformaram e, quando viu o resultado final, meu irmão mesmo se animou a ir morar lá. Achei bom, porque pelo menos é um apoio próximo em caso de emergência. Tive vontade de fazer uma textura nas paredes, até levei material para fazer algumas gravuras, mas francamente, não sobrou tempo. De qualquer maneira, foi muito bom ter novamente a sensação de ter um apartamento, alguma referência fixa de casa, ainda que seja um imóvel para investimento.

Quando Luiz chegou, começamos a encontrar os amigos. Brincava dizendo que fazia encontros no atacado, porque no varejo estava complicado. Pelo facebook ou por e-mail, anunciava onde iríamos à noite e quem pudesse se juntava. Foi bem legal e mandei minha relativa abstinência alcóolica para o saco! Se voltasse minha labirintite, pelo menos havia um bom motivo! Não tive nenhuma crise, mas uma tonturinha ou outra me acompanham até hoje, estou aprendendo a me relacionar com elas. Em compensação, pelas últimas saídas em bares com amigos, pós-Belmonte e pós-muita cachaça, o dia seguinte me lembrou que sou resistente, mas não imune! Tudo bem, vamos combinar que em mais de duas semanas chutando o pau da barraca, um diazinho de ressaca, tô no lucro!

O Rio de Janeiro está lindo! É a primeira vez que volto ao Brasil e acho o Rio melhor! Não sei o quanto a violência regrediu, mas a sensação de violência diminuiu radicalmente. A energia da cidade é outra! Podem ser meus olhos, mas acho que não, Luiz teve a mesma opinião. Minha explicação se deve a dois motivos, a pacificação dos morros e a lei seca. A pacificação dos morros melhorou a autoestima dos moradores e trouxe mais segurança para o asfalto. A lei seca fez com que as pessoas passassem a buscar programas noturnos em seus próprios bairros e tem muito mais gente caminhando nas ruas. Acredito que a Copa e a Olimpíada tenham muito a ver com isso também, abriu um leque de oportunidades. Enfim, seja o motivo que for, o Rio está bombando!

No dia 8 de agosto, dia dos pais, almoçamos com os nossos no Clube do Leme. Fiquei feliz que consegui pegar algum dia assim! Difícil saber quando a gente vai conseguir reunir nossos pais e mães outra vez na mesma mesa, espero que em breve. Meu irmão e meu primo também estavam conosco.

As malas já estavam prontas em casa e, assim que o almoço terminou, meu irmão nos levou ao aeroporto e seguimos para São Paulo. Até esse momento, havia desencanado um pouco da exposição, mas a consciência que estava chegando a hora, revirou meu estômago de nervoso novamente.

Mas a continuação dessa história, vai ficar para depois!

4 comentários em “Fim de férias”

  1. Aqui no blog também andou uma lei seca danada. Estou feliz que você está escrevendo de novo. E vou te contar uma coisa… o teu pai é forte pra burro, hein? Gente do céu… parece o paciente perfeito pra estudantes de medicina… o homem tem simplesmente um pouco de tudo.

    Estou torcendo pra que ele melhore logo! Apesar de que, compartilho a tua opinião, ele estava bem quando estive por lá, apesar de não estar bom.

  2. Pois é, Claudia, tem até foto dele para não me chamarem de louca! Porque quem olha acha que ele está ótimo, não? E nem comentei do coração biônico, aquele que tivemos que entrar na justiça contra o plano de saúde! Que a propósito, está funcionando muito bem, menos um pepino. Tomara que tenha herdado a mesma força e tenha o mínimo de juízo (só um pouquinho) para não detonar minha saúde! Agora, até rolar essa próxima cirurgia vai ser o suspense estressante de sempre, mas pelo menos já aprendemos a não desesperar por antecipação, um leão por dia.

    Amanhã vou tentar escrever mais um pouco e contar da tão esperada exposição. Adianto que foi muito legal e deu tudo certo!

    Besitos

  3. Oi Bianca

    Seu pai ta parecendo reforma em imóvel antigo que cada vez que mexe encontra uma novidade. Mas é forte. Bom retorno.

    Beijos

    Marianne

  4. …heheheh… agora você está com experiência em reformas, né? Mas é mais ou menos por aí mesmo! 🙂 Obrigada! Tudo bem por aí? Besitos

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