Como mudar de país!

Voltei! Estava com saudade de escrever e fiz mil textos na cabeça, já que não conseguia tempo nem sossego para sentar em frente ao computador.

Aos poucos vou contando o que se passou por esses dias, mas o resumo da ópera é que estou morrendo de amores pelo meu novo bairro. É natural que no início das paixões a gente não veja os defeitos, e a essa altura, pouco me importa que eles aparecerão. Melhor aproveitar o momento e depois a gente vê o que acontece.

As redondezas de onde vivemos agora não lembra em nada o ar aristocrático do bairro anterior. Como tudo que é alternativo, ou não tão certinho, sempre parece mais real. Porque as pessoas estão mais preocupadas com problemas de verdade e não com as mariconadas que garantem o status quo.

Não sinto falta do elevador, nem da terraza gigante, nem da portaria arrumada, nem das calçadas mais limpas. Um pouco da área de serviço, admito. Por incrível que pareça, o que mais senti foi a distância do Trifón, do Sonia e do Rincón de Jaén, nossos restaurantes favoritos que íamos a pé e conseguíamos mesa nos momentos mais impossíveis. Minhas referências de casa são igualmente onde durmo e onde como.

Não que nos falte onde comer agora, muito pelo contrário. Surpreendentemente, encontramos ao redor comida do mundo inteiro! Também pela proximidade das zonas turísticas, pessoas do mundo inteiro! Distintos idiomas e sotaques.

A gente recebe o que pede, e por isso precisamos ter muito cuidado com o que desejamos, mas nesse momento, tudo o que queria era voltar a morar em um lugar cosmopolita e urbano até os ossos! Viver nesse pequeno oásis de mentalidade mais aberta foi como mudar de país. Tenho consciência que é uma redoma, mas não me importa, é um ar fresco.

Aqui em volta tem cubano, italiano, francês, asiático, americano… Espanhóis também, é lógico, e sinceramente me agrada! Mas não sei, a convivência parece mais harmônica. As pessoas são de mais cores, diferentes traços e matizes. Sempre sou mais feliz dentro da mistura.

Mas vamos aos fatos, voltando um pouco o relógio, em uma terça-feira à noite, 13 de abril, o último operário saiu de casa depois das 21:00hs. Lá foi Luiz e eu correr para limpar a casa, na medida do possível, afinal, teríamos visitas no dia seguinte. A gente está acostumado a estabelecer rotinas em situações absurdas com a maior naturalidade, mas queríamos que os convidados também estivessem à vontade.

Só para lembrar, nossa mudança não havia chegado ainda, estamos falando de uma casa praticamente sem nada. De móveis, tínhamos 4 cadeiras dobráveis, uma micro mesa, 1 colchão de casal e 2 de solteiros, a vinoteca, a mesa do computador com um laptop e as coisas do Jack. Claro, nosso gato tinha seu “apartamento” completo!

Coloquei na sala os 2 colchões de solteiros, um sobre o outro, como se fosse um sofá, com as cadeiras em volta, assim pelo menos a gente tinha onde sentar para conversar. E como o primeiro casal que chegaria não ia dormir, logo que eles saíssem, montaria os colchões como cama para os hóspedes.

Muito bem, por volta das 11 da manhã, chegou o primeiro casal de amigos. Vinham do Brasil para a Alemanha e o vôo fez uma escala de 8 horas em Madri. Ficar no aeroporto por todo esse tempo, além de desgastante, era uma besteira, considerando que moro aqui. Enfim, deixaram as malas no aeroporto, o check in para o próximo vôo engrenado e vieram para cá.

Em outra ocasião, teria feito um almoço legal, mas nessas condições, relaxei e resolvi comer na rua mesmo. Fomos ao restaurante cubano aqui do lado, comer um arrozinho com feijão e mandioca frita, assim, segundo minha amiga, a adaptação da volta do Brasil era gradual. Ainda demos uma voltinha pelos arredores e voltamos para casa para esperar meus primos chegarem.

Por volta das 16:00hs, chegaram meus hóspedes, minha prima e seu marido, vindos de trem desde Barcelona. Madri era a última parada da viagem. Ficamos na sala batendo papo (sim, nos colchões e nas cadeiras desmontáveis) até que chegou mais uma amiga que mora aqui e, por coincidência, conhece minha prima há séculos.

Na hora que essa última amiga chegou, era exatamente o momento que o primeiro casal precisava voltar ao aeroporto. Claro que gerou mil piadas que eles precisavam ir embora e liberar duas cadeiras para mais alguém sentar!

Com aquele entra e sai de gente, minha amiga brasileira, que me conhece há muito tempo, se acabava de rir da confusão, enquanto seu marido, alemão, não entendia bem toda aquela rotatividade, como a coisa mais normal do mundo, em um apartamento sem móveis!

Logo, meus primos e essa amiga, saímos para caminhar pela cidade. A amiga mora no centro há algum tempo e conhece todas as biroscas existentes. Acabei conhecendo dois lugares que quero voltar, um onde se come em pé a tal da “tajada”, um pedaço de bacalhau fresco empanado muito gostoso, e olha que não ligo para bacalhau! Outro, um bar que é um apartamento de cobertura transformado, só quem conhece chega lá, porque não tem letreiro nem nada, você literalmente toca o interfone para entrar. É um pé sujo com uma vista interessante, que vale para passar e tomar uma bebida entre uma coisa e outra. Em madri, você nunca fica em um lugar só.

Meus primos ficaram até domingo, dia 18 de abril e deu tudo certo. A falta de móveis não pareceu um problema tão grave, pelo menos para a gente, até porque ficamos muito na rua. No sábado, fomos até Segóvia e na volta esticamos até La Granja, que não conhecia ainda e achei uma gracinha.

Muito bem, nesse meio tempo, foi quando explodiu o tal vulcão na Islândia! E até o último minuto, existia o suspense que eles conseguissem voltar para o Brasil. Por mim, tudo bem, mas considerando que no dia seguinte à sua partida chegaria nossa mudança… acho que seria um pouquinho confuso, né?

No fim, também deu tudo certo. Luiz conseguiu fazer o check in deles on line e não enfrentaram grandes filas no aeroporto.

Só nos tocava voltar para casa, descansar um pouco e esperar chegar a famosa mudança marcada para 19 de abril.

6 comentários em “Como mudar de país!”

  1. Moral da estória: comprar mais cadeiras dobráveis para a próxima vez ou organizar a dança das cadeiras pra não ter que fazer o rodízio de convidados.

    Ontem passei na frente da nova aquisição de Munique: “Le Pain Quotidien” e me senti em Madrid.

    E o mais interessante: sabe onde fica? Exatamente no lugar onde antes era o meu restaurante favorito e que fechou no começo deste ano.

  2. Xiii, Claudia… as cadeiras já “rodaram” depois que os móveis chegaram! 🙂 A casa está ficando bonitinha, com praticamente tudo arrumado, só me falta colocar as obras nos lugares adequados. Essa parte de decidir que quadro ou escultura vai onde, preciso morar na casa um pouco. Jura que abriu um “Le Pain Quotidien” aí? Meus primos também ficaram fãns do pão com cereais! Chegaram bem em Munique? Besitos

  3. Chegamos bem. E o principal… chegamos. Menos de 48 horas depois o aeroporto de Munique fechou. Todos os outros aeroportos foram fechados antes.

  4. Nossa Claudia, já imaginou se ficam vocês e meus primos presos aqui em casa por conta do vulcão? hehehe…

    Didis, me animei! Tentando colocar os textos em dia!

    Marianne, aqui tem mandioca, mas o espanhol em geral não come. E também é um prato típico cubano.

    Besitos

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