O ciclo das obras

Obra é ótimo, né? Principalmente quando acaba!

No Brasil, quando os apartamentos eram nossos, fizemos obra em absolutamente todos! Acho que mais por minha causa do que pela do Luiz, ainda que depois ele pareceu também pegar gosto. Com o tempo ficou mais fácil, você vai conhecendo quem trabalha melhor, calcula bem as quantidades, sabe onde estão os fornecedores. A linguagem é fundamental, aprendi a falar com naturalidade “táuba”, “demão” (sempre no singular: é duas demão!), “vrido”…

E não era só contratar não, me metia na obra mesmo! Carregava material, ajudava a instalar coisas e até que me virava bem. De certa maneira, acho que isso acabava por contribuir que os operários me respeitassem mais e nunca tive nenhum tipo de problema nesse sentido. Vamos combinar, o nome “artista plástica” pode ter seu glamour, mas na prática, somos operários de luxo e normalmente ganhamos menos. Então, era um trabalho que nunca me intimidou e sempre fui chegada a uma ferramenta.

Às vezes, no meio do caos, rolava alguma história divertida. Não dá para esquecer do Tonhão, um eletricista que era um baita de um negão 4×4, todo musculoso,  e que se borrava de medo do meu gato. O mestre de obras e o pedreiro, que já tinham sacado que Jack não podia ser mais manso, se acabavam de rir da paura do Tonhão e, devo admitir, que era um pouco malvada, porque também não resistia e alimentava a idéia de que o tonto do nosso felino era uma verdadeira fera, só controlável quando eu estava por perto! Aquele homem daquele tamanho só entrava nos ambientes se eu entrasse primeiro para garantir a segurança. Coitado, Jack bocejava de sono e ele enxergava um leão pronto para atacá-lo!

Enfim, toda obra tem um ciclo. Começa com a empolgação em mudar e a euforia de construir algo personalizado, novo. É seguida da raiva pelos atrasos inevitáveis e, se você não estiver presente, pelas decisões mais estapafúrdias possíveis tomadas pelo pessoal contratado. Logo vem o desespero daquela bosta que não acaba nunca! Onde você estava com a cabeça quando resolveu fazer aquela merda daquela obra? E, finalmente, o alívio do fim! Você já nem quer saber se foi o que queria em princípio, só quer que acabe! Acontece que a poeira baixa e assim que você consegue limpá-la, vem a curtição. Acho que bate algum estado de demência, porque me esqueço rapidamente de toda a chateação.

Bom, acabei de me mudar para um apartamento cuja obra não está terminada. Não faltava muita coisa e agora falta menos, então digamos, que pulei algumas etapas do ciclo e entrei diretamente na fase do desespero para acabar logo! Menos mau que cheguei fresca e de bom humor, sem o desgaste das etapas anteriores. E a verdade é que está ficando bonito e muito dentro do nosso gosto pessoal, ainda que seja alugado.

Acho que hoje termina, há um operário nesse momento trabalhando no banheiro. Estou naquele esquema de o que acabar acabou e o que sobrar vai ficar para a próxima encarnação.

Amanhã recebo um casal de hóspedes, que fica até domingo, quero que a casa tenha algum clima de normalidade. Além dos hóspedes, chegará no mesmo dia um casal de amigos que faz uma conexão de vôo de 8 horas de duração em Madri. Para não ficarem bestando no aeroporto, virão para cá e a gente aproveita e mata a saudade antes deles seguirem para Alemanha, onde moram. Lembra que falei que há um operário trabalhando nesse minuto no banheiro? Pois é, melhor que ele termine, porque amanhã recebo quatro pessoas em uma casa quase sem móveis! Na próxima segunda-feira (isola!), chega a mudança, aquela bem simples, em que teremos que parar a rua.

Por conta disso, ando meio ansiosa, nem é em um mau sentido, mas quero que as coisas se resolvam e tenho prazos para cumprir. Gostaria de arrumar logo a casa e começar a trabalhar na exposição de agosto.

Aliado a quase duas semanas comendo na rua, o corpo sentiu e me bateu uma certa azia na semana passada. Ainda que seja gulosa pacas, cuido muito da minha alimentação, pelo menos durante a semana, e faz muita diferença. Bom, não ajudei muito chutando o pau da barraca no vinho na sexta-feira e no sábado estava um lixo! Só consegui sair da cama à noite, enjoada e com uma dor de estômago daquelas. Levantei direto para irmos a um churrasco na casa de amigos, o que foi bom, porque nesse caso, a gordurinha da carne caiu que foi uma beleza. Claro que ficou todo mundo me gozando pois só fiquei na água e na coca-cola, com bastante gelo! Bom para Luiz, porque dirigir de volta ficou por minha conta.

No domingo, fomos a um aniversário-feijoada e foi tudo de bom! Levamos os instrumentos e tocamos um pouco. Abusamos da cachacinha, mas dessa vez, caiu muito bem. Quando digo que a comida faz toda a diferença do mundo!

Mas tudo bem, porque agora já temos pia e, consequentemente, voltei a cozinhar. Nossa, de cara fiz um feijão só no alho e cebola, um arroz bem refogado, farofa e bife. Mais caseiro impossível! Para quem acompanha o blog, sim, aparentemente o fogão é pirolítico total! Gostei mais do que o de cerâmica, mas já percebi que perderei outro par de panelas. A pia é profissional, a torneira é móvel e regulável, igual a de restaurante. Definitivamente, a cozinha é a estrela da casa. Para quem gosta de esquentar o umbigo no fogão, como eu, é perfeito.

Acho que o cidadão acabou de arrumar o banheiro, vou lá…

6 comentários em “O ciclo das obras”

  1. Hahah olha, quanto a obras, voce e minha mae sao “pareo duro” (nem sei se escreve assim) rsrs . Adorei o demao, vridio e tauba rsrsrs. Mas adorei mais ainda a refeiçao caseira preparada , aiiiiiiiiii que delicia , arroz feijao e bife é tudo de “baooo”.

    Entao a mudança ja esta chegando , que otimo!

    Essa semana entao de casa cheia, aproveite seus hospedes!!!

    Beijosss

  2. Bem Bianca,estou muito feliz de vc ja ter a cozinha em dia, sabe eu tenho uma cachorra rotwailler que em seus dias de guarda costas no Brasil pesava 67 kilos agora tem 14 anos, mas eu espalhava a lenda que era treinada pra matar, e ia comigo no carro, no banco, no mercado, e nao è que a te os seguranças tinham medo dela, detalhe ela adora todo mundo e nunca rosnou na vida, gosta de comer e dormir, mas ninguem acreditava pode?
    Bem acho que perdi a oportunidade de te conhecer, vamos pra Frankfurt dia 29 e nossa conexao nao casava entao vamos passar uma noite em Madrid, eu fiquei com vergonha de falar agora fica pra outra vez. bem um beijo.

  3. Oi, Didis! Foi engraçado ontem com a casa cheia, mas deu tudo certo! Agora só está minha prima e o marido, ontem saímos com Maria. A gente está querendo sair na sexta, topam? Besitos

  4. Oi, Antonia! Obrigada, também estou muito feliz! Mas me conta uma coisa, como é esse negócio da escala do seu avião? É no próximo dia 29? Porque dá para a gente sair para jantar ou almoçar, não? Besitos

  5. Oi Bianca

    Sem dúvida pra mim a cozinha é a parte mais importante da casa, tem tempos que queria arrumar a minha casa e mal começou e já estou vendo preço de tudo e desenhando como vou querer a cozinha mais próxima possível dos meus sonhos.
    Depois de tudo arrumado me manda fotos.

    Beijos

    Marianne

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