Madri e sua noite incomparável

E a vida seguiu movimentada, principalmente, pelas noites madrileñas. Diga-se de passagem, apesar do planeta já saber, tenho lá minhas queixas em relação à Madri, como a qualquer outra cidade, mas a noite aqui é imbatível. Seja pelo prisma que você olhar, opções, preço, segurança, animação, qualidade da bebida (e quantidade também)… O único defeito era ser muito esfumaçada de cigarro, coisa que agora felizmente também já vem se corrigindo.

Outra coisa que é bastante comum por essas bandas, quando salimos de marcha, é não ficar em apenas um lugar. As casas tem horários de pico diferentes e a gente vai montando uma colcha de retalhos divertida pela madrugada do melhor local para aquele momento. E morando aqui no centro, com um bar ao lado de outro, é correr para o abraço!

Normalmente, saímos só nos fins de semana, Luiz acorda muito cedo para trabalhar. Mas a rua está cheia todos os dias e não é raro ele se deparar com o povo com cara de ressaca chegando, quando ele está saindo de paletó e gravata! Bizarro!

Prefiro muito mais sair com ele, assim que, mesmo não tendo a obrigação de acordar tão cedo, costumo seguir sua rotina, com algumas exceções. Uma delas na semana passada, foi aniversário do Kabocla, bar que frequentamos e, de qualquer maneira, Luiz tinha um jantar de trabalho e nem estaria em casa.

Pensei, conheço um monte de gente mesmo e não me incomodo em falar com estranhos, vou sozinha! Toda independente! Depois que falei que ia, confesso que me desanimou um pouco esse negócio de ir só, é chato, né? Mas estava decidida e na pior das hipóteses, se não me sentisse à vontade, voltava. Acabou que uma amiga me ligou dizendo que ia também, beleza! Nos vemos por lá. Por via das dúvidas, levei meu caxixi, vai que me deixam tocar… É engraçado, porque minha bolsa sai fazendo barulho de chocalho e parece que levo um guizo pela rua para não me perderem, mas tudo bem. Os instrumentos, ainda que não os domine, me funcionam como amigos. Também não domino meus amigos e não me importa, não é necessário. Talvez sejam amuletos, o fato é que me fazem companhia. Prefriro meu djembe, que é mais forte, se estou eu e meu tambor posso tudo, mas com meu caxixi estava bem acompanhada.

Não demorou muitos segundos até encontrar rostos conhecidos e em minutos estava à vontade. E quando a banda, amigos de sempre, me chamaram para acompanhar, me senti bem vinda e fui para o meu canto aprender. Acho um privilégio conhecer tanta gente legal e simplesmente relaxo, disfruto e toco o que estiver ao alcance.

Pelas três da matina, volto eu a pé, sozinha pela rua, me sentindo bem. Sem medo, sem culpa, livre. Isso não é o máximo? Deve haver luxos e drogas mais intensas, mas para mim liberdade é especial e para poucos.

Na sexta saímos juntos para um show de um amigo na Bogui Jazz, uma sala que ficou fechada muito tempo nem sei porque, mas que os músicos tem muito carinho, por algum motivo será.

Fui pela primeira vez e pretendo voltar. Preciso dizer que a acústica de modo geral nos lugares por essas bandas é bem ruim. Mesmo no El Junco, que amo pelo ambiente e pela seleção musical, deixa muito a desejar. Pois o Bogui Jazz tem seus méritos técnicos, o que já interpretei como respeito.

Depois veio um show impecável de um amigo, que adorei! Fomos bem iniciados na casa. O interessante é que o acaso nos favorece. Chegamos cedo, pegamos uma mesa pela lateral do palco. Daqui a pouco chega nosso amigo que vai tocar e nos apresenta uma amiga que iria dar uma palhinha e nos pergutou se nos incomodávamos se ela ficasse pela nossa mesa. Claro que não! Chegaram mais duas meninas e se juntaram, não tínhamos nem idéia que uma delas era filha do amigo que tocava e também daria uma palhinha. Resultado, ficamos na mesa dos músicos! Maravilha! Encontramos conhecidos e ainda fizemos amizade com o garçon, que descobrimos que era brasileiro! Resumo da ópera, amigos novos e mais um lugar muito legal para frequentar.

De quebra, um insight interessante, observando a percurssionista, me dei conta do que porque gosto tão mais de percussão. Porque conceitualmente, é como cozinhar você vai adicionando os temperos e é possível corrigir. Há mais de intuição do que matemática. Não é patisserie. Fiquei contente com essa descoberta.

Dia seguinte, não podíamos acordar muito tarde pois havíamos combinado um almoço. E era um filet à parmegiana, vamos combinar que o assunto era sério! Não é que estivesse bom, estava di-vi-no! Me atraquei com a carne coberta de mozzarela e um arrozinho criminoso! Na sequência, fomos para uma terraza papear e ver o tempo passar.

Quando chegamos em casa, Luiz se enfiou debaixo das cobertas para que não restasse dúvida em relação se sairíamos àquela noite! Nem me atrevi a falar nada e me enfiei nas cobertas também! E não foi nada mau!

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