127 – Vamos a próxima batalha

Na segunda-feira, fui dormir preocupada, mas otimista, as coisas pareciam estar se resolvendo bem. Na verdade, estão. Na terça, comecei o dia com um e-mail broca, novo problema em paralelo. Muita calma nesse momento porque ainda não temos certeza do tamanho da encrenca.

 

Mas admito que baixou um pouco a moral, por isso digo que precisamos comemorar de vitória em vitória, nos dá energia para esses momentos.

 

Vamos aos fatos, porque ontem também entendi melhor todo o quadro. Minha mãe teve a idéia de ligar o laptop no quarto do hospital e converso com eles pela webcam. Foi o melhor do dia, imagens são diretas, não tem tradução. Hospitais não me impressionam, muita gente associa às doenças, associo à cura.

 

Estou contando isso porque geralmente tenho as informações que minha mãe vai me passando por telefone, com meu pai do lado corrigindo tudo e dizendo que está tudo ao contrário. Ou seja, imagina a precisão, né? Procuro me fixar nas palavras chave, vou pesquisar o que significa pela internet e faço uma média. Sou praticamente a Dra. Google.

 

Ontem, ouvi ao vivo a médica (de verdade) especializada em arritmias conversando e explicando tudo aos dois. É o seguinte, meu pai teve uma arritmia no atrio, que aparentemente é um local menos perigoso (nem me pergunte, menos perigoso do que? Não tive interesse, muita informação). Essa arritmia foi revertida, mas o resultado, pelo que entendi, ficou um pouco aquém do ideal. A situação cardiológica dele nesse momento está estabilizada, com remédios claro, mas sem um risco iminente. Pelo histórico médico do meu pai, seu coração é um pouco inchado e bombeia o sangue com menos intensidade, isso faz com que possa surgir coágulos – que são obviamente perigosos. É muito provável que tenha sido um desses coágulos que gerou a isquemia cerebral, ou AVC, que ele teve no ano passado. Muito bem, essa é a razão pela qual ele toma anticoagulante. Bom, ainda que a situação tenha se estabilizado, não se resolveu e não há uma garantia que ele não teria outra arritmia, portanto, o próximo passo indicado seria tentar descobrir se essa arritmia que ele teve foi causa ou consequência, e a partir daí tomar as medidas necessárias. Para isso, é recomendado um estudo eletrofisiológico, que pelo que entendi seria um tipo de cateterismo cardíaco para avaliar a parte elétrica do coração, ou mais diretamente ainda, verificar onde nasce o problema, que tipo é, e cauterizar, se necessário. No caso de se reverter de vez, maravilha, caso contrário, ele pode, por exemplo, usar um aparelho desfibrilador, mas aí já é um passo a frente, vamos por etapas.

 

Muito bem, esse estudo eletrofisiológico seria realizado nesse sábado, até que tivemos uma nova informação. Ele está passando por um check up geral, e nisso descobriram que havia uma massa na bexiga. O que isso quer dizer? Não sabemos, pode ser um monte de coisas, por exemplo, um coágulo ou um tumor. Nenhuma frase que inclua a palavra tumor me agrada, melhora se é acompanhada da palavra benígno, mas como disse, não sabemos. Para tanto, ele fará uma biopsia no início da semana que vem. E foi com essa notícia que acordei na terça.

 

Passado o momento puta-que-pariu-que-merda-e-agora, esfriei a cabeça. Como disse um amigo por esses dias, maktub, maktub… Pode não ser grave e hoje em dia, quase tudo tem tratamento. Não adianta se lamentar, o bom é que ele é forte e tem condições para ser atendido por uma excelente equipe médica, o que é uma sorte grande. Então, mais uma vez, vamos entender os próximos passos.

 

A biopsia deve acontecer pelo início da semana que vem. Por que não agora? Porque, em função do coração, ele praticamente come anticoagulante com farinha. Ou seja, qualquer pequeno orifício aberto nesse momento, sangraria que é uma beleza. Só seria feito em caso de emergência urgentíssima, o que felizmente, não é o caso. Portanto, precisam de cerca de uma semana para que seja seguro realizar esse procedimento.

 

Em função dessa biopsia, o exame eletrofisiológico e o tratamento do coração ficou para depois. Porque nesse momento, ainda que não resolvido, seu problema da arritmia está controlado e monitorado. Precisamos saber qual é o tamanho da encrenca na bexiga primeiro. Entretanto, ele não pode deixar o hospital nesse período, não seria seguro deixar de monitorá-lo e a medicação não é de todo simples de ser aplicada.

 

Resumo da ópera, temos brincando mais umas duas semanas de hospital.

 

Cheguei a conclusão que ainda não é o momento de ir ao Brasil. É complicado viajar sem a menor previsão de volta. Além do mais, agora mesmo, no máximo faria companhia no hospital. De acordo com o resultado dessa biobsia, vou decidir a necessidade da cavalaria, ou mais precisamente, da cavala. Desde que claro, ninguém grite por socorro antes, daí eu vou.

 

Daqui a pouquinho minha mãe deve me chamar no MSN e ligar a webcam no quarto do hospital, parece um Big Brother, que apelidei de Big Father.

 

Em princípio, não teremos grandes novidades até o início da semana que vem, eu acho. Mas como cada dia é uma aventura, vamos ver o que nos aguarda por hoje.

8 comentários em “127 – Vamos a próxima batalha”

  1. Oi, Renata! Nós também, semana que vem a gente descobre, sempre tem que rolar um pouco de suspense, né? Mas não sei, hoje acordei cismada que é um coágulo e não um tumor na bexiga, o que seria bom. Vamos ver. Um dia tenho que torcer para não ter coágulo… no outro tenho que torcer para ser coágulo… ai, ai… e assim vamos levando. Besitos

  2. Oi Bianca. Tenho acompanhado seus post. Posso ajudar apenas com pensamentos positivos. Que tudo corra bem e se descubra de uma vez o que seu pai tem. Ficar na espectativa é sempre ruim, mas faz parte. Abração. 🙂

  3. Oi Bianca, voce claro nao me conhece eu sou leitora profissional de runas ja ha mais de 25 anos. Eu vi a situaçao de seu pai e me pareceu o seguinte,
    Nao creio que seja um tumor na bexiga como voce creio que è um coagulo, ha mim nao me aparece sangue me aparece liquido, me aparece algo movil, algo que estava em outro lugar.
    A situaçao cardiaca dele me parece grave mas que tem um medico da equipe que cuida dele que vai ter alguma ideia e vai melhorar muito a situaçao.
    Bianca meu conselho eu nao sei suas condiçoes particulares financeiras mas te aconselho que sim que vc va ao Brasil.
    Em 2002 meu pai teve uma queda, meu irmao maior me chamou, ele tinha 70 anos era um homem de uma saude de ferro, 2 metros de altura um atleta, meu irmao disse vamos esperar mais uns dias a ver como se sai la cosa, pois Bianca eu nao fui ele morreu dois dias depois, politraumatismo craniano. Eu nao vi , nao chegaria a tempo pra mais nada, ate hoje me arrependo.
    Se vc pode vai, acho que vc è perfeitamente conciente da situaçao de gravedade da enfermedad de seu pai, deve saber que è uma questao de tempo, va Bianca, nem que tenha de voltar e ir outra vez.
    Um beijo, desculpe a crudeza mas assim como seu pai, voce tem mucho acero por ai.

  4. Oi, Antonia! Obrigada pela leitura, vamos aguardar. Conversei com o médico hoje e, segundo ele, aparentemente é realmente um tumor, mas ainda não sabemos se é maligno ou benigno. Enfim, resolvi esperar a resposta por lá mesmo, porque acho que minha mãe também já está ficando muito cansada e talvez a gente precise tomar decisões. Uma coisa, não entendi o que é “mucho acero por aí”, depois me diz. Vou nessa que ainda estou resolvendo algumas coisas. Besitos

  5. Bianca, fico na torcida para que tudo corra bem com seu pai e que os resultados apontem para algo menos problemático. Qq que seja o caso, mantenha o otimismo. Hoje a oncologia evoluiu muito. Minha mãe extirpou um dos rins, com um tumor (maligno) do tamanho de uma bola de tênis. Isso foi há +20 anos. Hoje ela tem Alzheimer, mas o cancer nunca mais voltou.

    Mantenha a fé.

    Bjs

    Augusto

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