XXI – La Tortilla Española

A tortilla española é uma instituição, uma espécie de orgulho nacional! Acho que é o “arroz-com-feijão” daqui. 

Da primeira vez que experimentamos, tanto eu quanto Luiz não achamos lá essas coisas. Muito cá entre nós, hein? Porque se algum espanhol me escutar dizer isso, é capaz de eu ser extraditada! Me pareceu um omeletão de batata meio sem graça. Com o tempo, fui pegando gosto e vendo que também depende muito se é bem feita. Atualmente, adoro! 

Receita: 

Cortar a batata em rodelas finas ou pedaços pequenos, secar e fritá-las em azeite. O azeite tem que cobrir as batatas e elas não precisam ficar morenas, mas cozidas. Adicionar cebola picada na fritura e deixar o cheiro subir (aquele cheirinho delicioso da cebola fritando no azeite…hummm).  

Em paralelo, bater os ovos, como em um omelete. Quando as batatas e a cebola estiverem no ponto, misturar rapidamente aos ovos batidos, adicionar um pouco de sal e fritar tudo, também como um omelete. Tem que fritar dos dois lados. Pessoalmente, prefiro quando o interior fica um pouco molhadinho. 

Pues… hombre! É muito bom! 

Essa combinação de ovos com batatas aqui é comum. Putz! É mortal! Mas como resistir? Falando nisso, tem também os huevos rotos, que são os ovos mexidos. Entretanto, costumam vir com batata frita no azeite e cubinhos de jamón curado. Um chute no balde! 

E os pinchos e as tostas? São torradões, o pincho do tamanho de uma bruschetta e as tostas maiores. Varia a cobertura: camarões, gulas, jamón, queijos… combinações criativas. Também perto de casa, tem um bar de copas que serve uma dessas torradas com camarõezinhos ao alho e óleo, que estou segura que um certo amigo meu,  também hóspede aqui, vai mexer na cadeira só de ouvir! 

Tem as croquetas, mas essas merecem um capítulo especial. 

Para terminar de meter o pé na jaca mesmo, só pedindo o vinho da casa para acompanhar. Ultimamente, nem me preocupo em saber a marca, pois é sempre bom. Me conformo em pedir pela região e estamos conversados. 

Bom, agora preciso ir, porque me deu uma fome…

56 – Paella

A melhor paella espanhola que já comi foi em… São Paulo! A campeã é a do Don Curro, sinto muito! Não é que aqui elas sejam ruins, mas ainda não achei aquela definitiva. The Ultimate Paella! Enfim, continuarei tentando, fazer o que? Acabo de pegar algumas dicas de locais para comer uma boa paella com legítimos madrileños, a ver… 

Nos restaurantes, diferente do que imaginava, costuma ser sevida como entrada. Mas, se quiser, você pode pedir como prato principal que ninguém faz cara feia. Quer dizer, podem até fazer, mas é mala leche mesmo. Ignore! Se isso acontecer, utilize a cara 9, a de caguei-sou-cliente-e-você-não-está-fazendo-nenhum-favor.  

O arroz costuma ser bem gostoso, mas os frutos do mar são regulados. Um pouquinho de nada e mais casca que carne. Nem entendo porque, já que os frutos do mar daqui são excelentes e fresquíssimos. Todo pescado do país é concentrado em Madri e depois distribuído aos outros lugares, ou seja, é tudo de primeira. 

Não existe uma versão oficial para o nome “paella”. Entretanto, ouvi uma história que faz sentido e achei muito bonitinha. Normalmente, as mulheres cozinhavam durante toda a semana e os maridos para dar-lhes uma folguinha, às vezes, cozinhavam para elas. O “para” aqui pode ser abreviado como “pa”, assim como o nosso “pra”, e o “ela” se diz “ella”. Portanto, quando o marido cozinhava para a esposa, ele cozinhava “pa ella”. Pa +  Ella = Paella 

Meninas, a paella é nossa! Meninos, uma dica, aprendam a história e a fazer paella, pois pode ser muito romântico! Um homem cozinhando para sua amada é super sexy! 

Receita de paella de frutos do mar  (do jeito que faço, há outros) 

Ingredientes – nunca sei exatamente, mas aqui vai uma aproximação razoável: 

Arroz (1 xícara e meia)

Água (3 xícaras)

Azeite (cobrindo levemente o fundo da panela)

Alho (1 cabeça inteira bem picada)

Cebola (1 cebola inteira)

Tomate (1 tomate, sem sementes, picado em cubinhos)

½ xícara de ervilhas

Pimentão vermelho (metade de um, picado em cubinhos)

Pimentão verde (metade de um, picado em cubinhos)

Açafrão (o equivalente a uma colher de sopa)

Frutos do mar (uns 6 camarões grandes e outros menores,  100 gramas de lula, umas 20 conchinhas de vôngoles, uns 5 mexilhões…)

Cuentro ou Salsinha (mais ou menos meia xícara bem picadinho – dica, use uma tesoura de cozinha ao invés de uma faca e pique em cima da panela na hora de usar) 

Modo de fazer: 

Refogar o arroz no azeite, alho e cebola. Seja generoso nos três últimos ingredientes. Acrescentar pedaços bem picadinhos de tomates, pimentões verdes e vermelhos, e as ervilhas. Adicionar o fundamental açafrão.  

Em paralelo, ferver a água a ser adicionada, aproximadamente o dobro da quantidade do arroz, e reservar.  

Colocar os frutos do mar, com casca e tudo. Use os que você gostar mais, gosto de usar camarões, lulas, vôngoles, mexilhões, langostinos e carabineiros pequenos. Os mexilhões devem ser colocados por cima de tudo, dentro de suas conchas. Os vôngoles podem ser misturados, mas também dentro de suas conchas. 

Adicionar a água fervente, salpicar o cuentro ou salsinha e baixar bem o fogo. Esperar a água secar e servir na hora. 

Atenção: Caso não tenha a panela apropriada, utilize uma rasa e de fundo largo. Originalmente, esse prato deve ser feito no fogo ao ar livre. Diz a lenda que o ideal é utilizar folhas de parreira para alimentar esse fogo. O aroma e a fumaça sobem e alteram o sabor da paella, no mesmo estilo dos defumados. Mas se estiver na sua cozinha, pode levar a panela ao forno (se isso for possível sem ter partes derretidas). A maneira mais simples é no fogão mesmo, em fogo baixo, tampando a panela enquanto a água do arroz seca. 

Existe a versão onde também se adiciona frango e coelho. Mas se é sua primeira paella é melhor não complicar muito. 

Boa sorte! 

58 – Las Croquetas

Preciso fazer uma confissão que pode me custar muito caro no futuro: adoro croquete! Aliás, adoro salgadinhos em geral, coxinhas, empadinhas, risólis, bolinhos de bacalhau, bolinhas de queijo… huuummm… minha boca encheu de água! 

Infelizmente, depois do Caco Antibes, todas essas deliciosas mini-tentações foram classificadas de “coisa de pobre” e sumiram das festas brasileiras. Fazer o que? Gosto das comidas exóticas e também das sofisticadas, apenas acredito que um prazer não exclui o outro. E tem dias que morro por uma coxinha cheia de catupiry legítimo derretido. 

Muito bem, ainda resta salvação para o mundo! Aqui em Madri, um dos aperitivos mais populares são as fabulosas croquetas! É a redenção do croquete! São encontradas tanto em bares mais despojados, como em restaurantes elegantes. Lógico que na segunda opção sempre há algum diferencial, mas que é croqueta… é croqueta! 

Entretanto, há uma pegadinha para brasileiros. Quando a gente prova a primeira croqueta, esperamos um recheio mais sólido. Pois, nesse caso, a massa já é o recheio. Só que essa massa é salpicada com algum tipo de acompanhamento. A clássica vem com pedacinhos de jamón, mas é comum também encontrar as de pollo (frango). Os restaurantes mais descolados inovam mesclando outros recheios, como camarões ou queijo brie. Mas nunca em pedaços generosos, costuma ser triturado com a massa. 

Deve ser frita na hora e no azeite estalando de quente. Hombre, o sabor é de maravillas! 

Caso queira aprender a fazê-las, a receita segue abaixo. E se algum despeitado se atrever a torcer o nariz dizendo que é “coisa de pobre”, nada como responder que é um velho hábito adquirido na Europa.  

Ingredientes:

         1 colher de sopa de azeite

         2 colheres de sopa de farinha de trigo

         ¼ de litro de leite (pode ser um pouco mais)

         1 ovo

         100g de farinha de rosca

         noz moscada

         100g de jamón em pedacinhos minúsculos (ou o recheio que você preferir)

         sal 

Modo de fazer: 

Levar a panela ao fogo com o azeite. Deixar o azeite esquentar, mas não ferver, não deixe levantar fumaça. Tire a panela um pouco do fogo e adicione lentamente a farinha, movendo com uma colher-de-pau até que forme uma massa. 

Retorne a panela ao fogo médio, adicione lentamente o leite, mexendo sem parar até que a massa esteja cozida e consistente. Colocar uma pitada de noz moscada, sal a gosto e os pedacinhos de jamón. Continue mexendo a massa até que se espesse. 

Coloque essa massa, já espessa, em um recipiente e deixe-a esfriar. Depois de fria, modele os bolinhos no formato de croquete. 

Bata o ovo em outro recipiente. Molhe o croquete (epa! Isso ficou meio sexual!) nesse ovo e depois passe na farinha de rosca. Como se fosse um bife à milanesa. 

Estão prontas para fritar. Devem ser fritas no azeite bem quente que as cubra. Quando estiverem douradas, estão prontas para serem servidas. 

Coma sem arrependimento e ria dos pobres de espírito!