126 – E agora, José? José, para onde?

Querido Drummond que me ajude:

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Há 34 anos saí do Rio de Janeiro; há quase 20 saí de Brasília – com intervalos em Nova York; há cerca de 12 saí do Rio outra vez; há pouco mais de 2 saí de São Paulo; há pouco mais de 1 saí de Atlanta e, desde então, estou em Madri. Com 36 anos, no meu trigésimo primeiro endereço, até sabe-se lá quando.

Nesse caminho, conheci muita gente assim ou que até mudou mais. Não sei se foi coincidência ou uma maneira de me sentir mais normal. Talvez hoje seja normal, a tal da globalização está criando uma nova nacionalidade virtual de expatriados. Se é bom ou mau, como vou saber? Acho que um pouco dos dois, mas sei que não há volta. Não é que não haja volta para o país de origem, ou para qualquer outro, simplesmente não há volta para o que fui.

Portanto, o jeito é tentar levar com bom humor e viver nossas aventuras. Recorro a cara 11, aquela com que cheguei em Madri, a de faço-isso-todo-dia-sei-o-que-estou-fazendo-e-não-me-pergunte. Nesse caso, é a 11-b, quando no fundo não tenho a menor idéia para onde estou indo.  Que se há de fazer?

Vou eu novamente pensando nas músicas. Dessa vez, canto minha escolhida para São Paulo. Lá preferia na voz do Cazuza, mas agora quero mesmo é na do Lobão: Vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve… 

Sim, estou enrolando, até para uma especialista em mudanças, às vezes é muito difícil romper. Mas hoje preciso fechar esse ciclo porque essa fase acabou. Preciso começar outra. 

Aos que chegaram até aqui, muito obrigada pela companhia. Não vou parar de escrever, só vou recomeçar. Tenho meus motivos, mas essa é uma outra história…