São Paulo – Rio de Janeiro – Madri

Pois muito bem, cheguei, vamos começar a por ordem no barraco, né?

 

Saí de Madri no dia 09 de junho, pousei antes das 5 da matina do dia 10, sexta-feira, em São Paulo e um casal de amigos foi me buscar no aeroporto. Pequeno detalhe, o trânsito já estava engarrafado nesse horário!

 

Não durmo absolutamente nada em avião, nunca! Independente do quão confortável seja a viagem, passo o tempo inteiro a postos. Mas sabendo do pouco tempo que teria na cidade, também não queria perder um minuto, portanto, mal tomei um banho e parti para a programação intensiva.

 

Almocei com a família paulista e passei a tarde com eles, emendei na minha cabeleireira favorita (afinal não corto cabelo aqui nem morta!) e à noite estava marcado de encontrar amigos no Kiaora. Um desses encontrões no atacado, porque no varejo não dou conta de encontrar quase ninguém! Foi divertido, apesar do lugar estar absolutamente lotado! Resultado, além de estar virada e com fuso de 5 horas de diferença, ainda saímos de lá pelas 3 ou 4 da manhã. Ainda bem que sou treinada nas selvagens noites madrileñas!

 

O dia seguinte não foi muito diferente, não acordamos tão tarde, almocei com a amiga onde estava hospedada e na saída do restaurante, encontrei uma outra amiga que não via há séculos, muito legal! Seguimos a tarde com uma passada no mercado para fazer umas comprinhas de última hora para a festa junina à noite, só para Diretoria. Foi nessa mesma casa onde estava hospedada que falei.

 

O encontro entrou pela madrugada novamente e nem sei como, mas não estava tão cansada como imaginei. Ou então, já tinha até passado de qualquer limite de cansaço, sei lá! A verdade é que queria aproveitar o tempo inteiro! Foi uma passagem relâmpago pela cidade, mas era assim ou nada e tenho muito carinho pelos amigos de lá.

 

No domingo, pela manhã, meu vôo saiu às 11 horas, direção Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!  O que quer dizer que, novamente, não dormi muito. Meu irmão e minha mãe foram me buscar no aeroporto. Duas malonas para caber jamón, fuet, whisky, azeite… enfim, as encomendas de sempre!

 

Para quem está pensando que finalmente fui descansar, esquece! Passamos a tarde inteira de papo, uma prima foi lá para casa. E à noite, quando achei que tinha encerrado meu expediente, meu irmão me arrastou para a rua. Convite irrecusável: Academia da Cachaça! Tudo bem, mas vamos voltar cedo, né? Afinal amanhã é segunda-feira. Claro, claro…

 

Até tentamos encerrar cedo, mas indo embora, bem na saída, vejo alguém me chamando e vindo na minha direção! Não acredito! Um amigão com sua namorada e outro amigo dele, que por coincidência, conhecia meu irmão também. Bom, então vamos começar tudo outra vez!

 

Lá pela terceira saideira, meu irmão disse que precisava ir. Ok, por mim, tudo bem, vamos! Dentro do carro, já no caminho de casa, ele me pergunta: quer conhecer o Londra? Veja bem, macaco quer banana? Olha só, por mim, cansada, cansada e meia, eu não tenho que trabalhar amanhã. Então, só uma passadinha…

 

Sim, emendamos no Londra para uma dose cavalar de whisky, que me lembrou Madri. Ao lado, um chef de bar que puxou papo conosco em função do nome de um single malt. Nem sabia que existia essa profissão, chef de bar, mas achei legal. Tudo bem, mas agora a gente realmente precisa voltar para casa!

 

E como estavam as coisas em casa?

 

Meu pai está mais ou menos, assim, por um lado não está com nenhuma urgência, mas de uns meses para cá começou a ter um tipo de convulsão leve, mas que se não tiver apoio ou ajuda, cai no chão. E um tombo de um homem com 1,90m e 115Kg, não é mole! Como elas se tornaram muito freqüentes, praticamente todas as vezes em que ele se levantava, precisou de medicação. Daí, começou a tomar um remédio forte que aliviou essas convulsões, mas o deixou muito aéreo, distante e sem interesse por quase nada. Bom, entre ele ficar meio paradão ou ter convulsões, a primeira opção é menos pior, mas espero que a gente encontre alguma alternativa. Quero acreditar que é uma questão de ajuste e, realmente, seria muito bom que ele pudesse diminuir essa dosagem sem piores consequências.

 

De uma forma ou de outra, a vida segue e minha principal missão, digamos assim, dessa viagem era que minha mãe relaxasse um pouco e se alegrasse. Portanto, já cheguei colocando pilha para a gente comemorar seu aniversário com uma festa. Coisa que ela não estava nem um pouco afim, ou achou que não estivesse.

 

Comecei sugerindo que a gente fizesse então uma coisinha só para a família e fui perguntando aos primos e tias que estavam pelo Rio se eles topavam. Todo mundo gostou da idéia, mas nada da minha mãe se animar. E eu também não podia fazer uma festa à força na casa dela, né? Muito bem, se ela não quer…

 

Até que os mesmos primos e tias começaram a ligar lá para casa deles dizendo que dariam uma passadinha para dar um abraço nela no sábado. E vamos combinar, que ela não ia dizer para as pessoas não passarem, certo? Pois é, mãe, então, se eles vão dar uma passadinha, melhor ter algum lanche para oferecer, certo? Eu faço tudo, pode deixar!

 

Ela não disse exatamente que sim, mas também não disse que não. Assumi que era um sim de geminiana. Mas vamos abrir parênteses, porque ainda estávamos no começo da semana e a festa só seria no sábado.

 

Pois bem, na segunda e na terça-feira, aproveitei para ir a médico, resolver coisas e ficar com meus pais. Uma amiga que morou em Madri passou para me visitar e tivemos uma tarde de lulus tranqüila, boa para colocar os papos em dia. Na quarta, comecei a abrir agenda para encontrar os amigos e à noite escolhia algum bar por perto, publicava no facebook onde iria e quem pudesse aparecer era bem vindo.

 

Na quarta fomos ao Sindicato do Chopp e na quinta ao Joaquina. O mais interessante é que havia alguns amigos de São Paulo trabalhando pelo Rio e acabaram sendo os que mais encontrei pelas noites cariocas! Tinha o pessoal do Rio também e uma amiga que conheci na França e agora está pelas bandas brazucas. Enfim, foi bastante divertido, uma pena não conseguir escrever no mesmo dia que os encontros iam acontecendo, a gente perde um pouco o momento, mas tudo bem.

 

Na sexta-feira, minha mãe quis ir ao Clube do Leme para assistir uma banda que tocava por lá e, na cabeça dela, seria a comemoração do seu aniversário. Ela achou que com isso ia fugir da raia e eu esqueceria da festa do sábado. Imagina!

 

Na verdade, passei a sexta à tarde toda cozinhando. Fiz sanduíche de pernil desfiado, salpicão de frutos do mar, quibe e bolinho de bacalhoada. Obviamente, sob protestos que estava fazendo coisa demais! Afinal de contas, não vinha quase ninguém! Ahã… tá bom, como se não conhecesse…
minha mãe acabou achando melhor contratar um garçon, só para não ter que arrumar a cozinha depois e achei bom.

 

Ela ainda estava com uma empregada, um baixo astral daqueles que apelidei logo de a mulher-uruca! A uruca até ajudou um pouco a preparar as coisas, mas me restringi a deixá-la apenas cortar ingredientes e tocar o mínimo possível na comida e ainda assim, sob supervisão. Aliás, a mulher-uruca foi despedida na segunda-feira seguinte, para o alívio de todos!

 

Mas voltando a festinha que rolou no clube na sexta-feira à noite, a banda que tocou era mais para a coroada (como se eu não fosse), mas é o único lugar que meu pai ainda aguenta ir e onde vão boa parte dos seus amigos. Portanto, para mim estava valendo. Meu irmão e uma prima também foram e ainda convidei mais dois amigos de São Paulo que estavam perdidos pelo Rio e resolveram ficar para o fim de semana. Não é que eles também apareceram? No final das contas, apesar da banda, até que ficou animado. Nada que algumas garrafas de prosecco não resolvessem. Quando meu pai cansou, meu irmão e eu o levamos para casa, para dar uma folguinha para mamy e voltamos para a festa. Ela acabou animando a dançar, pulou, riu, a banda cantou os parabéns… enfim, foi bem divertido e achei que ela ficou feliz.

 

Pequeno intervalo para contar que o Luiz não se agüentou e acabou resolvendo ir ao Rio também, meio que de surpresa. Sua chegada seria no sábado, pelas 5 da matina.

 

Mas continuando, não me lembro exatamente que horas era, mas devia ser pela hora da Cinderela quando deixamos minha mãe em casa e meu irmão nos convidou para seguir pela noite no Londra. Fomos nós, minha prima e os dois amigos de São Paulo, que também são amigos do Luiz. Daí a gente decidiu que tentaria virar até o dia seguinte e aparecer de surpresa no aeroporto para buscar Luiz. Não sei porque, mas com a cabeça cheia de champagne, essa nos parecia ser uma idéia e tanto…

 

… que obviamente, não funcionou! Era mais de 3 da manhã quando a gente desistiu desse plano ridículo de ir para o aeroporto bêbados e fomos para casa.

 

O que quer dizer que fui dormir quase pelas 4 e às 5 em ponto Luiz me ligou avisando que pousou. Eu não sabia nem de que lado era o mundo! Mas fiquei empolgada com sua chegada e o esperei acordada em casa. Pelas 6:30h ele chegou, todos ainda estavam dormindo, e resolveu dar uma descansadinha. Em trinta segundos ele já havia conseguido ferrar no sono e eu seguia acordada!

 

Perto da hora do almoço (e na casa dos meus pais isso quer dizer pontualmente ao meio dia), meu pai nos acordou para comer uma feijoada. Achei que não daria conta, mas dei.

 

Entrou à tarde e a festa da minha mãe estava marcada para às 17 horas. Sim, é cedo, mas para eles e os amigos é um ótimo horário.

 

Portanto, fomos deixar a casa em ordem. Pedi ajuda ao Luiz para colocar o gelo e as bebidas no isopor e ele olha aquela meia dúzia de latinhas no fundo e pergunta para minha mãe quantas pessoas viriam. Ele fez as contas e seríamos, no máximo, umas 10 pessoas. Informação que não convenceu nem a ele, nem a mim. Ela disse que poderia pedir por telefone mais tarde se faltasse alguma bebida, mesmo assim recomendamos, por garantia, que era melhor comprar um pouco mais de cerveja e pelo menos umas 3 garrafas de prosecco, se sobrar a gente toma depois, não tem problema.

 

A reunião começou cedo, afinal era só um lanchinho para a família. O que ela não parecia se lembrar é que na noite anterior, no clube, foi encontrando um e outro amigo e falando que se quisessem passar lá em casa haveria um “cafezinho” a partir das 17 horas.

 

Resumindo, vieram bem umas 40 pessoas, a comida foi toda! Minha mãe lembrou que sabia fazer festa e acionou o plano B, ingredientes de armário (salsicha, azeitona, salgadinhos, pipoca, pão de queijo). Por sorte o garçon também era super safo e ainda fez uns cachorros-quentes. Lógico que a bebida evaporou e um pouco antes de acabar, avisei minha mãe para pedir mais por telefone. Ainda tinha o bolo e uns docinhos portugueses muito bons. Enfim, nada sobrou, mas também não faltou, acabou sendo uma festa bem divertida! Como se nota, algo levo no DNA.

 

Meu pai estava ótimo, dentro do possível! Ficou na poltrona dele, mas conversando, participando e esperou até o último convidado ir embora. Meus sogros também apareceram e acho que ficaram felizes de ver Luiz, já que sua ida não estava prevista.

 

Achei que o astral da casa deu uma aliviada, estava um pouco triste quando cheguei, não sei, tive essa sensação. Não é que os problemas estivessem resolvidos em um passe de mágica, mas gente de boa energia circulando em casa traz bons ares também. Temos uma família presente e amigos muito bons, pessoas com que se pode contar e isso faz muita diferença, principalmente para mim, que fico longe uma parte considerável do tempo. É um alívio saber que quando o bicho pega, há gente próxima enquanto não chego.

 

Resumindo, teve festa de aniversário e foi um sucesso! Missão cumprida! O resto era lucro.

 

Na semana que se aproximava, ainda deveria ir a oculista, dentista e outros “istas”, mas quer saber, o papo em casa e na casa dos meus sogros era tanto sobre médicos, então resolvi relaxar e deixar isso para lá. Vou aproveitar a família e os amigos e o resto a gente se vira depois. O único médico que não pude deixar de ir foi ao mastologista, afinal já tirei só oito quistos, portanto, não posso facilitar. Nem acreditei quando ele me liberou dessa vez e não precisei tirar nenhum! Boas notícias!

 

Muito bem, no domingo, acordei com desejo de ir almoçar no Botequim, da Visconde Caravelas. Luiz e eu comíamos ali quando éramos ainda namorados. Continua com uma comidinha super caseira e ótima! Fomos com dois amigos de São Paulo (olha os paulistas aí!) e meu irmão. E à noite, saímos com outro casal de amigos na Cobal de Botafogo para bater papo. Confesso que foi o único dia em que me neguei a colocar uma gota de álcool na boca! Com tantos encontros, sempre em bares, festas ou restaurantes, não ficava nem um diazinho sem beber e meu fígado já estava pedindo água, literalmente!

 

Pois é, essa semana que começou no dia 21, havia meio que me programado para dar uma fugida a Belo Horizonte, para matar a saudade da família do lado de lá e conhecer a nova priminha que nasceu. Logo que cheguei, até convenci minha mãe a ir comigo, combinamos com uma prima de dormir um dia lá em casa para meu pai não ficar sozinho e tal. Mas com a ida do Luiz, também não queria deixá-lo só no Rio, minha mãe amarelou de viajar comigo e acabei desistindo. Uma pena, mas não dá para fazer tudo, né?

 

Bom, vou poupá-los de contar novamente dia por dia, até porque nem me lembro direito. Só sei que fomos a duas churrascarias nos acabar de comer carne com gosto de carne, encontramos amigos, fomos a um aniversário, fomos a um jantar na casa de um dos poucos amigos que consigo cozinhar a quatro mãos e, como não podia deixar de ser, fomos à Academia da Cachaça.

 

Acho que a Academia é meu bar favorito no Rio. Gosto de outros também, mas tenho uma relação afetiva com esse bar. Inclusive, foi o primeiro lugar que Luiz me levou e onde começamos nossa história há pouco mais de 18 anos atrás.

 

Aliás, só vou falar de mais um bar, que também estava super nostálgica para ir outra vez, o Villarino. Conheci Luiz quando trabalhávamos juntos e obviamente era proibido nosso namoro. Mas enfim, justo em frente havia esse bar e restaurante que a gente ia de vez em quando em happy hours, tomar whisky com nossos cúmplices. Anos depois, conhecemos um amigo que é freqüentador assíduo do local e meu irmão que também começou a dar suas passadas por lá. Deu uma vontade danada de voltar e ver se o mundo ainda estava no mesmo lugar. E estava!

 

Uma história divertida é que esse amigo frequentador do Villarino, que também nos encontrou nesse dia, trilhou comigo uma boa parte do Caminho de Santiago e escreveu um livro sobre isso, do qual me tornei uma das personagens. Pois bem, ele é tão assíduo no bar, que ali se vende seus livros, acredito que até bem mais do que em qualquer livraria! Portanto, fui “reconhecida” por algumas pessoas nesse dia como a “Bianca do livro” e tive meus dois minutos de fama por tabela! Fui apresentada ao fundador, um senhor espanhol que segue indo ao bar em sua cadeira de rodas e se senta com a enfermeira, já é idoso, mas bastante lúcido e simpático, conversamos um pouquinho em castelhano. Saí de lá com as bochechas roxas do whisky, mas bem que valeu!

 

No sábado, Luiz teve que voltar para casa, porque trabalhava na segunda-feira em Madri. Fui com meu irmão e minha mãe ao aeroporto levá-lo. Achei muito ruim me despedir dele e ficar, mas tudo bem, era por pouco tempo.

 

Meu irmão já foi logo me avisando que íamos jantar em um japonês e de lá iríamos ao Circo Voador, na Festa Ploc! Aliás, acho que essa foi a vez que mais saí com meu irmão, desde que mudei do Brasil, foi legal. Muito bem, jantarzinho tranqüilo em um japonês ótimo no Leblon que agora me esqueci o nome. Foram mais dois casais de amigos dele, um dos meninos, amigo desde o tempo de colégio.

 

Beleza, lá pelas 23 horas, fomos para o Circo Voador. E confesso que ver os arcos da Lapa iluminados fez meu coração bater mais forte. Meu irmão conhece o pessoal por lá, nossa entrada foi bem fácil e com acesso a área VIP, quem diria. Ali havia mais dois casais de amigos dele e ficamos em um grupo de umas oito pessoas.

 

Para quem, como eu, não sabia do que se tratava a Festa Ploc, são uma série de shows com artistas ou bandas que fizeram sucesso nos anos 80. Imagina isso para quem chegou aos quarenta? Foi o céu! Tocou Silvinho (do Ursinho Blau Blau), Perdidos na Selva, Sempre Livre e… ela, a deusa, Rosana! O único que achei chato foi o Sérgio Malandro, mas tudo bem, já foi no finalzinho e não chegou a atrapalhar o programa. Quando era criança, até gostava do Sérgio Malandro, achava ele engraçado. Mas já estou Bauzaca e ele continua contando as mesmas bobagens! Mas enfim, claro que conhecia o repertório inteiro dos shows e me acabei de dançar! Ainda consegui uma espada dos poderes de Grayskull, que trouxe até para Madri!

 

Acho que não fui muito clara quando disse que me acabei de dançar, deixa eu ser mais precisa. Quem me conhece, pode ser que se lembre que tenho um tipo de labirintite, que na verdade é uma vertigem posicional blá, blá, blá… que são uns cristais que se acumulam ou saem do lugar pelo labrinto… alguma coisa assim. Pois é, esse negócio me dá umas tonteiras e estava com um pouco quando fui para o Brasil. Muito bem, eu pulei tanto nessa festa que no dia seguinte estava boa! Ou seja, os cristais saltaram para o lugar que tinham que voltar! Sei lá, mas deu certo!

 

No domingo, acordei quase sem voz! Fomos almoçar em família no Clube do Leme. Foi o único dia em que meu pai não parecia muito bem, passou mal e não comeu direito. Quando meu pai não come direito, a gente sabe que algo está errado. A última coisa que ele perde é o apetite! Bom, não parecia nada grave, mas melhor ele ficar sossegado em casa.

 

Durante à tarde, fomos na casa da minha prima, que nunca tive tempo de conhecer antes. Dessa vez, marcamos de lanchar lá. Foi minha mãe, minha tia, meu irmão, só família mesmo. Pois é, fofocando com minha prima, descobri que ela tinha feito o tal do preenchimento do bigode chinês (nem sabia que tinha esse nome, mas estava doida para fazer também). Bom, eu andava louca por alguma recomendação de alguém de confiança que
tivesse feito e ela me passou o telefone do médico dela. Acontece que eu só tinha o dia seguinte, segunda-feira, para fazer. Porque na terça eu já voltava para Madri.

 

Caramba, como fui descobrir isso justo quando estou indo embora! Mas quer saber, não custa tentar. Na segunda-feira, assim que acordei, liguei para o consultório e contei minha história do menino perdido. Não é que consegui horário para o mesmo dia!

 

Deixei um marreco para o jantar encaminhado. Sim, era o último jantar antes de viajar de volta e meu pai ainda não estava comendo direito, assim que queria dar uma caprichada. Colocamos o prosecco da minha mãe para gelar e lá fui minha mãe e eu para o médico!

 

Resumindo, fiz o tal preenchimento com ácido hialurônico e a-do-rei! Fica bem natural, não some o tal do bigode, até porque a gente ficaria com a cara do fofão, mas dá uma suavizada na expressão. Dizem que dura uns 8 meses, já veremos, mas fiquei freguesa! Perguntei o que existia para se fazer no meu rosto, só para saber mesmo, porque o resto não me incomoda ainda. O importante é que agora tenho uma referência de médico e conhecimento de possibilidades.

 

Voltamos para o jantar e modéstia às favas, o marreco ficou show! Só sobraram os ossos para contar história! E lembra da inapetência do meu pai? Pois é, passou num instante! Minha mãe e eu ainda derrubamos o prosecco, e meu irmão conseguiu chegar para o finalzinho da garrafa. Ficamos ali, batendo papo e fazendo hora na mesa, meio que nossa despedida da viagem.

 

Na terça, só deu tempo de almoçar com eles e satisfazer o último desejo gastronômico: camarão ao catupiry do Shirley. Eles entregaram em casa e estava bem gostoso.

 

Pouco depois, saímos para o aeroporto. Fomos só minha mãe e eu de taxi. Ela tem os motoristas conhecidos que já ficam esperando por ela para voltar. É sempre dura a partida, fico dividida, um pouco de pena, saudade, dúvida se estou fazendo a coisa certa morando por aqui. Enfim, os dilemas de sempre. Depois a vida segue e a gente vai se ajeitando.

 

Fiz escala em São Paulo, mas não saí do aeroporto. A viagem de volta foi bem tranqüila. Tempo bom e por incrível que pareça, não houve uma só turbulência em todo o vôo! Coisa difícil de acontecer, mas agradeço.

 

Foi a primeira vez que entrei no país com passaporte espanhol, fila da comunidade européia. Estava curiosa e ansiosa, quase como se estivesse fazendo alguma coisa errada ou proibida. Engraçado como às vezes leva um tempo para entendermos nossos próprios direitos.

 

Luiz deu um jeito de ir me buscar, porque era dia de semana e para ele é complicado. Por sorte, cheguei na hora do almoço e deu para ele dar uma fugidinha e me ajudar a subir com as duas malas pela escadaria de casa. Os ingredientes da sua feijoada estavam em uma delas e passou tudinho, felizmente!

 

Meu gato estava todo carinhoso, eu sentia falta do meu bicho. Sou muito acostumada a tê-lo pelos meus pés todos os dias e já eram três semanas longe dele.

 

E é isso, cá estou novamente! De volta ao calorzinho madrileño e na expectativa do que os ventos de verão irão nos trazer!

7 comentários em “São Paulo – Rio de Janeiro – Madri”

  1. Oi Bi, fiquei triste de ler sobre o teu pai. Quem conhece ele sabe o quanto ele é ativo e comunicativo. Essa situação é com certeza super difícil pra tua mãe. O importante é se adaptar pra poder seguir aproveitando as coisas que dão prazer (como a festinha de aniversário). Desejo boa sorte pra todos por lá e que você consiga lidar com essa situação à distância da melhor forma possível. Sei bem como é o sentimento na volta do Brasil e os mesmos questionamentos passam pela minha cabeça.

    Um barato o lance da festa Ploc, pena que o Luiz perdeu essa, mas muito legal que ele se animou em ir pro Rio de surpresa.

    Beijos mil!

  2. Oi, Claudia! Pois é, fico preocupada também, a gente já sabe que ele não vai ficar bom de vez, mas tudo que se pode fazer para manter uma qualidade de vida melhor é sempre bem vindo. Logo que vim embora, o médico tentou reduzir a dosagem do tal remédio, mas daí voltaram as convulsões. Ou seja, ele realmente precisa dessa dosagem. Tento ser otimista, quem sabe o corpo se adapte melhor com o tempo, sei lá, ele já passou por tantas que ninguém acreditava, né? Acho duro para minha mãe tocar esse barco, até porque ela sempre ajudou nos barcos alheios. Por mais que ela esteja bem, também é uma senhora e tem seus problemas, precisa se distrair um pouco. Só que também não sei o que posso fazer para ajudar mais, minha presença no Brasil amenizaria, mas também não resolveria. Enfim, os dilemas de sempre. Felizmente, aprendemos com o tempo a não viver só em função dos problemas e vamos mesclando bons momentos no caminho. Para ser bem sincera contigo, apesar dos pesares, me diverti muito no Brasil e aproveitei bastante o que teve de bom também e não foi pouca coisa! 🙂 Besitos

  3. Ufa… cansei rsrs, que maratona hein… Só uma pessoa realmente treinada pra aguentar rsrsrs.
    Poxa, uma pena a situação do seu pai… Mas, quem sabe seja uma questão de tempo mesmo, pro organismo se acostumar. Até mesmo uma certa tristeza, uma depressãozinha pode ser o que está deixando-o meio caidinho. Será?. Estamos torcendo pra que tudo dê certo.
    Ahhh, a festa ploc, muito legal.
    Que bom Bi, que você se divertiu, que o maridão veio e que você pôde estar com sua família. Esses momentos certamente são tão importantes pra eles como para vc.
    Beijos

  4. Você deveria falar que “está bauzaca”, porque é depreciativo, e com a energia você tem ninguém diria! o__o Literalmente rodando de bar em bar, daria inveja a todos os meus amigos festeiros. Muito legal! Já estava sentindo falta dos seus posts por aqui…

    Ai, que legal que você pôde ver um monte de amigos! E dar uma sacudida de alegria na casa também, e que o Luiz também tenha ido pro Rio… parabéns por essas duas semanas e bem-vinda de volta 🙂

  5. Oi, Branca! Obrigada! Na verdade, foram quase três semanas, o tempo passa rápido, né? Não ligo de estar bauzaca não, estando bem e aproveitando a vida, para mim tá bom 🙂 E está chegando a hora de você vir… e a ansiedade, como anda? Besitos

  6. Oi, Ju! E você fez parte desses momentos 🙂 Bom ver vocês pelo Rio! Ah, e o fuxico está na minha mesa, ficou lindo! A mesa é antigona de madeira e combinou super bem, nem esperei uma festa de pretexto! Quanto à Festa Ploc, pelo que entendi, elas rolam com certa frequência lá no Circo Voador, fica atenta que dá para vocês irem na próxima! Besitos

  7. Eita, três semanas? Haja tempo. Bah, já deixei de acreditar que a idade tem grandes influência há algum tempo… e sim, daqui a pouco chego.

    A ansiedade está… equilibrada, no momento XD Mas daqui a pouco começam os preparativos mais imediatos, as festinhas de despedida, e tudo o mais, e aí vou estar arrancando os cabelos… Mas tempo ao tempo, né, só vou em fins de setembro.

    Besitos!

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