95 – A viagem

Desembarquei no Rio, fui uma das primeira a saltar do avião… e uma das últimas a pegar as malas. Entre uma coisa e outra, tive a gostosa experiência de passar pela imigração do meu próprio país. Sem fila e com um agente que mal olhou meu passaporte, mas reconheceu rapidamente meu sotaque e me apontou a saída mais próxima. Direto! Simples assim, fácil assim e bom assim. De maneira que a espera pela mala me cansou, mas não me aborreceu.

 

Meus pais me buscaram no aeroporto e já estavam preocupados pela demora, porque sabem que sempre levo comida como lembrança de viagem. A verdade é que dessa vez levei bem pouca coisa. Umas azeitonas, azeite, fuet, vinho, besteirinhas, nada demais. Estava todo mundo de regime em casa mesmo.

 

No dia seguinte, embarcamos meus pais e eu para Belo Horizonte para ver meu avô. Achei ele muito bem, dentro do quadro, é lógico. Debilitado, com dificuldade para se locomover, fazendo um pouco de confusão com as coisas, mas incrivelmente de bom humor. Agora, às vezes ele se esquece de algumas pessoas, nem sempre. E o curioso é que tem absoluta consciência disso. Ou seja, ele sabe que deveria lembrar e é consciente que está fazendo confusão. Enfim, por esse motivo, foi a primeira vez que me preparei para ele me encontrar e não saber quem eu era. Felizmente, isso não aconteceu, ele sabe quem sou, onde moro e tudo mais. Confesso que algumas vezes nosso assunto parecia conversa de bêbado, repetindo a mesma coisa várias vezes em uma altura pouco convencional. Não importa, não ligo.

 

O mais engraçado foi que meu avô agora está com um corte de cabelo feito a máquina, bem curto e, no hospital, as meninas brincando com ele inventaram de penteá-lo como moicano. Ele gostou! Em casa, ficava de farra passando as mãos no cabelo, centralizando o topete grisalho, como um punk. E essa é a imagem que escolhi para lembrar dele por aqui.

 

Foi legal também encontrar toda a família daquelas bandas. Minha tia, meus primos, minha priminha… antigos e novos integrantes. Acabei trazendo a documentação para tentar tirar a cidadania italiana, além de uma foto da minha tataravó, porque das bisavós já tinha.

 

Passados três dias, voltamos para o Rio de Janeiro. Daí só tinha uma semana antes de voltar e foi tudo muito corrido. A maior parte do tempo, como de costume, dei prioridade à família. Encontrei a casa dos meus pais um pouco triste, meu pai sem paciência para se tratar e minha mãe muito cansada. Mas não sei, ao longo da semana, apesar de alguns momentos difíceis, houve uma certa onda de otimismo e tive a impressão de que a situação começava a clarear.

 

O apartamento do meu irmão foi vendido e ele voltou temporariamente para a casa dos meus pais. Logo depois, cheguei eu para visitá-los, de maneira que a casa de repente ficou cheia e deu uma movimentada no astral. Sei lá, tudo foi se ajustando e tomando um rumo que me parece ser para o bem.

 

Encontrei um casal de amigos que morou aqui em Madri e foi show. Apesar de surreal, porque para mim era um pouco confuso encontrá-los na sua própria casa em outro país. Uma sensação de deslocamento esquisita, como se estivéssemos um pouco soltos no espaço. Pouco tempo para tanto assunto, mas deu para matar a saudade. Eles parecem felizes juntos, o que me deixou feliz também. De quebra, ainda levei uma quentinha depois do jantar. Engraçado isso, depois que saí do Brasil peguei esse hábito, amigos que comem aqui em casa, levam comida e faço a mesma coisa, assim na maior cara-de-pau. E acho ótimo! Acredito que a gente acaba desenvolvendo alguns laços familiares e perde a cerimônia.

 

Uma amiga do tempo de colégio me visitou com o filhinho. O interessante é que ela soube que estava grávida dele aqui em Madri, quando passeava com o marido. Luiz e eu fomos os primeiros a saber, pois jantamos juntos no dia em que ela confirmou a notícia. Ou seja, conheci a “notícia”, agora com uns cinco meses. Muito bonitinho e super tranquilo.

 

E falando em neném, também encontrei meus primos do Rio, com a priminha que consegui conhecer na maternidade na última visita. Outra linda! Aliás, o povo no Brasil está fértil, viu? É um atrás do outro! Deve ser a água. Ainda não consegui conhecer todos os filhos dos amigos, não dá tempo!

 

Meu irmão também namorando e a namorada tem uma filha que é outra fofa, mas já maiorzinha.

 

Love is in the air, everywhere I look around, Love is in the air… lá lá lá…

 

Enfim, a semana passou rápido e estava com vontade de chegar em casa, afinal de contas, depois de presenciar tanto romance, estava com saudades do meu.

 

No carro, ainda no aeroporto, ao ligar o rádio, ouvi aquela música ruim e pensei, estou em casa!

 

Cheguei em Madri em 17 de março e nosso aniversário de casamento foi em 18. Luiz reservou nosso jantar no Dassa Bassa, de um chef bem conhecido por aqui, chamado Dario Bario. Muito bom o restaurante e acabamos conhecendo o próprio Dario, que foi super simpático e ficou todo orgulhoso da gente comemorar as bodas por lá.

 

Na volta, passamos no Trifón para última copa, como não poderia deixar de ser.

 

Sábado que vem tem festinha em casa para comemorar com os amigos. É que não dava tempo de fazer a festa no mesmo fim de semana da chegada do Brasil. Vamos fazer um dia de comemorações. Temos amigos muito diferentes, por idade, interesse, filhos etc. Cada um poderia vir em um horário. Por isso, copiei a idéia de outra amiga e faremos assim, a festa começa a partir das 13:00 horas e vai até o último cliente. Os amigos virão por turnos. Uma boa forma de agradar a todos e caber todo mundo no apartamento. Será que isso vai dar certo?

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