94 – Turbulência

Viajei por dez dias. Cheguei dia 06 de março no Rio, só dormi e fui direto para Belo Horizonte, onde fiquei até dia 09. De lá, voltei para o Rio até 16 de março. Aterrizei de volta em Madri dia 17, bem a tempo de comemorar nosso aniversário de casamento, mas vamos contando pouco a pouco.

 

Que tal começar pela viagem de avião?

 

Não nasci com medo de avião, pelo contrário, até gostava. Um dia, por volta dos meus 12 anos acho, passei por um CB, cientificamente conhecido por cumbulus nimbus. No popular é a nuvem da tempestade. Teoricamente, o avião não pode entrar nessa nuvem, pois fica totalmente instável, correndo o risco de quebrar uma asa, por exemplo. Muito bem, na prática significa uma nuvem preta que faz um barulho horroroso, onde parece que o avião está freiando. Logo depois disso, ele perde o controle e passa por um tipo de turbulência onde cai tudo dentro do avião. Suficiente para me deixar com medo muitos anos. Depois disso, passei por urubu na turbina, pouso em furacão etc. Enfim, viajar de avião passou a ser algo nada muito agradável.

 

Assim como me veio o medo, foi embora no ano passado. Sem mais nem porque, simplesmente perdi o medo e adorei. Não vou dizer que ame voar, mas não é mais um problema.

 

Ainda bem, porque a viagem ao Brasil dura pouco mais de dez horas na ida e nove e meia na volta. Longa distância.

 

Convenhamos, viajar de avião é algo realmente muito esquisito. Como dizia meu sogro: mais pesado que o ar… inventado por brasileiro… sei não…

 

Em que outro lugar a gente paga caro para ficar igual a sardinha enlatada, e iniciamos com a representação de um possível acidente? Sério, a gente já entra sendo prevenida para agir caso a coisa não dê muito certo.

 

A parte que acho mais divertida é a explicação do uso do salva-vidas. Olha que prático, a gente com a máscara de oxigênio que despencou do teto, super tranquila, tem que ficar tateando embaixo da poltrona, onde a mão não alcança, para achar o tal do salva-vidas.

 

Daí a aeromoça adverte que aquela porcaria pode não funcionar. Mas tudo bem, porque nesse caso é só encher soprando por uma bombinha. Coisa também muito simples para se fazer em pânico.

 

Por último, avisam que o salva-vidas só deve ser inflado fora do avião. Ou seja, recapitulando, você apavorada, depois de cair trocentos mil metros, achar a porra do salva-vidas embaixo da poltrona e sair do avião atropelando todo mundo, ainda tem que, no meio de ondas gigantescas, descobrir se a porcaria funciona e, em caso contrário, soprar aquela meleca enquanto afunda. Mas também, vamos combinar, qual é a chance real de que se o avião cair você conseguirá usá-lo, né? 

 

Nesse caso, não seria mais simpático desistir dessa demonstração inútil, que ninguém presta atenção mesmo, e simplesmente fingir que nada de mal pode acontecer? Pronto! Todo mundo ficaria mais feliz. As aeromoças evitariam aquela cara de babaca lá na frente falando sozinhas, os passageiros se iludiriam que nenhum problema poderia passar… olha que maravilha!

 

Fica aí minha sugestão: acabar com as demonstrações de medidas de segurança e prevenções de como agir em caso de acidente. Se alguém tiver sorte o suficiente para estar vivo depois da queda, que se vire!

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