69 – Terça-feira em Madri

Fi-nal-men-te estamos na última semana de aula. Chega! Agora só fica faltando a exposição, que inaugura no dia 12 de dezembro e irá durar cerca de um mês. As duas peças que vou expor estão praticamente prontas, assim que estou prestes a dar o ano por encerrado.

 

Saí da aula na terça-feira, junto com minha amiga brasileira e, para variar, as duas famintas. Luiz viajando e eu com preguiça de cozinhar. Resolvemos jantar nós duas, alguma coisa leve.

 

Paramos no bom e velho Trifón, minha copa cozinha. Claro que era só para tomar um vinhozinho, comer rapidinho e pronto. Tudo mentira! Juntar duas baladeiras e acreditar que na segunda taça de vinho ainda teríamos algum juízo…

 

Bom, não tinha nada para fazer no dia seguinte mesmo, assim que demorei quase trinta segundos para aceitar a proposta de dar uma passada no El Junco.

 

Não sei quantas vezes já falei do El Junco, um bar de jazz pequeno, esfumaçado e com jeitão underground. Isso descreve o lugar, mas não a experiência, essa fica difícil definir. Foi mais ou menos assim, chegamos e o moçambicano-gente-boa-com-nome-de-vício nem cobrou nossa entrada. No fundo, rolando aquele show de jazz rasgado e informal. Não dava para saber direito quem era da banda e quem era do público, porque o palco é meio parte da pista de dança e os músicos se alternavam. A noite foi do trumpete, nem é meu instrumento favorito, mas a bola era dele. Engraçado isso nos shows de jazz, todos podem ser ótimos, mas a noite é sempre de algum, pelo menos na minha opinião. Sentamos em uma das pouquíssimas mesas altas e alguém tentou pegar meu whisky, acho que só para começar a conversar. Daí perguntou de onde éramos e eu disse Brasil, ele disse que era argentino e fiz uma indisfarçável careta, ele perguntou se a gente não gostava de argentinos e falei depende, da onde? Ele disse Buenos Aires e pensei, piorou! Tá bom, última chance, Pelé ou Maradona? Ele enrolou, mas disse Maradona. Lo siento, tío! Sem possibilidade de diálogo. Três erros em três respostas, acho que fui até legal porque não sabia se minha amiga estava interessada. Mais tarde, no banheiro feminino, eu, minha amiga e uma espanhola decidíamos algo importantíssimo para a humanidade, deveria deixar minha camiseta para dentro ou para fora da calça? Melhor para fora porque não estava de cinto. A espanhola achava o Brasil muito legal e quis saber o que achávamos de Madri. Pues yo, ¡encantada! Dançando na pista e fofocando em português, notamos a presença de um papagaio de pirata fazendo de tudo para escutar nossa conversa, até que perguntou se éramos polacas. Polacas?! Disse que ia ao bar buscar alguma coisa e perguntou se a gente também queria algo, muito gentil, mas não obrigada. Um cidadão se entitulando “el mago” se aproximou da minha amiga e começou a fazer uns truques de mágica com cartas, daqueles bem antigos. Acompanhava uma portuguesa que ficou minha amissíssima de quinze minutos, muito simpática. Quando ela foi embora, incentivei seu outro amigo, um espanhol baixinho bioquímico, a realmente deixar de fumar por sua namorada com nome de tênis. Ele dizia, sincero, que ía tentar parar por ela, mas claro que dizia isso enquanto acendia outro cigarro. O pessoal da banda passou por nós e avisou que iam para outro bar, chamado “El Barco”, e nos convidaram a dar uma passada por lá. Quem sabe, mais tarde. Muito bem, isso tudo junto, aliado a uma música excelente e à possibilidade de dançar do jeito que você quiser, é o El Junco.

 

Minha amiga e eu, saímos para procurar o tal “El Barco”. Pedimos informação ao simpático moçambicano da porta. Ele sabia mais ou menos onde era e foi ajudado pelo pedinte, a quem apesar de educadamente negarmos uma contribuição, participava com boa vontade da explicação. Bom, cada um falava uma coisa e nós entendemos uma terceira, porque nunca achamos o bar. Desistimos, já estávamos cansadas e paramos no “Sprint” para comer um cachorro quente, que na minha cabeça media uns dois metros! De lá, voltamos para casa.

 

Cheguei sã, salva e fedida a cigarro. Tomei um banho rápido e apaguei até o dia seguinte, quando acordei com uma ressaca daquelas! Burra, bebi pouca água. Também, Luiz não estava lá para me lembrar! Com a cabeça pesando duzentos quilos e totalmente mareada, fiz o que era mais lógico: me pesei. Beleza! Voltei ao meu peso. Só uma alma feminina consegue ver o lado bom de uma ressaca seguida de enjôos: emagrece!

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