54 – Vermelha

A exposição acabou, desmontei minha obra e consegui guardá-la em casa. Essa fiz pensando em como armazená-la depois. É impressionante como minha vida é totalmente estruturada para ser desestruturada, móvel. A consciência desse fato primeiro me era indiferente, depois passou a me incomodar um pouco, depois foi quase insuportável, agora tende a ser simplesmente mais uma variável.

 

Mudei a cor do cabelo, sou vermelha de novo, pronta para guerra, mesmo que seja contraditoriamente pacífica. Troquei a disposição dos móveis da casa, meus móveis-coringa para apartamentos-sanfona. Acendi os incensos. Joguei um monte de coisas fora, vendi e dei outras. Estou trocando meu guarda-roupa, na medida do possível. Minha maneira de cozinhar está modificando sutilmente, assim como meu paladar. Conheço bem esses rituais. Já sei que vem por aí mais uma troca de pele.

 

Por outro lado, estou bem. Preparada. Às vezes com um pouco de angústia, velha companheira, essa sempre me acompanhará. Mas não estou triste. É o signo de fênix e não me assusta mais queimar até as cinzas. É necessário e estou disposta a entrar na fogueira.

 

Minha fita do Senhor do Bonfim arrebentará em breve. Sinto que vai começar o jogo de cachorro grande.

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