47 – Quanto vale um sonho?

Há pouco tempo atrás, estava lendo um texto relacionado à importância de se ter um sonho. Para ser franca, nem me lembro se era uma reportagem ou estava em algum livro, o que ficou na cabeça foi a viagem que tive na sequência. Perguntei a mim mesma qual era o meu sonho, e para minha surpresa, não consegui pensar em nada específico.

 

Esse branco me assustou. Lembro quando poderia oferecer uma lista de, pelo menos, uns quinze sonhos, assim, de bate pronto! E, dessa vez, só podia pensar em coisas importantes, porém genéricas, como ser feliz, saudável, bem sucedida… Pode ser a maturidade, mas acho que é mais do que isso.

 

De repente, me dei conta que a impossibilidade de fazer planos a longo prazo havia se convertido, por tabela, em incapacidade de sonhar. A enorme habilidade desenvolvida para controlar expectativas me transformou em uma chata descrente.

 

Lutar contra a correnteza pode ser muito desgastante e, para quem precisa se adaptar a mudanças com frequência, a resistência é o pior caminho. Mas será que às vezes a gente também não precisa nadar um pouco contra a maré? Nem que seja para exercitar! Em que momento a estratégia oportunista se converte em passividade?

 

Acho que muitas vezes meu amuleto era minha crença de ser capaz de quase tudo. A certeza de domar meu destido era minha proteção. Agora me encontro nessa encruzilhada: do que mesmo quero ser capaz?

 

Sinceramente, andava muito incomodada buscando um sonho, até que me cansei de não encontrá-lo. Daí tropecei nele!

 

Na última semana, estive preparando um projeto para enviar ao Salão de Arte Contemporânea da Bahia. A obra que estou pleiteando é uma instalação autobiográfica que conta e resolve um ano complicado da minha vida. Entrar nesse salão é mais difícil que vestibular de faculdade pública! Minhas chances são remotas, mas pela primeira vez, sinto que tenho alguma chance. Pois bem, preparando o envelope para enviar hoje, senti um frio na barriga muito estranho. Estava nervosa e emocionada pelo simples fato de enviá-lo, sem nenhuma garantia de sucesso. Foi quando me dei conta que estava, finalmente, tentando realizar um sonho.

 

Pouco? Talvez, mas é um começo. E como foi bom lembrar que ainda posso e tenho tempo.

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