45 – Meu lobo

Luiz fez 40 anos. A festa, já contei na crônica passada, mas hoje, a comemoração foi só nossa. 

 

Devo ter algum problema, porque acho envelhecer muito legal. O aniversário nem foi meu e fiquei feliz da vida. Mal posso esperar para chegar a minha vez, quero ter essa sorte. Nem sei onde será a festa, mas posso garantir que será um festão.

 

Ele é mais discreto e respeito sua opinião. Portanto, a celebração do dia do aniversário foi em particular. Mas alguma coisa precisava ter, algum ritual de passagem era importante.  Afinal de contas, meu amor chegou na idade do lobo.

 

Pois começamos em grande estilo, com uma Veuve Clicquot na temperatura ideal, tinindo de gelada. No calor que faz em Madri, foi show! E por que não, ao som de Dire Straits, afinal de contas, combinava com o contexto.

 

Na sequência, um Pera Manca 2001, que apesar do nome esquisito, é um vinho fabuloso. Como curiosidade, foi o mesmo que Cabral serviu aos índios e é citado nos versos de Camões. Finalmente, Luiz conseguiu comprá-lo e era perfeito para ocasião. Entre a champagne e o tinto português, é assunto nosso, mas o jantar não foi nada mal.

 

Difícil eleger a comida, não tinha o sabor desse vinho na minha memória e me senti desafiada. Fiz um rocambole de carne de porco e de frango, coberto por presunto cru e recheado com queijo, pêssego e marrom glacê. De acompanhamento, um tomate com queijo de cabra e uma salada de espinafre com rabanetes. Estava tateando no escuro em termos de sabores e combinações. Acredito que em uma próxima oportunidade, tentaria uma carne de cordeiro ou uma ave de sabor mais pronunciado.

 

Vinho interessantíssimo. Para um paladar menos preparado, pode decepcionar no início, porque a expectativa é alta. Entretanto, como quem sabe que não precisa provar nada a ninguém, o Pera Manca chega devagar. Não é um vinho de explosão, mas de intensidade, persistente. Poderia ser mais adequado para a ocasião?

 

E assim passou a noite, nós três, Luiz, eu e Jack, entre telefonemas de amigos e mensagens pela internet. Às vezes, a vida pode ser muito boa.

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