43 – Nem tudo que reluz é ouro

Fiquei meio reticente em escrever essa crônica. Gosto de falar bem dos lugares, criticar entra em lugar comum.  Mas vá lá, como estou no assunto restaurantes e na mesma rua “Jorge Juan”, também é honesto que conte as experiências não tão boas.

 

Há bem pouco tempo, abriu um lugar chamado “Pan de Lujo”. Vi uma reportagem que me chamou atenção. Foi montado em uma antiga fábrica de pães e, por isso, ganhou o nome. Decoração moderna, pratos originais, perto de casa… Estava aguardando o momento de conferir, até que fomos no fim de semana passado.

 

Ao entrar no local, a impressão foi ótima. O restaurante é simplesmente lindo! Tem uma parede de janelas com o mesmo mecanismo de uma porta de garagem, daquelas que abrem inteiras. A visão é um enorme e relaxante espelho d’água. Realmente, se destaca em relação aos seus concorrentes em Madri. Ponto positivo!

 

Tem área de não fumantes! Ainda que seja lei, na prática os clientes fazem um pouco de corpo mole e os garçons, vista grossa. Aliás, aqui se diz “vista gorda”.

 

Achei que começamos bem. Luiz não fez por menos e pediu um Brunello di Montalcino. A noite prometia.

 

Daí o serviço começou a pecar. Aqui é muito comum haver um só garçon para atender uma quantidade grande de mesas. Entendo isso em uma taberna, onde você paga pouco mais de um euro por uma taça de vinho. Economia de escala, natural. Mas convenhamos, não era o caso. Ou, pelo menos, não deveria ser.

 

Na prática, havia dois ou três garçons perdidinhos da silva para atender umas cem pessoas! Isso quer dizer que mal posso reclamar do serviço, porque ele praticamente não existiu. As raríssimas vezes que o pobre do garçon conseguia chegar na nossa mesa era para se desculpar pela demora. Sem contar que nem a posição dos talheres o indivíduo sabia ordenar. Pequenos detalhes que passariam como distração se não fossem se acumulando. Isso não é culpa dele, é falta de gente e de treinamento, culpa do dono.

 

Com tudo isso, o lugar era tão legal e a companhia tão agradável, que fui relevando e aproveitando o momento. Finalmente, chegou meu prato principal. Depois de toda aquela demora, esperava algo surpreendente. Não deixou de ser surpreendentemente fraco, desde a apresentação ao sabor. Não era ruim, era medíocre.

 

Posso ser capaz de perdoar muitas falhas em um restaurante, dependendo do que me ofereça em troca. Mas existe um ítem que não se perdoa margem de erro: comida. Uma excelente comida pode compensar uma decoração cafoninha e um serviço despreparado, mas a recíproca não é verdadeira, a ordem dos fatores altera o produto!

 

Que pena, foi quase um dos meus favoritos e agora nem tenho vontade de dar uma segunda chance!

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