40 – Última semana de agosto

Setembro está batendo na porta, junto com os madrileños que voltam para casa. A cidade ainda não está a todo vapor, ou “a toda mecha”, como diríamos aqui, mas se percebe a diferença nas ruas e no trânsito.

 

Por um lado, é assim que gosto de Madri: animada. Por outro, é a última semana de férias… joder! Caraca, que falta de paciência de voltar para a faculdade! Estou numa má vontade que dá gosto! Fico repetindo para mim mesma que o primeiro semestre já foi, só falta mais umzinho e pronto. Será uma linha no meu currículo que me ajudará um dia, ou pelo menos, preciso acreditar nisso agora.

 

Essa semana, acho que entendi o motivo real da minha apatia nessa área. O curso me fez cair a ficha que a Espanha não é mercado para mim, e me dá aquela sensação de preguiça de fazer um esforço inútil. O negócio aqui é pintura, colorido e política. Tudo que meu trabalho não é! Claro que estou simplificando, é mais do que isso, mas vai por aí.

 

Não é desculpa para que eu não possa fazer nada, há alternativas. De toda maneira, estar aqui me abre uma porta para Europa e cabe a mim encontrar uma brecha. Preciso colocar meu pé na Inglaterra, Alemanha, Holanda… lugares onde meu trabalho funcione. Nesse caso, talvez possa ajudar a tal linha no currículo, com uma formação acadêmica européia na área de Artes. É nisso que venho me concentrando como motivação.

 

Ficaria mais fácil se respeitasse meus colegas de curso e, como normalmente esse sentimento é recíproco, mesmo que mascarado com a educação, é provável que eles também não me respeitem. Sinceramente, isso não me importa tanto. O problema é que a minha pouca generosidade em olhar em volta está fazendo com que também olhe para meu umbigo com o senso crítico cáustico habitual, que tanto esforço me custou para amenizar.  Achei que tivesse resolvido isso, mas não resolvi, é a minha natureza, será sempre um esfoço forjá-la. Há poucos rostos que olho e penso: esse tem chance, pode decolar. E, por isso, também passei a me olhar no espelho e pensar, e eu? Será que tenho chance? O que é ter chance?

 

Às vezes acho que poderia relaxar um pouco, não levar tão a sério, afinal de contas, também não tenho problemas pessoais de relacionamento com os outros artistas, não da minha parte, é falta de interesse mesmo. Não vejo o que posso oferecer nem o que possa ganhar e essa impossibilidade de criar alianças me irrita. Daí, rola a culpa de ser tão calculista, fria e crítica e, em paralelo, uma enorme sensação de perda de tempo. Devo ter alguma coisa que aprender com isso, alguma lição, só não entendi ainda qual é. Quem sabe seja aprender a calar minha boca.

 

Tenho a impressão que os próximos meses passarão lentos, mas passarão.

 

Respirar fundo, acender um incenso, posição de lótus, murmurar o mani padami… ooooohhhuuuuuuummmmm….

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