39 – Subindo a serra

Com a chegada do carro, estamos conhecendo uma parte diferente da cidade: a Madri longe! Claro que longe é uma questão de referencial, e a minha referência é o centro da cidade.

 

Aqui segue um pouco o conceito americano de suburbios. Ou seja, as casas e os apartamentos maiores ficam afastados do centro, em alguns casos, até em algum município adjacente.

 

Sou bicho de cidade, não temos filhos nem planos e não quero dirigir. Portanto, o suburbio, que aqui chamamos “cercanías”, para nós não faz sentido. Por outro lado, não sou exatamente o que se pode chamar de uma pessoa de convicções eternas e acho que as portas devem permanecer abertas. Então, não custa passear pelas redondezas e saber o que há de diferente, nem que seja para confirmar nossas opções atuais.

 

Como sou uma gulosa, ou melhor, gourmand que fica mais chic, uma boa maneira de cativar minha atenção é me sinalizar boa comida. Por isso, nesse momento, a gente tem buscado um roteiro gastronômico um pouco mais afastado, o que serve de pretexto e motivação para passear pelas “cercanías”.

 

Compramos um GPS para facilitar nossa mobilidade. Sempre resisti a ter um, porque prefiro arriscar os caminhos, me deixa mais atenta e acredito que ajude a fixar melhor as possibilidades de rotas. Mas não sou eu que estou dirigindo e realmente o tal do brinquedinho é prático. Luiz colocou uma voz de mulher indicando o trajeto e, por causa da marca, ela passou a se chamar “Tomtom”.  A parte engraçada é que ele consegue implicar e discutir até com a Tomtom!

 

Muito bem, mas vamos ao que interessa. Luiz trabalha em Las Rozas, um município que fica a mais ou menos uns 40 minutos de carro da nossa casa. Pode ser em menos tempo, é que aqui o trânsito também é muito movimentado e ele pega alguns “atascos”, que não são “atalhos” e sim engarrafamentos. Enfim, assim como os brasileiros e diferente dos americanos, o espanhol tem o saudável hábito de almoçar. Daí Luiz acaba conhecendo alguns restaurantes legais próximos ao seu trabalho. Quando ele vai a um que acha que vou gostar, a gente já tem um lugar para ir depois com mais calma.

 

Ontem fomos a um restaurante chamado “La Santina”, que fica em Galapagar, um município a cerca de uma hora de Madri e pouco depois de Las Rozas. Fica na serra e, óbvio, o clima é bem mais fresco que aqui. A comida é asturiana e o lugar não me pareceu frequentado por estrangeiros. Também, além de longe para burro é meio escondido, você só vai se tiver alguma indicação. Mas vale a pena!

 

Um dos pratos mais conhecidos da região de Austurias é a “fabada”. Um tipo de feijoada feita basicamente com feijão branco, lingüiças (morcillas e chorizos), toucinho  e  açafrão. A oferta de frutos do mar também é bem interessante. A bebida típica é a Sidra, que é literalmente atirada ao copo de longe e do alto. Não é só por charme, precisa ser servida assim. Entorna-se a garrafa o mais alto possível e se derruba o jorro de maneira que ele bata na boca do copo e, com esse impacto, se oxigene. Fica mais divertido quando está ventando e a pessoa se esforça para acertar o alvo. O sabor me lembrou o da cerveja, que não gosto. Portanto, não sou a pessoa mais indicada para recomendá-la. Posso dizer que é bem diferente das sidras brasileiras e francesas. Luiz gostou.

 

O passeio é interessante, não só pela comida. A gente pegou uma estradinha que nos fez lembrar o caminho para Teresópolis. Na volta, já escuro e ao som do Rappa e Janis Joplin, deu para ver Madri completamente iluminada, linda!

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