32 – El coche

Um ano e meio depois de chegar em Madri, jurando que não queria mais dirigir na vida, eis que entra ele cheio de moral: o carro novo!

 

Havíamos abandonado esse conceito de ter carro, até que Luiz passou a ter direito a um no seu trabalho. Quando alguém te oferece uma BMW zerinho, totalmente na faixa, vamos combinar que fica difícil dizer não.

 

Essa história começou há pouco mais de um mês atrás, quando ele descobriu que poderia ter direito a um carro pela empresa. O processo é um pouco burocrático e não tínhamos certeza de quanto tempo tardaria. Resolvemos esperar, sem contar muito que fosse acontecer. Pois aconteceu.

 

Como contei na crônica anterior, tínhamos visitas em casa e Luiz fez surpresa ao chegar com o carro novo. Vou confessar que gostei da idéia. O automóvel vai ficar com ele, que realmente precisa. O escritório agora fica mais distante do nosso apartamento e não há como chegar de metrô. No meu dia-a-dia, um carro não me faz falta e vai continuar sem fazer, mas é bom ter uma mordomia de vez em quando. Acredito que vá ajudar também a conhecer melhor os arredores de Madri.

 

Claro que vem acompanhado de alguns probleminhas básicos, como por exemplo, onde estacionar? Agora é fácil, agosto a cidade é vazia e sobram vagas, mas em setembro essa situação vai mudar rapidamente. Estamos buscando lugares próximos para alugar uma garagem e espero conseguir resolver isso logo.

 

Há uma outra questão pendente, tanto eu como Luiz temos as carteiras internacionais. Entretanto, para dirigir aqui, precisamos tirar a carteira de motorista espanhola. Isso significa que precisamos fazer auto-escola e provas teórica e prática. Um saco, né? Mas não tem jeito. Acho que a minha, vou adiar um pouco mais, já que não devo dirigir mesmo. Acontece que Luiz precisará fazer o mais rápido possível. Isso aqui é a maior máfia, você precisa pagar cerca de 200 euros para uma escola, mesmo sabendo dirigir e já tendo carteira em outro país, e depois fazer os testes, que não são nem um pouco simples. A prova teórica inclui mais questões de primeiros socorros do que de direção. Paciência, espero que na minha vez o Brasil tenha algum acordo com a Espanha e não tenha que passar por essa chatice novamente. A propósito, passamos por isso em Atlanta também.

 

Quanto à relação com o carro, para mim ocorreu algo curioso, acho que quando a gente mora em São Paulo, existe uma ligação direta entre seu automóvel e seu status social. Acontece em outros lugares, mas pessoalmente, percebi isso de maneira mais clara em São Paulo. Você se sente o que o seu carro é. Em parte, talvez seja por passar tanto tempo nele. Nos Estados Unidos, isso também ocorre, mas como estava de implicância, não dei muita atenção por um certo despeito. Aqui, de repente senti que me empolguei toda pela marca do carro. Achei que me sentiria mais importante e fiz mil gaiatices com Luiz e seu super carro novo. Mas a verdade é que, quando entrei no automóvel, ao ouvir as brincadeiras das nossas hóspedes, que estreiaram o carro conosco e também ficaram de gaiatice com Luiz, a única coisa que vinha na minha cabeça era: mas é só um carro. Será divertido e nos dará maior mobilidade, mas é só um bem de consumo. Eu não sou ele, nem quero ser.

 

Continuarei caminhando pelas ruas, fazendo nossas compras a pé e voltando da balada de taxi. Afinal, ficamos caretas, no bom sentido, e só bebemos com responsabilidade. Ocorre que bom mesmo é ter carro e não precisar.

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