20 – Outra vez a Copa

Estou uma acompanhadora assídua dessa Copa 2006. Além dos jogos do Brasil, assisto a outros tantos. Nunca estive torcendo em uma Copa onde conhecesse tanta gente de tantos lugares diferentes do mundo; nas passadas, meus amigos ao redor eram sempre brasileiros. Agora, além deles, também são espanhóis, franceses, alemães, mexicanos, koreana… tem de tudo!

 

De quatro em quatro anos, descubro porque levo esse tempo todo sem assistir futebol: é que me dá o maior nervoso! Cassilda, é duro admitir, mas eu gosto de futebol! Paro de ver os jogos depois da Copa porque levo muito a sério. E agora, ainda por cima, fico nervosa com os jogos do Brasil e dos outros países! Joder, tío que fuerte!

 

Ontem, depois de assistir e comemorar a vitória da Alemanha, fui com Luiz a um restaurante e bar mexicano, chamado ”Sí, Señor”. Temos uma amiga mexicana, que mora com uma amigona brasileira, que nos convidou e estava lá com uma galera. Cheguei até meio borocoxô, ando com o humor mais ou menos, mas me animei com a torcida super empolgada e barulhenta.

 

Sei que é algo meio estranho um casal de brasileiros no meio de uma colônia de mexicanos e ainda por cima em Madri. Mas havia um bom motivo, o jogo era contra a Argentina. México perdeu, mas foi suado, uma pena. Na dúvida, já havia torcido para Alemanha antes, que acredito que dê conta do recado na próxima partida.

 

E hoje fomos a um churrasco de salsichão na casa de um casal de alemães. Foi também mais um casal de franceses e assistimos todos juntos ao jogo de Portugal e Holanda. A narração estava em alemão, conversávamos em espanhol com diversos sotaques, olhava a tela e via o brasileiro Felipão saltitante pelo time de Portugal. Francamente, às vezes isso é meio confuso, o mundo de repente me pareceu tão misturado!

 

Na semana passada, quando atravessava uma rua, um homem negro dirigindo um carro avançou o sinal. Estava errado, mas fez isso devagar, acho que se distraiu mesmo com tanta gente. Uma senhora pelo meu lado falou alto: está pensando que está na sua terra? O resto das pessoas riu, acharam engraçado a piadinha preconceituosa; eu não achei, fiquei com vergonha por ela. Na minha cabeça só vinha uma frase: sim senhora, no planeta terra. Mas acho que isso ela não seria capaz de entender.

 

Nesse momento, os países me parecem times de futebol, não são muito diferentes deles. Os jogadores e técnicos competem em equipes diversas pelo mundo, às vezes em seu próprio país e às vezes não. Em determinada ocasião são chamados a defender sua bandeira, sua raiz, sua nação. Cada país defende seus interesses sob regras e, quase sempre, ganha o melhor, pelo menos em tese. Ao fim da partida, vemos adversários se abraçando e muitas vezes sabendo que se encontrarão no mesmo time em breve, quem sabe em outro país que pode ser de nenhum deles. FairPlay. Não seria bom se o mundo fosse sempre assim?

 

Hoje vi a surrealista cena dos jogadores expulsos de Portugal e Holanda, em um jogo razoavelmente violento, sentados juntos conversando civilizadamente. Aliás, fora da Copa, são do mesmo time. Se por um lado me pareceu bizarro, por outro foi familiar. Puxei da memória e me lembrei algo que tenho muito orgulho, ainda que na época não tivesse muita noção do que significava.

 

Quando tinha por volta dos sete ou oito anos de idade, tinha uma amiga favorita no colégio. Nessa idade a gente tem sempre “a melhor amiga”. Minha melhor amiga mudou de turno e nos separamos. Alguns meses depois, foi realizado um tipo de competição entre as turmas desse mesmo colégio e passamos a ser de times diferentes. Revê-la foi uma alegria enorme, me pareceu um super encontro. Nossa torcida, sentada em um tipo de arquibancada, ficava lado a lado, com uma escada no meio. Sentamos nós duas no meio dessa escada, ela do lado da sua equipe e eu do lado da minha. Assistimos a competição abraçadas, cada uma torcendo para seu time. Claro que alguns alunos, também crianças, fizeram seus protestos quanto à nossa estranha torcida, mas desistiram muito rapidamente, pois eu a defendia no meu time e ela me defendia no seu. Não me lembro mais quem ganhou, era o menos importante.

 

Acho que finalmente entendi porque uma Copa do Mundo importa e porque mobiliza tanta gente. Pode ser utilizada de maneira distorcida ou manipulada pela imprensa, mas no fim das contas e acima de tudo, deixa sempre seu exemplo.

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