108 – Moving song

Quinta-feira prometia ser um pouco aborrecida. Luiz ainda viajando e eu sem grandes coisas para fazer.

 

Uma amiga espanhola resolveu ter aulas de salsa perto da minha casa e ficou de passar depois da aula para sairmos de tapas, não confundir com sair no tapa que é outra coisa. Muito bem, de repente, vai que a quinta não seria tão má assim. Daí um amigo brasileiro chegou com algumas encomendas e não sabia se passava eu na sua casa ou ele passava aqui para deixar. Dei a idéia, tenho uma amiga vindo aqui na quinta, não quer se juntar a nós? Topou. Na própria quinta, chega de viagem uma amigona disposta a fazer alguma coisa para matarmos a saudade do papo e da cidade. Ué, então vem também! Veio ela e outro amigo que não via há alguns meses.

 

A primeira garrafa de vinho, abri só para esperar todos chegarem. Mas e a preguiça que bateu de sair para algum lugar? Então, pronto, abro a próxima garrafa e vira festa. Além do mais, imagina se viria gente em casa e não teria nenhuma comidinha na manga, claro que tinha. Um caldo verde quase light, pouca batata, muito paio.

 

Ganhei um monte de presentes, assim do nada. Meu amigo brasileiro, das encomendas, me trouxe regalitos culinários, sabe que sou chegada ao fogão. A amiga espanhola me trouxe uma morcilla de cebola especial para experimentarmos. A amiga brasileira, esteve em Recife e nos trouxe uma peça autêntica ma-ra-vi-lho-sa do Brennand! Fiquei feliz, não preciso ganhar presentes, mas adorei, me senti querida.

 

No dia seguinte de manhã, depois de uma semana longe, chega Luiz. Cheio de presentes também. E eu, caramba! Mas que onda boa! Não sei o que fiz para merecer tantos presentes, nem é meu aniversário. Talvez ainda não tenha feito, quem sabe é um sinal para pensar mais nos outros. De qualquer maneira aproveitei.

 

Uma das coisas que ganhei foi uma máquina fotográfica bem pequena, para morar na minha bolsa. Muitas vezes estou na rua e quero registrar um momento. Tento registrar esses momentos quando escrevo, mas às vezes acho que uma imagem ilustraria melhor. E já comecei a usar meu brinquedinho novo.

 

Na sexta, fomos ao clássico Trifón. Luiz voltando de viagem, uma amigona brazuca também voltando depois de três semanas fora. Às vezes, a gente precisa ir a alguns lugares para saber se o mundo também ainda está no mesmo lugar. E estava, no mesmíssimo bom lugar.

 

O problema foi caminhar as duas horas do dia seguinte! Na porta do parque já estava cansada. A vida boêmia é ligeiramente incompatível com a vida atlética, mas dá-se um jeito. Vou ver se dou uma maneirada etílica nesse mês e, nas duas últimas semanas antes do Caminho, corto tudo alcoolico. No resto do dia só morgamos e curtimos a tranquilidade que é um feriado em Madri.

 

Acontece que Madri é uma moving song, não sei como descrever melhor. Às vezes, tenho dificuldade de falar da cidade sem usar o gerúndio. As coisas simplesmente vão acontecendo e, quando dispostas, as pessoas vão aceitando e aproveitando as oportunidades que a cidade alavanca.

 

No domingo, acordei tarde, não sabia se iria caminhar, talvez me desse um feriadinho também. No MSN aparece minha nova amiga botando pilha para irmos andar no parque. Quer saber, por que não? Então vamos.

 

Cheguei em casa e Luiz queria sair para comer. Cassilda, no feriado, domingo, às 16:30… joder! Vai ser difícil, mas vamos tentar. Conseguimos em um dos restaurantes americanos, acho que os únicos que estavam abertos. Foi quando pensei ser uma sábia decisão ter caminhado aquele dia, pois acabava de ingerir milhões de calorias. Dali, dois amigos chamaram para encontrar em um bar perto de Alonso Martínez. Fomos. De lá, vocês já viram 300? Ah, então vamos. Caminhamos até o cinema no centro da cidade, onde conseguimos ver o filme na versão original.

 

Aliás, adorei os efeitos especiais do filme. Digo, aqueles abdômens especiais. Vamos combinar, aquilo não pode ser sério, né? Vem cá, 300 homens sem nem uma barriguinha?

 

Na saída, nossa amiga havia contado que a terraza do Hotel Reina Victoria já estava aberta. Ai, que curiosidade! Vamos dar uma passadinha? Já estamos do lado mesmo. Pois o lugar é o máximo! Fizeram um ambiente com um toque oriental, chic e despojado. Alguns sofás, futons, mesinhas e uma vista privilegiada da Plaza de Santa Ana. Voltaremos.

 

Apesar do feriado, de nós quatro, só eu não precisava trabalhar hoje. Portanto, dalí voltamos para casa. Satisfeitos, dia bom. Moving song…

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