99 – Há dias melhores que outros

Passagem para o Brasil marcada! Vou para o Rio em 12 de fevereiro e volto em 3 de março. Tentarei passar por São Paulo, nunca é muita coisa, mas queria estar por lá pelo menos uns 3 ou 4 dias, vamos ver se consigo. Agora, até a data da viagem, sei que o tempo vai voar.

 

Ontem, voltamos ao coral, depois das férias de fim de ano. Faremos uma apresentação em março e terei que me virar para ensaiar sozinha do Brasil mesmo. A novidade é que vou tocar o tantam, ai que mêda! Não tenho mais vergonha de fazer apresentações cantando, bate um friozinho na barriga, mas é gostoso. Entretanto, tocando, será a primeira vez e acabarei chamando atenção porque acho que será o único instrumento grave e o que fará a marcação. Isso quer dizer que se errar qualquer coisinha, haverá uma seta vermelha apontando para minha testa, e ainda atrapalho o grupo.

 

Uma coisa é tocar aqui dentro de casa para amigos levemente alcoolizados. Outra totalmente diferente é estar em um palco fazendo isso! Mas tudo bem, mesmo dando um pouco de preocupação, no fundo estou achando o máximo. Quem não arrisca…

 

Hoje já dei uma treinadinha, batuquei junto com clips no youtube. O meu termômetro em relação aos vizinhos foi o Jack. Ele não suporta barulho e ficou deitado bem próximo, sem se assustar ou fugir. Isso dever querer dizer que realmente toquei suave.

 

Quero ver se também consigo montar um portfólio para levar para São Paulo e tentar agendar alguma exposição por lá. Está me batendo os cinco minutos de fazer alguma coisa nessa área e sei que pela Espanha é mais complicado para mim.

 

Ando meio chateada de estar morando aqui, no apartamento. Depois de saber que é alvo de disputa e de infelicidade, fiquei sensível e o aproveito menos. Em teoria, nós não temos nada com isso, mas é difícil ficar totalmente fora. Ontem mesmo, o ex-marido da proprietária ligou para cá, pressionando com algumas perguntas. Por mais que não entre no jogo, é bem desagradável, me sinto mal. Ao mesmo tempo, não é o momento de sairmos, a não ser que sejamos realmente obrigados, então é melhor enfiar minha viola no saco e deixar isso para lá.

 

Acontece que mais uma vez estou nas mãos dos do-cu-meeeenn-tos, esses fantasmas que me atormentam desde que deixamos o Brasil. Agora temos um fantasma novo, a criiiiiiiiise! Não aguento mais as pessoas conversando em tom baixo e grave sobre seus possíveis efeitos, como se falassem de uma epidemia fatal que vem se aproximando. Em ambos os casos, mais que os efeitos colaterais, me preocupa a baixa da moral, o desânimo. E me irrita sentir as mãos atadas, talvez não estejam, mas sinto assim.

 

Minha vontade de ser mãe diminui proporcionalmente às possibilidades. Natural, essa opção sempre implica em uma crença no futuro e nas pessoas. Não estou evitando, mas me peguei mais de uma vez torcendo para o acaso negativo, o que não me parece um bom sinal. Alguma coisa em mim mudou por esses tempos e talvez o corpo tenha entendido a mensagem antes da cabeça. De uma maneira ou de outra, é bom saber que não carregarei mais o peso da dúvida ou o da falta de coragem. É possível que seja a primeira vez que faço um real exercício de perda de controle e não enlouqueço, essa experiência me servirá.

 

Pero, bueno, um dia de cada vez. Hoje é sexta-feira, mais tarde sairemos com amigos. Sei que vou cantar, sorrir, conversar, pagar algum mico e pensarei que, no fundo, até que a vida é divertida.

 

 

 

 

 

4 comentários em “99 – Há dias melhores que outros”

  1. Oi minha amiga!!

    Pois sim, há dias BEM melhores que outros. E é assim mesmo.

    A crença nas pessoas e na vida é algo que muitas vezes fica complicado de preservar, mas nada e nem ninguém ainda conseguiu me tirar essa crença. E olha que muita gente tenta… hehehehehehehehe

    Mas quer saber? As coisas acontecem sempre por uma razão. Claro que somos responsáveis pelo que acontece com a gente e ao nosso redor, mas tem coisas que realmente são impossíveis de serem administradas. Sabes muito bem que eu gostei da tua atitude de pelo menos tentar, já que sentias essa vontade. Mas se não der, ok. Irá acontecer o melhor para ti. E andar perto do precipício sempre é bom.

    Que ótima notícia que você vai conseguir vir para o Brasil mesmo. Quem me dera morar mais perto do Rio… hehehehehe. Mas enfim… quem sabe o que a vida nos reserva? Se não for agora, outro dia será.

    Quanto à tão falada crise… ela é real e veio para abalar países como Espanha, mais que outros. Mas, sinceramente? Não acho que isso vá afetar o pedido de vocês de cidadania. O buraco não chega a ser tão embaixo. A crise afetará empregos, consumo e etcéteras, mas não acho que afetará a questão do direito a cidadania.

    Beijos grandes, minha amiga, e fica bem. Tudo dará certo.

  2. Oi, Alê!

    Alguma chance de você dar uma voltinha no Rio de Janeiro? 😀 Mais perto que Madrid! Hoje vamos ao Brasileirinho, o Afonso vai tocar.

    Besitos

  3. Bianca, na Espanha a crise pega mais forte pelo passado espanhol de ditadura, pelos governos dèbeis, mas uma coisa no espanhol è firme, o pessimismo e a burocracia, mesmo porque quando sair sua cidadania a crise ja tera vindo e voltado.
    Eu te animo a preparar um portfolio pro Brasil, morando na Europa vc tem muito mais chances de conseguir algo por là.
    Outra coisa o embaraço, veja quando eu tinha cinco anos de casada e nao queria embaraço de jeito nenhum, tinha ovarios policisticos um utero fibroso so com a metade normal, e por vias das duvidas meu medico para garantir me pos um DIU, e que passou? pois o Diu como um corpo estranho dentro do utero fez com que meu corpo se acostumasse, resultado embaraço com DIU parto prematuro de minha unica filha que nasceu com 1400kg 36 cms prematura de sete meses, porque metade de um utero so aguenta um Diu e um bebe de dois kg, ves as coisas quando tem de ser sao, ela tem hoje 26 anos esta fazendo doutorado de microbiologia marinha em Portugal, e ate hoje nao sei se foi bom ou nao.
    um beijo.

  4. Oi, Antonia!

    Também acho que a crise está aí e é real, mas tem horas que francamente me torra a paciência! Tenho um pouco de receio que se transforme na próxima desculpa-para-tudo. Não sei se afetará a cidadania, difícil dizer, espero que não.

    Caramba, e que história incrível da sua filha! Realmente, quando as coisas tem que acontecer, acontecem. E vamos ver o que 2009 nos reserva, né?

    Besitos

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