83 – Quem mata a cobra…

Muito bem, sem nenhuma conotação grosseira por favor, acho que quem mata cobra, tem que mostrar o pau!

 

Quanto a alguns vinhos, o texto passado ficou meio Sílvio Santos, naquele esquema, o filme é bom, eu não vi, mas minha mulher viu, o Lombarde viu… e por aí vai. Pois bem, citei alguns que me pareciam muito bons, mas não havia tido tempo nem condições etílicas de comprovar. Felizmente, essa é uma condição temporária que vamos mudando com prazer.

 

Esse fim de semana, experimentamos dois vinhos, o Prado Enea, Gran Reserva, na faixa dos 30 euros, e o Beronia, Reserva, na faixa dos 12. Digo os preços por uma questão de justiça, o nível de exigência também precisa ser proporcional. Além do mais, foram comprados diretamente na fonte, ótimo para nós, sem variações de câmbio ou impostos de importação. O que faz uma diferença brutal. Mesmo na Espanha, só de sair da Rioja, encontramos o mesmo Prado Enea por 40 euros. Não creio que fique mais caro do que isso, porque os vinhos não variam tanto assim de preço aqui, mesmo nos restaurantes.

 

Aliás, falando em preços de vinhos, preciso dizer, não há milagre! Acho o seguinte, não quer gastar, entendo. Não pode gastar, entendo mais ainda. Juro! Mas não me diga que o preço é puro marketing, nem tente encontrar aquela vinícola quase secreta, escondida no meio do nada, que tem um vinho fabuloso, baratíssimo, e quase ninguém conhece. Você foi um dos eleitos! Por favor, me poupe! Existe sim vinícolas de baixa produção e de excelente qualidade, mas os vinhos não são baratinhos e muito menos secretos. Sorry! E não, aquele vinho de 3 euros não é ótimo! Posso tomá-lo e sorrir, se for visita, posso nem ter dor de cabeça, mas por favor, não insista para que concorde com isso. Ficamos combinados?

 

Então, vamos ao que interessa, começando pelo Prado Enea 2000. Adianto logo, um show! As uvas são Tempranillo, Ganacha, Graciano y Mazuelo.

 

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Para quem prefere uma análise mais técnica, sua nota de cata, a qual concordo em gênero, número e grau, diz o seguinte, visualmente, cor rubí de alta intensidade; aroma de especiarias, couro e tabaco (sexismos à parte, realmente me pareceu um vinho bastante masculino); e na boca, harmônico, potente, persistente e elegante. Envelhece 12 meses em depósitos de carvalho de 16.000 litros, 36 meses em barricas de carvalho, e 36 meses em garrafa. Sua graduação é de 13,5o e a temperatura de serviço 18o C.

 

Como opinião pessoal, é um vinho intenso, encorpado, mas ao mesmo tempo, é elegante e guarda uma certa suavidade, ainda que seja um Gran Reserva. É um perfeito cavalheiro!

 

Outra coisa que acho interessante nos bons vinhos, muita gente se inicia esperando um sabor gostoso, mas digo sempre que gostoso é chocolate, vinho é outra categoria, é um prazer adulto, maduro. Não é Leonardo DiCapprio, é George Clooney. Ou em uma versão para os homens, nunca será a Sandy, muito menos a Mulher Melância, sem despeito, gosto é gosto. Mas acho que um vinho está mais para a chiquerrésima da Juliette Binoche, na idade que tem hoje.

 

Quanto ao Beronia, também gostei muito. Não se pode comparar literalmente ao Prado Enea, porque primeiro, um é Reserva e o outro Gran Reserva, e estão em patamares de safra e de preços diferentes.

 

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Assim mesmo, considerando sua faixa de preço, não faz nada feio, muito pelo contrário. As uvas são Tempranillo, Graciano e Mazuelo. Corresponde a vinhos selecionados, com envelhecimento mínimo de 3 anos, entre barrica de carvalho e garrafa, dos quais, pelo menos 1 ano permanece em barrica.

 

As Bodegas Beronia, como a imensa maioria das bodegas da região, utilizam para a criação barricas de carvalho francês e/ou americano. A diferença básica é que o carvalho francês aporta mais o sabor de especiarias, o americano, um sabor de baunilha. Algumas bodegas andam fazendo experiências com o carvalho de Navarra, mas nada definitivo.

 

Nesse vinho, especificamente, percebi mais o sabor de baunilha e algumas matizes de frutas vermelhas. Mas também há algo de couro, e me pareceu igualmente um vinho masculino. Na minha opinião, deveríamos esperar que fosse um pouco mais maduro para consumí-lo, mas pode ser um ponto de vista um tanto distorcido, porque o tomamos logo na sequência de um Gran Reserva. Assim mesmo, o aroma me surpreendeu e foi um ponto bastante forte a seu favor. 

 

E é isso, por hoje é só. Vamos nessa vidinha sacrificada, mas que alguém tem passar, né? A listinha que nos aguarda é quase uma sacanagem, que aos poucos irei contando.

 

8 comentários em “83 – Quem mata a cobra…”

  1. Oi Bianca

    Põe sacanagem nisso!!!! O jeito é correr pro depósito mais conhecido de São Paulo e conferir essa dicas.

    Beijos
    Marianne.

  2. Bianca,
    Adorei seu novo site.
    Voce tem sempre muitos assuntos interessantes.
    As cronicas já deviam virar livro! as se f….ai filme!
    Beijo
    Igor

  3. Oi, Selma!
    Pior é que faz! Talvez no Brasil nem sentisse tanto, mas depois que você se acostuma a ter o vinho tão acessível fica difícil não acompanhar a refeição com uma copita. Por outro lado, talvez você fique tão ocupada que não lembre de tomar vinho… heheheh… mas no bom sentido! Passei pelo blog do Renato e vi que você está inegavelmente grávida! Está ótima! Agora falta pouquinho…

    Besitos

  4. Oi, Igor!

    Pois é, aqui tenho recursos que no Crônicas Madrileñas não tinha, dá para viajar um pouco mais na maionese 🙂

    Apareça! Aqui ou em Madrid! Se bem, que pelas fotos da Bahia, a concorrência ficou difícil…

    Besitos

  5. Bianca, tô impressionado! Você realmente curte vinhos e tem um texto ótimo (…”é elegante e guarda uma certa suavidade, ainda que seja um Gran Reserva. É um perfeito cavalheiro!”). Sugiro que você crie uma categoria “Gastronomia & Vinhos” e coloque um RSS para nós comilões (e beberrões) subscrevermos.

    Tomei o Beronia Reserva (acho que 2003) no ano passado no Don Curro. Gostei muito e depois comprei 1/6 dúzia de garrafas a R$ 90 cada (mais ou menos 25 Euros). Ainda tenho dois Beronias em casa. Agora vou experimentar o Prado Enea (já está comigo).

    Minha viagem para a Espanha como você sabe foi adiada em um ano, mas em 2010 quem sabe você e o Luiz tiram dois dias off pra nos acompanhar pela Rioja.

    Bjs

  6. Oi, Augusto!

    Tenho uma categoria que é o “Tá na mesa”, que falo um pouco disso, além de dar algumas dicas e receitas. Os posts dos vinhos, também penduro ali. Vou ver como faço para colocar esse RSS.

    Quanto aos preços dos vinhos, é bem complicado, eles chegam no Brasil no mínimo pelo dobro em euros. Felizmente, aqui é um prazer menos caro.

    Esperamos vocês em 2010! Não consigo me planejar com essa antecedência 🙂 mas a idéia de voltar a Rioja é ótima! É bom compartilhar vinhos com quem também aprecia.

    Besitos

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