78 – Rio/Madrid/Rio pelo caminho mais longo

Hoje tomei coragem para escrever, vou começar a contar toda história dessas últimas duas ou três semanas, já perdi a conta. Na verdade, para mim passou um século e não consigo me livrar de um cansaço crônico, uma vontade de me enfiar em uma caverna e uma insistente vitimização e desânimo que não fazem parte da minha natureza. Isso tudo vai passar, eu sei, mas ainda estou reunindo as cinzas. Novembro vem aí para me ajudar a renascer e até lá espero ter aprendido a ser tão mais velha.

 

Na segunda-feira, 06 de outubro, fui deitar tarde, bastante ansiosa. Dormi mal para burro, estava preocupada com a chegada dos meus pais. Pensava no conforto da viagem e se seria tudo tranquilo na imigração. Eles estavam meio tensos que alguém criasse problemas na entrada da Espanha, apesar de estarem totalmente corretos. Achei que minha agonia era por causa disso.

 

Na terça, pedi para o Luiz me acompanhar ao aeroporto. Caso houvesse algum problema, com ele seria mais fácil explicar. Além do mais, o transporte para casa seria muito mais simples, considerando que não dirijo aqui. Foi sorte.

 

No portão do desembarque, vi meus pais chegando e sosseguei. Ufa! Passaram sem problemas, agora é aproveitar. Durou pouco, pouquíssimo, porque minha mãe não me sorriu de volta, meu pai parecia completamente atordoado e um casal mais jovem os acompanhava e levava toda sua bagagem.

 

Ali mesmo descobrimos que meu pai passou mal durante o voo, umas quatro horas antes da aterrizagem. Por outra vez, a sorte colaborou, havia um cardiologista presente, que o atendeu e acompanhou na saída, era o marido desse casal que estava com eles.

 

Meu pai, mesmo confuso, dizia que estava ótimo, só precisava ir para casa descansar e tomar banho. Minha mãe nervosa, com razão. O cardiologista e a esposa olharam para mim e disseram, ele não está bem, precisa ir a um hospital agora. Entendi que o assunto era sério. Perguntei se ele me recomendava algum lugar e descobri que já havia feito isso.

 

No caminho para o carro, fui levando meu pai, que recusou uma cadeira de rodas. Depois soube que já havia recusado na saída do avião também. Estava estranho, puxava ele para direita, falava que era para direita e ele pendia o corpo para esquerda. Parecia meio dopado, mas ainda assim, meio rebelde. Enfim, protestando ou não, nos dirigimos ao hospital Fundación Jiménez Díaz, recomendado pelo cardiologista do avião que também nos deu uma carta descrevendo os sintomas que ele apresentava e que medicação tomou. No avião, só havia disponível o AAS.

 

No carro, fui tentando manter a conversa normal, para ver se minha mãe relaxava um pouco e não ficava aquele clima tão tenso. Mas era inútil, estava tudo bastante esquisito. No meio do caminho, meu pai passou mal outra vez e Luiz precisou parar em um posto de gasolina. Bem ao lado, havia um par de agentes de segurança do trânsito, que imediatamente chamaram uma ambulância.

 

A ambulância não demorou mais que dez minutos e fez o primeiro atendimento ali mesmo, onde constataram uma arritmia cardíaca. Não sabiam se era recente ou antiga, afinal de contas, meu pai já era um paciente cardíaco, teve um enfarte e tirou a carótida esquerda. Não entendia muito bem que diferença fazia isso da arritmia ser recente ou não, só bem depois vim entender que essa dúvida pode ter lhe salvo a vida. De qualquer maneira, a ambulância seguiu para o hospital.

 

Nós seguimos de carro. Luiz foi procurar estacionamento, saltei com minha mãe para encontrar meu pai. Ele não fala castelhano. Entramos em um lugar, aparentemente proibido, onde meu pai estava deitado em um tipo de maca com umas dez pessoas em volta. Isso assustou bastante a minha mãe. Achei um pouco estranho também, mas procurei pensar que podia ser em função do seu tamanho. Ele é um homem de 1,90 m e 128 kg, que mesmo passando mal, não estava com a menor vontade de ser internado. Claro que nos expulsaram logo e ele foi levado para outro lugar onde não podíamos vê-lo. Nos mandaram para uma sala de espera aguardar notícias.

 

Algum tempo depois, veio uma médica nos informar que ele tinha uma arritmia cardíaca, e outra vez perguntando se sabíamos se era nova ou antiga. Disse que não sabíamos, mas podia ser mais antiga, considerando seu histórico médico. Expliquei que ele não falava espanhol e que precisava estar mais próxima, no mínimo para que ele soubesse o que estava acontecendo. Ela confirmou que ele estava bastante nervoso, querendo ir embora e que precisava fazer uma série de exames antes. A médica acabou deixando que fosse falar com ele, na tentativa de acalmá-lo, mas me avisou que certamente em algum momento alguém iria me pedir para sair.

 

Entrei e consegui conversar com ele, coisa que o fez se acalmar. Ao longo do dia, inventei uma meia dúzia de desculpas para entrar outras vezes e ficava me fazendo de boba até que alguém me expulsasse. As enfermeiras faziam um pouco de vista grossa, porque no fim das contas, acabava o acalmando e assim elas tinham menos trabalho.

 

Comecei a notar que havia uma coisa estranha na sua fala. Ele estava bastante lúcido, até brincando, mas trocava as palavras. O mais esquisito é que tinha total consciência que fazia essa troca, algumas palavras ele simplesmente não conseguia dizer. Era mais ou menos assim, por exemplo, ele queria falar mesa e saía sapato, ou seja, as palavras existiam mas era como se alguém tivesse embaralhado na cabeça dele.

 

Como ele não falava espanhol, nenhuma das médicas ou enfermeiras perceberam. Não é desculpa, porque informei mais de uma vez que isso estava acontecendo e me respondiam que podia ser pelo cansaço ou nervoso. Bom, se uma médica estava me dizendo isso e fazendo todos os exames necessários… quem sou euzinha, né?

 

Cheguei a fazer o teste do sorriso, para saber se ele havia tido um derrame, nem sei se é verdade, mas li isso em algum lugar. Ele sorriu forçado e me respondeu: cara de babaca ainda sei fazer, ó! Começamos a rir de verdade, se ainda está fazendo piada, não pode estar tão mal.

 

Passamos todo o dia de plantão. Fui com minha mãe até a cafeteria, mais para fazer uma hora do que por fome. Acabei conversando com ela que estava pensando em engravidar. Havia planejado contar de outra maneira, em outro momento, mas diante das circunstâncias, quem sabe isso animasse um pouco o ambiente. Queria contar pessoalmente, sabia que ela poderia ter lido algo pelo blog, mas quando ela me disse que vinha a Madri, não custava esperar um pouco. Acho que ela se animou, o que dava para se animar nessa situação.

 

Pelas nove da noite, creio, ele recebeu alta do hospital. A princípio, ficamos felizes, mas ao vê-lo exatamente do mesmo jeito que entrou, ficamos todos meio ressabiados. De qualquer maneira, sabia que ele estava exausto e precisava ir para casa descansar um pouco. Quem sabe no dia seguinte, acordava melhor.

 

A noite foi infernal. Ele, que havia reclamado de fome todo o dia e estava praticamente em jejum, quase não comeu e mesmo assim, passou mal direto. Estava completamente atordoado, confundia as portas que precisava entrar, parecia não enxergar direito e continuava a trocar as palavras. A urina estava verde, o que atribuímos a um remédio que ele se auto medicou antes de viajar. É fogo.

 

Amanheceu e ele estava com uma cara um pouco melhor, mesmo assim, nada que nos tranquilizasse. Enquanto ele finalmente deu um cochilo, Luiz procurou onde ele deveria ir de acordo com seu seguro saúde, feito no Brasil. Recomendaram um clínico geral do Hospital San Camilo.

 

Minha mãe falava que queria voltar para o Rio. Tentei acalmá-la e dizer que precisávamos dar um passo de cada vez. Mostrei a casa, coisa que ninguém teve tempo antes de ver e sugeri que ela descansasse também um pouco.

 

Até que me bateu os cinco minutos e fui para internet encafifada, procurar pelo google seus sintomas. Estava desconfiada de um AVC e o que consegui me informar coincidia demais com a situação. Lendo os exames que ele havia feito, constatei que só se preocuparam com sua condição cardíaca, ninguém fez nenhuma checagem neurológica. E tudo que lia me dizia que o atendimento deveria ser urgente. Cassilda, comecei a ficar nervosa.

 

Nisso meu pai acordou e fomos direto para o segundo hospital, o San Camilo. Claro que ele não queria ir, mas daquele jeito não podia ficar.

 

Incrivelmente, na sala de espera, ele teve uma melhora radical. Minha mãe contou que eu estava pensando em engravidar e ele gostou também da notícia. Não trocava mais as palavras e estava de bom humor. Vimos com otimismo, mas ao mesmo tempo, sabia que podia ser a vontade dele ir embora dali operando milagres.

 

Não demoraram a atendê-lo, até porque na recepção informei da suspeita de haver ocorrido um acidente cerebral.

 

Entrei junto com ele e admito que já fui direcionando a conversa com o clínico. Olha, ele passou mal no avião, foi direto para o Jimenez Díaz, onde se preocuparam apenas com sua condição cardiológica. Acontece que ele está com esse e esse sintomas, isso pode ser neurológico e ninguém está percebendo porque ele não fala espanhol. Se vocês forem testá-lo, eu preciso estar do lado para traduzir, ele não pode ser deixado sozinho.

 

O médico pareceu me levar a sério, mas não assustamos meu pai, além dele não entender o que estávamos conversando. A idéia era fazer uma tomografia computadorizada da cabeça e algumas outras análises. Expliquei que ele precisava fazer alguns exames e dessa vez me deixaram acompanhá-lo. Novamente ele parecia confuso, talvez porque visse que ia começar tudo outra vez. Mostrei a medicação que ele toma normalmente, informando que no dia anterior me disseram que não lhe desse os remédios. Ali, ao contrário, me disseram que ele precisava dos remédios sim, mas não todos. Perguntei qual deles e no mesmo instante os dei. Caramba, mas por que cada hora me dizem uma coisa diferente?

 

Ficamos aguardando a tomografia. Alguns momentos depois, uma atendente veio nos informar que ainda não havia sido realizada porque estavam aguardando a aprovação do plano de saúde. O que? A gente contando os minutos e vamos ficar aqui esperando uma aprovação? Luiz disse que se responsabilizava e a tomografia foi encaminhada.

 

Luiz me perguntou se não queria comer alguma coisa. Não queria, estava quase em jejum e desde o dia anterior. Não tinha um pingo de apetite, era uma coisa meio maluca como se ele não pudesse comer, também não comeria. De repente, me ocorreu que isso não era inteligente, me passou pela cabeça que aquela história poderia estar apenas começando e que precisava de energia. Mãe, vamos sim até uma cafeteria empurrar alguma comida. Fomos juntas, nos revezando com Luiz depois.

 

Comemos um misto quente, sem um pingo de vontade e começamos a pensar nas possibilidades. Sabíamos que algo havia acontecido, mas não sabíamos a extensão. Minha mãe me dizia que se ele precisasse fazer qualquer tratamento, que ela queria levá-lo de volta para o Brasil. Falava que em Madri, eles não teriam dinheiro para tratá-lo adequadamente e no Rio, o plano de saúde cobriria tudo de melhor, além deles estarem em casa. Risco por risco, se houvesse alguma chance, ela queria voltar. Ouvi respeitando sua intuição e tentando ouvir a minha.

 

Voltamos ao hospital e o médico me chamou com o resultado. Fui na esperança de ouvir que era algo relativamente simples, ainda que o coração me sinalizasse o contrário. Era o contrário. Segundo esse médico, que me mostrava sua tomografia, ele havia tido um enfarto cerebral no ocipital esquerdo e havia um tipo de coágulo do lado direito que eles não tinham muita certeza do que era, mas que poderia estourar a qualquer momento. A condição cardíaca ainda inspirava cuidados, mas podia ser controlada. A sugestão era transferí-lo a um hospital com especialidade em neurologia, eles estavam sem neurologista.

 

Todas essas palavras juntas ao mesmos tempo eram difíceis de serem digeridas. A única mensagem que conseguia mandar para mim mesma era: aprende rápido e toma uma decisão. Como é?

 

Muito bem doutor, entendi que é grave e que há riscos. Gostaria de entender qual o risco de colocá-lo em um avião e levá-lo hoje ao Brasil? Sem ofensas, ali seu plano de saúde garante o melhor hospital, com seus médicos que já conhecem seu histórico, do lado da família, onde falam seu idioma etc. Ele me respondeu que levá-lo nessa condição era complicado e imprevisível, mas que provavelmente, não fariam nada para reverter o quadro neurológico nesse momento, de qualquer forma, seria necessário aguardar. E se fosse seu pai? Ele respondeu em off, eu levava de volta.

 

Próximo passo, chamar minha mãe, dar essa notícia maluca e pedir ao Luiz para me ajudar a providenciar as passagens o mais rápido possível.

 

Como minha mãe poderia receber essa notícia? Ficou tremendo, se descontrolou, mas negou receber um calmante, porque precisava de sua lucidez. Tentei acalmá-la, na medida do possível e expliquei que tentaríamos levá-lo para o Brasil.

 

Incrivelmente, ela segurou sua onda e não demonstrou seu nervoso na frente dele. Ficou fazendo companhia, enquanto saí para ver com Luiz o que fazer. Nisso, meu irmão do Brasil também estava ligando tentando ajudar com as passagens.

 

O que acontece é que era início de tarde e o voo direto da Ibéria, saí por volta do meio dia. Ou seja, só no dia seguinte pela manhã. O médico, para quebrar nosso galho, se propôs a ficar com meu pai na emergência e liberá-lo só na hora de pegar o avião. Ele poderia ir de ambulância até o aeroporto, mas precisaria saltar do lado de fora, porque se a companhia aérea desconfiasse, não o deixaria embarcar daquela maneira.

 

Nisso, Luiz foi para casa, precisava de um computador para agilizar as reservas. Ia se falando com meu irmão, que também providenciava o médico neurologista e o hospital no Brasil.

 

Quando achávamos que a situação estava resolvida, mudou o plantão dos médicos e a médica que entrou discordava do anterior. Mais tarde, entendi que a filha da puta estava era tirando o dela da reta. Esse hospital era coberto pelo seguro saúde dos meus pais e ela me convenceu a ir para outro hospital, alegando que tinham os melhores neurologistas. Só se esqueceu de dizer que o outro hospital não era coberto pelo plano.

 

Como ela fez isso? Me assustando um pouco mais, praticamente me dizendo que o tal do coágulo poderia estourar a qualquer momento, que ele poderia precisar de uma intervenção urgente, que viajar daquela maneira era irresponsável e que nesses casos, o paciente tem algumas “horas” para reverter o quadro. Teve o cuidado de fazer isso me chamando sozinha e me cercando com mais dois enfermeiros e o médico do plantão anterior, com cara de puto. Honestamente, da maneira que a coisa foi colocada, parecia que ele entraria direto para cirurgia. Esse risco, não poderia bancar. Então tá, vamos para o próximo hospital, o Gregorio Marañon, onde haviam nos informado que realmente tinha os melhores neurologistas.

 

A palavra “horas” ressoava na minha cabeça e me perguntava como comeram essa bola no primeiro hospital.

 

Minha mãe estava conversando com meu pai, avisei a ela, de uma maneira mais suave que deveríamos seguir para o Gregorio Marañon e fui para porta ligar para Luiz.

 

Pela primeira vez caí no choro, com uma vontade enorme de sair correndo. Por que tinha que resolver aquilo? Afasta de mim esse cálice! Pedi para Luiz voltar para o hospital, não tinha certeza do que fazer, não dormia há dois dias, não sabia se estava tomando as decisões corretas. Ao mesmo tempo, não tinha jeito, fugir não resolvia nada. Eu sempre mantenho a cabeça fria nesses momentos, só precisava respirar um pouco e voltar. Ele não demorou a chegar e me acalmei, as idéias foram clareando novamente.

 

Sozinha, fiz um pacto maluco que nem sei se tinha o direito. Por algum motivo, ao mesmo tempo, convivíamos com as possibilidades de chegar uma nova vida e perder a outra. Pensei que não sabia se seria capaz de engravidar e que se o correto fosse que duas vidas prosseguissem, que assim fosse. Mas se tivesse que optar por uma delas, que ficasse a do meu pai.

 

Por volta das 18:00hs meu pai seguiu de ambulância e nós de carro para o Hospital Gregorio Marañon. No carro, fomos conversando novamente sobre os passos a serem tomados. Acreditávamos que ele poderia ter que fazer alguma intervenção pequena, que às vezes, nessas questões neurológicas, onde há um sangramento, simplesmente se faz um corte para não pressionar cérebro, sei lá. Podia ser uma cirurgia de alto risco, mas rápida e simples.

 

Chegamos ao mesmo tempo no hospital e enquanto ele entrava, fui à recepção fazer sua ficha. Descobri ali que precisava assinar como sua responsável, não ficou muito claro se era o plano de saúde deles que cobriria tudo. Mas a essa altura, isso não me importou.

 

Entramos com ele em uma enfermaria onde havia umas dez outras camas de gente internada. Para nossa surpresa, todo mundo agia como se nada tivesse acontecido e iriam fazer exames de sangue, uma ecografia ou sei lá o que. Como assim? Catei uma enfermeira e disse, escuta, ele chegou aqui com a possibilidade de fazer uma cirurgia. A médica me informou que tinha horas para tomar alguma providência! É urgente!

 

Não preciso dizer que meu pai, sem conhecimento de tudo que estava acontecendo, estava completamente indócil querendo ir embora de qualquer jeito.

 

Nisso chega o neurologista e começa a analisar a tomografia. Faz uma cara de quem não entendeu e vai falar com outro neurologista, que faz o mesmo gesto negativo com a cabeça e vem falar comigo. Puta merda, o que vai ser agora?

 

Para minha surpresa, e finalmente agradável dessa vez, ele me pergunta por que o paciente chegou com recomendação de cirurgia? Não tem nada indicando necessidade de cirurgia aqui.

 

Agora quem ficou confusa fui eu. Contei rapidamente a saga e ele, me mostrando a tomografia, confirmou que havia tido o enfarto cerebral, o tal AVC, mas que isso não requeria cirurgia. O tal do coágulo que poderia estourar, ele me disse que não era nada e nem entendeu porque haviam transferido meu pai para lá. Perguntei então se não poderia levá-lo para casa, no Brasil, como estava previsto anteriormente. Ele me respondeu que neurologicamente, não haveria uma incompatibilidade com a viagem de avião, mas que por outro lado, sua condição cardiológica sim, inspirava cuidados e por isso seria complicado transportá-lo. Que ele precisaria de uns quatro dias, pelo menos, para deixá-lo viajar em condições seguras.

 

Aquilo me soava como boa notícia, mas ao mesmo tempo me questionava se nesse caso, não seria melhor manter nossa decisão inicial de voltar para o Brasil. E será que podia confiar dessa vez? Já nos disseram tanta coisa diferente? E como é que vou convencer meu pai a ficar nessa enfermaria quatro dias?

 

Nisso ele me encaminha ao setor administrativo, onde finalmente entendi que o seguro saúde dos meus pais não cobriria esse hospital, por ser público. Ou seja, para os cidadãos espanhóis ele é gratuito, mas para os estrangeiros é pago. Até aí, normal, mas por que o seguro não cobria?

 

Foi quando o próprio médico me perguntou, por que vocês tiraram ele do San Camilo? Mas não fomos nós que tiramos, foi a médica que recomendou, baseando-se na possível necessidade de cirurgia. Naquele momento, entendi que havia sido uma manobra cruel para se livrar de um problema burocrático.

 

Bom, fui junto com o médico explicar a situação para minha mãe, que por sua vez não queria aceitar mais ficar no hospital. Honestamente, também não estava com uma boa intuição, mas precisava intervir com calma com o médico ou a gente colocava tudo a perder. Nisso, meu pai estava armando um barraco tentando levantar da cama e arrancar o soro à força. Ou seja, um caos.

 

Quer saber, doutor, é o seguinte, vou tirar meu pai daqui hoje e vou para o Brasil. Eu assumo a responsabilidade e assino a alta voluntária. Ele não concordou muito com a história, mas viu que não havia jeito e legalmente não podia nos prender ali. Aceitou, disse que ia providenciar e me pediu duas horas.

 

Fomos acalmar meu pai, explicando que havia pedido sua alta e que sairíamos dali de qualquer jeito. Mas que era eu quem estava assumindo a responsabilidade e que ele precisava colaborar.

 

Para completar todo esse surrealismo, internam um mendigo meio louco e completamente drogado. Levaram o homem para uma sala ao lado, fechada, mas toda em vidro, de maneira que víamos tudo que acontecia. Foi necessário chamar umas oito pessoas para segurá-lo e as enfermeiras tiravam par ou ímpar para ver quem faria sua higienização. Toda essa loucura acabou tirando um pouco da atenção e, se por um lado, aliviou o clima com aquele espetáculo bizarro, por outro, me deu uma tremenda revolta de saber que meu pai, que trabalhou feito um louco, pagava seu plano de saúde e suas contas corretamente, estava agora dividindo uma enfermaria em um país estrangeiro com um mendigo drogado. Agora quem tiraria ele dali, de qualquer maneira, era eu.

 

Fui atrás do médico outra vez, as duas horas passaram. No fundo, ele tinha esperança que nos acalmássemos e resolvêssemos ficar. Fui bastante assertiva e disse que não havia essa possibilidade, sentia muito, mas era a nossa decisão. Perguntei, sei que não é sua recomendação, mas diante do fato que vou levá-lo de qualquer jeito, você me dá alguma indicação que assegure melhor a viagem? Ele me disse que desse o AAS antes do voo e uma outra injeção na barriga, acho que para evitar trombose. Mostrei seus medicamentos, ele me aconselhou o que deveria dar ou não e desejou sorte.

 

Assinei sua alta com um peso de 200 kg nas costas. Ele assinou também, mas sua assinatura não valia nada, era um rabisco. Minha mãe ficou preocupada, de qualquer maneira, não havia outra alternativa. Não era a culpa que me angustiava, era o medo de ter decidido mal.

 

Fomos para casa e conversei sério com meu pai. Hoje você não toma banho, não faz nenhum esforço. É para ficar deitado até a hora da gente embarcar. No aeroporto, não quero nem saber, é na cadeira de rodas. Nós vamos alegar problemas de locomoção e você precisa fazer uma cara boa ou não te deixam embarcar e estamos todos ferrados. Estou assumindo toda a responsabilidade e preciso que você colabore.

 

Ele colaborou. Resmungou um pouco pela cadeira de rodas, mas nem dei conversa. A verdade é que ele não aguentaria caminhar mesmo e acabou cedendo.

 

Em casa, demos o AAS, os outros remédios do dia, ele havia tomado no San Camilo. Não demorou muito, ele começou a passar mal outra vez e a urinar sangue. Ficamos sem saber o que fazer e se deveríamos levá-lo novamente ao hospital. Minha mãe lembrou de não-sei-quem-amiga-dela que tomou o AAS e começou a urinar sangue. Ficou resolvido que ela daria água direto para ele, para ver se clarearia. Se pela manhã estivesse melhor, embarcávamos, caso contrário, íamos para o hospital. Pela manhã, felizmente, a urina havia clareado. Foi a terceira noite sem dormir.

 

Claro que não deixaria que eles voltassem sozinhos para o Brasil. No meio dessa confusão, entre Luiz e meu irmão, eles transferiram as passagens dos meus pais e compraram uma para mim. A deles era na classe executiva e a minha era na econômica.

 

Fiz uma mala pequena, assim já podia ir com ela para o hospital no Brasil. Minhas malas sempre são pequenas, levo o suficiente. Lembrei de colocar os últimos exames que fiz em Madri, uma mamografia e uma ecografia. Estavam separados com antecedência, tinha planos que meus pais levassem para o Rio para mostrar a um grande mastologista amigo deles. Já estava separado mesmo, levava eu pessoalmente.

 

Não preciso dizer que a manhã foi tensa. Quando ele acordou, decidi dar seus remédios do coração normalmente, há dois dias ele não tomava direito, achei que era o mais razoável. Guardamos o AAS para resolver se daríamos ou não na hora do embarque. Vai que o sangramento começava outra vez. A tal da injeção na barriga, resolvi ignorar, não tinha um bom presentimento.

 

Ao chegar no aeroporto, fui direto pedir uma cadeira de rodas, sem escutar os resmungos do meu pai. Deveria ter reservado com antecedência, mas a equatoriana que me atendeu, logo notou que tinha alguma coisa estranha no nosso caso e foi mais do que solícita, além de discreta.

 

Na boca do check in, a atendente diz que não podemos embarcar. Todo mundo com cara de paisagem, mas por que? É que a passagem de vocês era para mais de cinco dias, vocês só ficaram três, tem uma multa. Ufa! Multa se resolve. A multinha foi de apenas 1.600 euros, mas a essa altura, ninguém queria discutir, vamos embora. Conseguimos faturar no check in e partimos para o terminal de embarque.

 

Parece simples, mas não é, é longe pacas! Felizmente, a cadeira de rodas nos abriu várias portas. Em princípio, só poderia ir um acompanhante com ele, mas a tal da equatoriana muito da safa foi abrindo os caminhos para a gente e explicando tudo.

 

Pequeno detalhe, meu documento espanhol está vencido. É normal, demora mesmo na renovação, entretanto, isso quer dizer que para eu deixar o país sem problemas, preciso de uma carta de saída. E quem é que teve tempo para fazer essa carta? Nesse momento, meus pais não sabiam disso, era mais uma encrenca para pensar, mas eu sabia e meu coração pipocou na hora que mostrei o passaporte e não tinha o papel de turista para entregar. Disse que era residente e felizmente, não me pediram o documento. Normalmente, eles cobram só na entrada, mas já me pediram na saída, quando fui a Praga. Na época, eu tinha.

 

Muito bem, passamos. Pegamos uma furgoneta para mudar de terminal. Normalmente, esse trajeto é feito por um trem, dentro do aeroporto. No carro, me senti como em um filme de perseguição policial, fugindo do país.

 

Nesse tempo de espera para embarcar, minha mãe disse que preferia que eu viajasse do lado dele e ela iria atrás sozinha. Pela primeira vez na minha vida, preferia ir na classe econômica que na executiva, mas concordei com ela e disse que ia com meu pai. Eu já esperava por isso. A fera não é muito disciplinada, mas comigo se comporta melhor do que com ela, normal.

 

Da porta do avião, mandei uma mensagem para o Luiz que íamos embarcar. Por que? Porque meu irmão estava providenciando uma ambulância para nos buscar no aeroporto de chegada e entrando em contato com o neurologista. Entretanto, a companhia aérea não podia saber disso antes de embarcarmos.

 

E claro, meu pai também não sabia disso.

 

A viagem foi calma e infernal ao mesmo tempo.

 

Foi calma porque ele dormiu quase o tempo todo, levantou umas quatro ou cinco vezes para ir ao banheiro, coisa que eu tinha que acompanhar para ele não cair. Uma das vezes, a aeromoça me perguntou se ele estava passando bem e eu apontei para a perna dele que doía. Tinha uma história na manga que havia dado um dramim porque ele enjoa muito no ar e agora ele estava meio zonzo. Enfim, não foi necessário mentir mais. Felizmente, ele nem quis comer, outra preocupação, porque ele estava enjoando muito e quando ele enjoa, parece que está enfartando. Não se alterou durante a viagem, só me dizia que estava louco para chegar em casa e tomar um banho. Coisa que escutava calada e pensando, mas ainda não será agora. Toda hora me perguntava de uma maneira confusa se seu plano de saúde cobria todas as despesas, se ele tinha pago tudo direito, se tinha dado uma gorjeta para a moça da cadeira de rodas, engraçado como mesmo completamente confuso, ele se preocupava se tinha dinheiro para cobrir as despesas e se estava tudo certo.

 

E foi infernal, porque a essa altura, a gente não tem muita certeza em que acreditar. E se ele realmente tivesse um coágulo? E se aquela bosta estourasse no ar? E se desse a tal da arritmia? Não tenho uma expressão melhor para descrever, fui com o rabito na mão até lá, se essa porra estourar, a responsabilidade é minha. Fui umas duas ou três vezes atrás para tranquilizar minha mãe e perguntar se ela queria sentar na frente um pouco. Mas ela preferiu ficar ali mesmo, acho que ela mal deve ter se mexido. Da última vez que fui, ela me perguntou como ia ser para colocá-lo em uma ambulância no Rio. Não tinha a menor idéia, mas respondi firme, uma coisa de cada vez.

 

Na falta de quem pedir, chamo minhas avós, que depois de toda essa confusão, devem estar com as asas desengonçadas! E vô, pode dar uma forcinha aí também!

 

Aterrizamos bem, um enorme passo, ainda que as coisas não estivessem resolvidas, mas a gente precisa comemorar cada etapa ou enlouquece. Buscava um momento para dizer a ele que iríamos ao hospital. Ainda era quinta-feira, na ida de Madri para o Rio, o voo é contra o fuso horário e o dia fica imenso. Chegamos por volta das 18:00hs.

 

Assim que pudemos conectar o celular, falei com meu irmão. Ele havia conversado com o neurologista, que recomendou não buscá-lo com ambulância, isso iria assustá-lo. Que ele fosse ao hospital ou para casa, o médico iria vê-lo onde estivesse. Essa informação me tranquilizou, queria dizer que era importante, mas meu pai tinha tempo para chegar com calma a um hospital. De toda maneira, o CopaDor, hospital para onde iríamos, estava lotado, muito difícil encontrar vaga e meu irmão havia conseguido uma em cima da hora. Melhor não perder o lugar.

 

Com essa informação na mão, ficou mais fácil. Enquanto, minha mãe foi com o rapaz que levava a cadeira de rodas buscar as malas, fiquei sozinha com ele e comecei a conversar. Olha pai, sua situação está estabilizada, mas a gente sabe que alguma coisa aconteceu, você concorda? Normal você não está. Ele concordou. Acho que a gente deveria ver um médico, ir a um hospital e verificar exatamente o que aconteceu. Aqui você está em casa, falam sua língua, você terá o melhor atendimento. Ele ia concordando, mas ao mesmo tempo falando que se fosse em casa descansar, acordaria melhor. Disse que meu irmão tinha conseguido falar com o neurologista dele, um médico que ele confia bastante, e que não tinha certeza do que eles haviam combinado, porque estávamos no avião, mas que a gente deveria seguir sua recomendação, se ele dissesse que deveríamos ir a um hospital, a gente deveria ir.

 

De maneira que ele saiu sem gostar muito da história, mas conformado em ver o médico. Do lado de fora, esperavam meu irmão com a namorada. No carro, contamos, o que era verdade, que o hospital estava lotado, mas que tinham conseguido um lugar para ele, que deu o maior trabalho e que o médico iria lá encontrá-lo. Enfim, fomos direto para o CopaDor.

 

Nem sei explicar o alívio que me deu ao entrar no hospital do Rio, uma sensação de tô salva, sei lá. Muita água ainda iria rolar, eu sabia, mas ali entendia as regras e não estávamos sozinhos, ou pelo menos, não me sentia assim.

 

Pouco depois, chegou seu neurologista, um senhor que não saberia dizer a idade, mas arriscaria mais de 80 anos, todos confiamos muito nele. Tem a sabedoria que só a experiência pode trazer e a tranquilidade de quem viu muita coisa para se impressionar levianamente. Olhou com calma a tomografia e foi me mostrando tudo. Realmente, houve uma izquemia no ocipital esquerdo, o tal AVC, que gerou um sangramento. Essa hemorragia é, provavelmente, porque ele tome anticoagulante para o coração. Do lado direito, o tal eventual coágulo que a médica-vaca me disse que poderia estourar no avião, ele bateu o olho e já disse logo, não minha filha, nem se preocupe com isso que é coisa antiga. Isso não é nada. E esse problema de trocar palavras? É assim mesmo, porque o lado esquerdo controla a fala, mas isso é reversível e o próprio organismo vai absorvendo essa hemorragia.

 

Três noites sem dormir nessa loucura, mais quase 24 horas acordada, incluindo um voo proveniente do inferno, quem parecia ter problemas neurológicos era eu. Não conseguia lembrar das palavras nem acabar as frases, me centrei no que importava: coágulo = antigo = nada, organismo absorve e RE-VER-SÍ-VEL.

 

O problema ainda era sério e inspirava cuidados, a tal da arritmia estava lá e não havíamos conseguido contatar o cardiologista para saber se também era coisa antiga. Sim, ele teve um AVC em pleno voo para Madri e passou por tudo isso depois, mas essa realidade entendíamos e podíamos lidar.

 

Por que fazia tanta diferença a arritmia ser antiga ou recente? Porque quando é recente, se tenta reverter o mais rápido possível, questão de horas. Após 48 horas, há possibilidade de se reverter, mas é mais complicado, o processo é mais agressivo e não há garantias. Daí, passa a se controlar por medicação mesmo. O problema é que para reverter, se necessita uma dose alta de anticoagulante. Nesse caso, era um problema porque ele teve uma hemorragia no cérebro e se tomasse anticoagulante, essa hemorragia aumentaria.

 

Foi quando entendi que lá atrás, quando no primeiro hospital nos perguntaram se a arritmia era coisa antiga, ao dizer que não tínhamos certeza, que poderia ser, pode ter salvo sua vida. Porque ali não viram que ele teve uma hemorragia e se tivesse tomando o anticoagulante, essa história provavelmente tivesse outro final.

 

Enfim, algum anticoagulante ele precisa, por causa do coração e é aí que entra o cobertor curto. O tratamento é conjunto com o cardiologista e o neurologista. Naquele momento, ele não podia deixar o hospital, precisava estabilizar melhor sua situação.

 

Ficamos aguardando ainda alguns exames e se vagava algum quarto particular. Um casal de amigos do meu pai apareceu também e ficamos conversando do lado de fora. Foi a amiga deles quem lembrou que, na operação da carótida, há alguns anos, o médico havia encontrado um coágulo, mas que achou melhor deixar como estava e não mexer. Era o tal do coágulo antigo!

 

Fui comprar uma água, quando me dei conta que tentava pagar com euros. Óbvio que nessa confusão, não lembrei de trocar dinheiro. Eu deveria estar realmente com uma cara de louca.

 

Enfim, acabando os exames mais urgentes, constatou-se que meu pai não poderia sair do hospital, mas poderia ficar em quarto particular com acompanhante. Entretanto, não havia vaga. A única vaga era na UTI e para lá ele foi, protestando bastante.

 

Por um lado, quis tirá-lo de lá e voltar no dia seguinte para um quarto particular. Por outro, não havia nenhuma garantia de conseguir o tal quarto, e estando no hospital era mais provável. Além do mais, quem eu queria enganar, não tinha mais a menor condição de cuidar de ninguém. Minha mãe e eu estávamos em um estado lamentável, seria nossa quarta noite sem dormir nessa roda vida. Reclamando ou não, na UTI ele estaria assistido e nós conseguiríamos descansar algumas horas.

 

E assim foi, chegamos em casa por volta das duas da matina.

 

 

…a saga continua…

 

25 comentários em “78 – Rio/Madrid/Rio pelo caminho mais longo”

  1. Dios santo, cheguei no teu blog fazem uns 5 dias e li que havia voltado urgente ao Brasil, e voltei hoje e li esta crÔnica. Chorei porque também estou longe e fiquei pensando se fosse com meu pai, ou se passase algo com ele e eu aqui a muitos mil quilômetros de distância! Desejo de todo coração que teu pai possa sair logo do hospital são e salvo, e que possa compartilhar contigo a alegria de ser avô!
    Beijos

  2. Além de desejar que seu pai melhore, só quero saber o nome da médica do hospital Jiménez Diaz. Não é para nada não. Só para botar o nome dela num papel, enfiar na boca de um sapo e costurar a boca dele. Depois, é soltar o sapo no brejo. Em três dias, o sapo morre e leva o nome dela.

  3. Oi Bi,

    acho que a melhor expressão para descrever tudo o que você passou está no primeiro parágrafo “ter aprendido a ser tão mais velha”.

    De certa maneira já passei por isso e nesse caso é IRREVERSÍVEL. Mas na mitologia o Phoenix revive das cinzas e como um paralelo esse é o seu momento de renascer. Tenho certeza que a tua sabedoria (de alguma forma milenar) vai te guiar nesse caminho.

    Muita força e coragem.

    Beijos mil,
    Claudia

  4. Neguinha blanca,
    Tomar decisoes é sempre muito dificil, e voce fez tudo
    certo, e ainda bem que voce estava ali!!!
    Adorei voce começar a escrever , assim pouco a pouco vai voltando a realidade , afinal, a vida tem que seguir!!!
    Grande beijo, queria te ver hoje pra te dar um abraço.

    Di

  5. Oi, Turomaquia! Meu pai saiu do hospital sim, está em casa há mais ou menos uma semana. Só não deu tempo para chegar nessa parte da história, porque como você pode perceber, é looooonga. Mas já chego lá. Valeu pela torcida e apareça! Besitos

  6. Oi, Luiz Paulo!

    Você é muito engraçado… heheheh… mas a médica-vaca era do San Camilo, a do Jiménez era só distraidinha coitada, não percebeu um ligeiro AVC, coisa básica. Tudo bem, para que existe o google, né? Para nós leigos identificarmos nossas próprias doenças, claro!

    Enfim, honestamente, não gastei meus neurônios para guardar esses nomes, mas guardei bem o das médicas e médicos que atenderam ele no CopaDor e fizeram um excelente trabalho, principalmente a Dra. Erika, responsável pelo andar que era show de bola!

    Valeu pela força aí no Rio! Agora que acabaram as eleições, vocês bem que podiam dar uma passeadinha em Madrid. Mas por favor, faça antes um check up detalhado! 🙂

    Besitos

  7. Oi, Claudinha!

    … nós e a santa mitologia explicativa 🙂 Como ajuda!

    Eu lembro quando você passou por isso. Lembro que fui te dar uma força e acabei chorando mais do que você! Por mais que a gente se prepare, a vida pode tomar rumos completamente inesperados.

    Bom, quanto ao caminho, esse não é o meu, ainda que estejam interligados, mas só faço uma parte dele e também preciso aprender a assumir as responsabilidades que são minhas e relaxar com as que não são.

    Enfim, vai tudo bem e isso é o que importa. Assim como a gente muda de casa ou de país e se adapta, também mudamos de corpo quando envelhecemos. Leva um tempo para a gente se adaptar às novas limitações, mas faz parte da vida de todo mundo.

    E la nave va…

    Besitos

  8. Oi, Didis!

    Pois é, você já conhece minha terapia. Só de começar a escrever e pôr para fora, já começou a me dar vontade de fazer as coisas.

    Agora bem que podia abrir um solão daqueles revigorantes, né? Tudo bem fazer frio, mas esses dias cinzas ninguém merece!

    Bom, vou lá para aula com cara de nádegas mesmo. Luiz já levou meu tamtam e acho que soltar o braço não será nada mal.

    Besitos

  9. Oi Bianca!!!

    Nossa, fiquei agoniada ao ler esse capítulo….me coloquei no seu lugar o tempo todo…minha mãe tbm tem arritmia cardíaca, e me dá um trabalhão, pois nunca faz o q o médico fala…e eu sou da área…sei um pouquinho mais do q gostaria…então…imagina a minha angústia…

    Mas tudo ficará bem…ele está no páis em q graças a Deus ainda temos muuuitos médicos competentes, q irão assistí-lo da melhor maneira possível!!!

    Bjos e saudades de vcs…

  10. Olá amiga!

    Pois é, entendo muito bem o que é estar em “permanente estado de cansaço”, sem saco para falar, para explicar… isso é uma fase. O bom é que passa. Ironicamente estou no meio dela agora mesmo. Mas como sei o que rola nessa fase, vou me obrigar a sair no sábado, encontrar uma grande amiga, porque se não… o negócio aperta.

    A gente amadurece muito com uma experiência destas, é verdade. Mas o cômico é que, ao mesmo tempo, percebemos que há coisas que não mudam nunca, não é verdade? Então ficamos entre a esperança de ver que podemos evoluir, que alguns evoluem, e a descrença de que continuamos todos problemáticos.

    Bueno, adorei saber dos detalhes todos. Obrigada. E agora vai relaxando aos poucos, sem culpas, sem peso na consciência e com uma coisa clara: você se tornou responsável por ele (teu pai) e por tua mãe quando nacestes… é assim mesmo. Chega uma hora que temos que devolver um pouco – ainda que isso possa parecer algumas vezes complicado demais.

    Melhoras, minha amiga. Muitos beijos.

  11. Bianca,

    Fico muito feliz de saber que seu pai já esta em casa e melhorando a cada dia.
    Um grande beijo pra vc e sua familía.

  12. Oi Bianca, te mandei um email, mas eu acho que com a correria vc ainda nao viu… esqueci de dizer, na próxima vez que os seus pais vierem para cá, fala pra eles passarem no Ministério da Saúde no Rio para pegar uma carta que te dá direito a atendimento médico na Espanha, nao sei agora se é no Ministñerio da Saúde ou no INSS, vou perguntar pro meu pai e depois te falo… essa carta te dá direito de ser atendido em qualquer hospital da Espanha, de graça, porque o INSS tem convênio com alguns países, uma vez eu fiz essa carta mas faz tempo… meu pai sempre faz quando vem pra cá. Assim, se ele precisar de novo (Deus me livre e guarde), vcs nao vao passar por esse nervoso todo no Gregório Marañon ou em qualquer outro por causa do seguro.
    Fico contente em saber que ele está melhor, já já vc nos contará… imagino como deve estar exausta!
    Beijos

  13. Bianca,
    Tem certos momentos da vida,que temos de tomar decisoes tao importantes,que ñ sabemos se sao as melhores,mas mesmo assim escolhemos a que achamos a mais correta.Que sorte que vc estava junto pra poder decidir.Me alegro que o final tenha sido feliz.
    Desejo de coraçao que seu pai melhore completamente.

    Um grande beijo pra vc e sua familia.

  14. Oi Bianca e Luiz

    Ufa!!! Meu que maratona heim??? Mas parece que agora estando no Brasil tudo vai bem, com gente de confiança e na casa da gente é outra coisa, sem falar que o nosso pais é campeão em cardiologia. Conheço muita gente que tem alguém da familia que teve o tal do AVC, uns mais graves que outros mas todos estão ai se tratando.
    Nessas horas a gente lembra que Deus existe né? Mas muita coisa que aconteceu que parecia sorte pode crêr que é Ele dando uma chance de fazer a coisa certa.
    Parabéns pelos acertos nas decisões. Espero que ele se recupere logo.
    Voce esta no Rio ainda? Minha mãe queria te ligar e te mandar um beijo, aliás todos aqui da sua “familia paulista” estão te mandando forças.
    Beijos
    Marianne

  15. Menina, to aqui com o coraçao na mao, comecei a ler e nao consegui parar.
    Mas se essa é a sua terapia, é bom, porque assim a gente sabe bem o que aconteceu – e eu sei que dividir os problemas é a melhor maneira de ajudar aos outros (se algo acontecer igual ou parecido) e à nós mesmos. Os amigos sempre nos ajudam a nos entender.
    Muita tranquilidade pra você Bi, tudo vai dar certo, porque você começou da melhor maneira e está sendo super forte e atenta.
    E aqui estamos, já sabe.
    Beijos!

  16. Oi, Renata!

    Pois é, esses pais teimosos são fogo, né? Pede para ela dar uma lidinha na crônica e ver o tamanho da confusão que pode acontecer. Bom, hoje em dia, me sinto muito melhor atendida pelos médicos no Brasil, infelizmente esses recursos são para poucos.
    Também estamos com saudades.
    Besitos

  17. Oi, Alê! Juro que vou te escrever com mais calma, isso já está virando lenda 🙂 Enfim, sei que você está na luta aí também. Muita sorte e paciência, estamos na torcida do lado de cá e já deu para ver que o santo é forte, né?

    Besitos

  18. Oi, Alessandra! Vi o e-mail sim, já te responderei. Olha, não sei se essa conta vai chegar um dia. No Jiménez Diaz nem me cobraram nada, segundo o Luiz, devido a esse tal acordo com o Brasil. Desconfio que essa conta do Gregorio Marañon também não vai chegar. Honestamente, o que fez mesmo a gente ir embora foi a falta de confiança. Depois falamos com mais calma.
    Já vi fotos pelo orkut do casamento, pelo visto, foi mesmo um festão!

    Besitos

  19. Oi, Marianne!

    Estou em Madrid, voltei essa semana. É que ainda não deu tempo de contar tudo. Sei que posso contar com vocês.

    Besitos

  20. Oi, Suz!

    Pois é, essa minha terapia, pelo menos é baratinha, né? 🙂 Sei lá, parece que quando vou escrevendo vou deixando para trás resolvido. Depois, com o tempo fui notando que outras pessoas passam por situações parecidas e dividir é sempre bom.

    Besitos

  21. PUTIS GRILA!!!!!!!!
    Ja conhecia a história mas mesmo assim “flipei” com o relato detalhado…..

    Nossa. Como vocês merecem descansar…todos vocês.
    Força querida!!! Que a chegada do seu aniversário te dê um banho de renovaçôes, de força e de alegria. E de muuuuita saúde pra vc e toda sua familia…

    Beijocas.
    Vanessa.

  22. Olá Bianca!
    Fazia um tempo que ñ lia o teu Blog e quando volto…leio o que passou … na verdade me emocionei,engoli seco, imaginei toda aquela afliçao.
    Graças a Deus tudo está se acalmando,lembrei de uma frase ” O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará”…
    que nada te falta,muita paz,proteçao e felicidade pra ti e pra tua família.
    Fica bem,
    Ana

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