62 – O acidente

Já faz alguns dias, aqui só se fala no acidente do avião da Spanair. Não conhecia ninguém, o que em princípio me tirou a atenção do caso.

 

Entretanto, algumas mortes parecem comover mais que outras e isso não é uma crítica, é um fato. O país parou, todos os noticiários só falavam nisso e veja bem, estávamos em época de olimpíadas.

 

Vários amigos de outros países nos procuraram para saber se estávamos bem. E a verdade é que chegamos a pensar em viajar para o mesmo lugar, mas não fomos. Acredito que esse é o ponto, estávamos bem, não fomos, mas poderíamos ter ido. Talvez seja o que mobilize tanto as pessoas nesse tipo de acidente. Poderia ter sido conosco, poderíamos conhecer alguém, a empatia é imediata. O mundo é globalizado, todos viajamos para algum lugar ou conhecemos alguém que viaja.

 

A demanda por informações sobre esse caso era absurda. Teve rádio ligando para uma amiga ler o jornal daqui no ar no Brasil. Quer dizer, nenhuma novidade, simplesmente repetir o que já se sabia. E quando jornalista não tem novidades para contar, enrola com as mesmas bobagens horas seguidas. Até o vizinho do piloto que morava em outra cidade foi entrevistado, como se isso pudesse agregar algum fato relevante. Fora a exploração do sofrimento alheio, quanto mais se pudesse cutucar um parente desesperado, melhor o ângulo do choro para a câmera. Tenha santa paciência! Mas que falta de respeito.

 

Encarei três encrencas aéreas, um CB (cumulus nimbus ou algo assim), um urubu na turbina com pouso forçado e um pouso em final de furacão. Alguns podem dizer, caramba, mas que uruca! Na verdade, acho o contrário, continuo aqui, então devo ser vaso ruim. Não vou negar, me deu um medo danado de viajar de avião. Até que há uns dois anos, aproximadamente, meu medo acabou, como veio se foi, o que para um ser expatriado como eu, foi um tremendo alívio. Por isso, honestamente, quando escuto sobre acidentes aéreos reais ou em filme, troco de canal, não quero saber, não quero voltar a ter medo.

 

Sinto muito pelas pessoas que se foram, como sentiria por qualquer desconhecido que passou um mau pedaço. Não tenho nenhuma curiosidade pelos detalhes mórbidos, só presto atenção nas notícias dos sobreviventes, que felizmente houveram.

 

Acho importante se apurar os reais motivos e aprender com isso, diminuir a possibilidade que aconteça novamente. Ainda que às vezes, por mais duro que seja admitir, shit happens!

 

 

 

 

5 comentários em “62 – O acidente”

  1. Existem muitas especulações rondando este caso…
    E eu que pensava que só no Brasil colocavam a família chorando no velório na TV! Nossa, eles entrevistam até aquela amiga feia do primeiro grau, um absurdo. Tem gente dizendo que não foi culpa do motor, tem gravação do piloto antes do acidente que é lorota, tem de tudo.
    Infelizmente, o que passou, passou… concordo que a empresa deve ser responsabilizada, mas especular sobre o fato antes de uma informação oficial é horrível, e pelo visto acontece do lado de cá também… e muito!

  2. Nao tenho acompanhado por TV, mas sim por internet e li as histórias de algumas vítimas (vivas e mortas), tem umas que sao realmente incríveis. Acho que, quem tinha que morrer, morreu. E quem nao tinha, nao morreu. Foi um acidente com um número de vítimas alto, em plena alta temporada, uma companhia que tá meio mal das pernas… é um filao para os jornalistas explorarem. Como jornalista, me incomoda muito esses repórteres de TV que sao como urubus na carniça em cima da família. Aqui eu acho que tem muito mais sensacionalismo, nao há nenhum respeito.

  3. Oi Bianca
    Esse tipo de reportagem é muito corriqueira aqui e nada diferente do resto do mundo pelo visto. Tem gente que gosta de vêr esse sofrimento todo na cara dos outros, assim acreditam que não são os únicos que perderam alguém ou que sofrem por algo em suas vidas miseráveis.
    Eu particularmente até vejo nos primeiros dias sobre o noticiário do acidente e depois deleto, chega de tanto sofrimento!!! aconteceu o que tinha que acontecer e acabou. Espero o próximo horror e acompanho novamente por uns dias. Infelizmente é o que acontece todos os santos dias, gente sofrendo e morrendo, fazer o quê??
    Eu agradeço por ter canal a cabo pois tenho 100 opções de canais. Na verdade vêr Tv aberta tem sido uma raridade.
    Beijos
    Marianne

  4. Pois é meninas, imprensa: ruim com ela, mas pior sem ela. E infelizmente, parece ser mundial! Enfim, podemos cair no mesmo ponto de sempre, que se não houvesse público para isso… Complicado. Por enquanto, exerço meu direito de buscar a informação tratada com a responsabilidade que merece. Acho que os blogs podem ajudar com isso.

    Besitos

  5. Oieeee!!!

    Bem, o que dizer? Eu sempre cuido com a minha língua, até para não ferir sentimentos alheios, mas acho que outro dia deixei escapar a minha “aversão” a esse tipo de jornalismo que eu acho uma piada… algo que desmerece o que pode ser feito da profissão. Sinceramente? Acho medíocre, para falar pouco. Enfim…

    Penso exatamente o mesmo que você – e por isso dei uma risadinha ao ler teu texto. Realmente é uma tragédia, muita gente perdeu pessoas fundamentais em suas vidas neste acidente, mas vamos com calma… eu não vou, me desculpem, chorar por dias ou fazer de conta que me emociono mais com isso do que com a morte de alguém em um assalto por aí… Acho bacana o jornalismo que “humaniza” tragédias, contando alguma história para que tudo não pareça carnificina, mas daí a explorar a situação é algo bem diferente. Entrevistar pessoas que não tinham relação realmente com alguma “vítima”, fazer colega ler o jornal no país onde ocorreu o acidente, e mais uma lista sem fim de absurdos, não é jornalismo. Enfim… isso me irrita bastante ainda… e espero que nunca deixe de irritar. Combato esse tipo de coisa sempre que posso – e quando estou “atuando na área”, busco sempre ser crítica comigo e com os “coleguinhas”. Mas como ando de férias prolongadas… [;)]. Voltarei a me estressar de verdade com isso quando for a hora. hehehehehehehehe

    O importante de tudo isso é, o que sempre digo e repito: não perdemos a capacidade de criticar e de tentar fazer algo melhor. E não aceitar esse tipo de mediocridade ou jogo baixo. (Cacilda, acabei fazendo um discurso… hehehehehehe). Beijosssss

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