57 – Por onde andará Luly?

A Espanha é muito conhecida por seu “cotilleo”, que poderíamos traduzir como fofoca. Um fofoqueiro é um cotilla. Aqui, todo mundo gosta de se meter na vida de todo mundo. Não é exatamente mal visto, é como um traço cultural.

 

Na época que encontraram aquele louco austríaco, que prendeu a filha no sótão por 24 anos, a piada de humor negro por essas bandas é que isso nunca aconteceria na Espanha. Porque todos seus vizinhos cotillas já teriam se interado na primeira semana.

 

Não sei se estou me tornando uma cotilla, mas a cada lugar que moro, reconheço rapidamente os animais daquela zona. Que cachorro pertence a quem, que gatos circulam pelas ruas ou aparecem nas janelas.

 

Logo que mudamos para esse último apartamento, percebi que havia uma gatinha cinzenta prenha que vivia no condomínio ao lado. Ai, meu deus! Essa gatinha vai parir já já e vou ficar agoniada com os filhotinhos na rua… E nem adianta me engraçar, porque tenho meu felino gordo que não gostará nada de ter companhia! Também havia um gato branco e amarelo que de vez em quando estava com ela.

 

Muito bem, não demorou muito, descobri que havia uma senhora, nesse mesmo condomínio que alimentava e cuidava da gatinha. Algumas vezes ao dia, ela aparecia pela área e chamava, Luuuuly! E lá vinha Luly ganhar água e comida. Que alívio me deu!

 

Pouco depois, descobri que Luly tinha família. Três filhotinhos muito fofos, um cinza, igual a ela, um rajado e uma branca, amarela e preta. Devido a coloração da última gata, deduzi que o pai era o tal gato amarelo e branco, pois nasceram três mesticinhos. E sei que o terceiro filhote é fêmea, porque só as fêmeas tem três cores.

 

Todos os dias é o mesmo ritual, desce a senhora algumas vezes e chama os gatinhos para comer. E a cotilla aqui, toma conta de tudo da janela!

 

Uma vez vi uma cena surrealista, duas senhoras apareceram, com aqueles carrinhos de compras na mão e começaram a alimentar esses gatos. Poucos minutos depois, apareceu a mesma senhora do condomínio e pagou um esporro daqueles para as duas, mandando elas irem embora ao som de: fuera!

 

As duas saíram praguejando, dizendo que ela estava maltratando os gatos, que elas a denunciariam e que ela teria que voltar para o país dela. Foi quando descobri que a senhora era estrangeira, é impressionante como sempre se usa o mesmo argumento patético do volte ao seu país! Mas enfim, ela nunca tratou mal aos gatos, sou testemunha, pelo contrário. Aliás, estava prontinha para descer, caso a polícia realmente aparecesse. Lá ia eu me meter! Não foi necessário, as duas coroas botaram os rabitos entre as pernas e foram embora. Nunca mais as vi.

 

Achei muito engraçado as pessoas disputarem quem alimentaria os gatos de rua, é muita falta do que fazer! Tem tanto animal solto precisando ser cuidado, para que essa bobagem competitiva?

 

Sei que dona leoa estrangeira continuou alimentando e cuidando de seus felinos. E eu, continuei tomando conta pela janela. Na verdade, adoro bichos e não deixavam de me fazer companhia quando apareciam pelo jardim. Um dia consegui fotografá-los, todos juntos.

 

 

 

Quando escuto a senhora chamando por Luly, vamos ela para comida e eu para janela. O problema é que ontem Luly não apareceu e fiquei angustiada. Sei que gatos às vezes passeiam ou se mudam, mas esses me pareciam bem satisfeitos ali. Por outro lado, acho que não aconteceu nada grave, porque se foram os quatro, a fêmea e os três filhotes.

 

O jeito é esperar. Por onde andará Luly?

 

8 comentários em “57 – Por onde andará Luly?”

  1. Oi Bianca
    Nem sei quem tinha menos o que fazer, voce ou as velhinhas, hahahaha.
    Mas vá lá, voce é apaixonada por gatos e da pra entender sua preocupação.
    Dia 08/08 foi aniversário do meu filho, Mario, e nosso presente será uma gatinha, pois aqui em casa também tem uma competição pra vêr com que ele vai dormir, etc… Assim que a gente for buscar o gatinho eu te mando fotos.
    Beijos.
    Marianne

  2. hahahahah… é, acho que eu também deveria ter mais o que fazer, né? Mas é que os gatinhos são uns fofos e, mesmo fazendo alguma coisa em casa, escuto quando a senhora chama a Luly, e aí já viu… a curiosidade fala mais alto. Tô dizendo que virei uma cotilla!

    Quer dizer que chegará mais uma gatinha? Melhor ver se o Fumaça aceita, lembra como foi com o cachorrinho? Boa sorte! Depois me conta.

    Besitos

  3. Ai que fofossss, ai chica, agora ate eu estou nessa agonia!!!
    Onde esta Lulyyyyyyyy e seus filhotinhos fofos!!!!
    Trata de escrever contando se eles voltaram ta?
    Besossssssssssss

  4. Oi, Didi! Assim que eles voltarem, te aviso. Mas por enquanto, nem sinal. O que me deixa mais tranquila é que foram os quatro de uma vez. Então, acho que podem ter se mudado, mas não sei. Andaram fazendo algumas reformas onde eles costumavam se esconder. Pode ser que com o movimento eles tenham preferido buscar outro esconderijo. Besitos

  5. Olá, descobri o seu blog pelo o da Glenda de Sevilla. Moro em Madrid, sou de Sao Paulo e também escrevo sobre a Espanha… gostei muito do seu post, realmente os espanhóis sao os reis da fofoca, hehehe.
    Espero que os gatos estejam bem!

    Um abraço

  6. Oi, Alessandra! Seja bem vinda! Também sou leitora do blog da Glenda. Os gatos, felizmente, estão bem! Voltaram hoje à tarde, até escrevi sobre isso. Vou lá te fazer uma visita virtual.
    Besitos

  7. heheheh… tenho não, mas é sempre bom passar um hidratante, assim para nem dar chance de nascer [:D]

    Besitos

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