42 – De volta a Madri

Chegamos a Madri após uma viagem que parecia interminável, onze horas até Paris, três horas de espera para conexão e mais duas até aqui.

 

A entrada em Paris foi bem tranquila, sem o menor terrorismo da imigração. Chegar a Madri foi mais tranquilo ainda, pois afinal é um vôo dentro da comunidade européia. As malas entraram sem problemas e dentro delas uma festa junina e duas feijoadas. A festa já estava marcada para o último fim de semana de junho, as feijoadas vão esperar o outono.

 

Vim pelo caminho desde o aeroporto doida para agarrar meu felino gordo, que nos recebeu na porta como se fosse um cachorrinho. Estava bem e afoito por atenção, ainda não largou do meu pé. Sou muito desapegada às casas e ele tem me ensinado o prazer em voltar.

 

Apesar do cansaço, Luiz ainda tinha que trabalhar de casa e também aproveitei para começar a por ordem na vida. Seguramos o máximo possível para dormir à noite e nos encaixarmos no fuso de uma vez.

 

Ele mal baixou as malas e já viajou no dia seguinte para Dublin. E eu, que até acordei cedo, resolvi dar uma cochiladinha de nada, da qual só acordei às cinco da tarde. Sempre acompanhada pelo Jack, que estava tão feliz que nem teve o trabalho de tentar me despertar antes, estava largado na lateral da minha barriga.

 

Tinha ensaio do coral, essa semana houve duas vezes, e tratei de entrar logo no esquema. Resolvi ir a pé, para não perder o hábito. Um calor do cão! Esse ano praticamente não houve primavera, a mudança da temperatura não foi gradual, saiu do frio para o calorão. O verão aterrizou junto conosco na Espanha.

 

Após descobrir o verdadeiro culpado pela minhas bolhas na caminhada dos Pirineus, resolvi aproveitar e resgatar do armário minhas antigas botas de trekking. Minha companheira estava ali fechada há tanto tempo tadinha, fui dar uma volta com ela.

 

O ensaio foi até mais tarde e já eram umas 23:00hs quando voltei para casa, também a pé, acompanhada apenas pelas minhas velhas botas. Vim fazendo as pazes com a cidade que ainda me permite caminhar sozinha pela noite sem medo. Na cabeça vinha enumerando as cidades que conheço e pensando em qual delas seria minha favorita, coisa que não gosto de fazer, mas me dei ao direito naquela noite. Não encontrei nenhuma perfeita, porque não existe ou não conheço. Ainda não há nenhuma onde tenha vontade de construir minha casa dos sonhos. Talvez a casa dos sonhos deva permanecer aí mesmo e nunca se concretizar.

 

Bom momento para um faxinão! Coisa que fiz no dia seguinte. Limpar a casa, zerar outro ciclo e recomeçar outro dia. Também o primeiro dia que liguei o ar condicionado. Foi mal aquecimento global, mas termperatura artificial é fundamental. Até rimou!

 

Na quinta, Luiz, que ainda estava viajando, faria uma pequena pausa em Madri e tornava a embarcar em direção à Florença. Saiu de Dublin, conexão em Paris, Madri e Roma, até finalmente chegar em Florença, seu destino. Fiquei com pena e como era a única alternativa para ver meu marido durante a semana, lá fui eu encontrá-lo no aeroporto, entre uma conexão e outra. Vaya mundo globalizado!

 

Não dá para ir a pé ao aeroporto, daí lá fui eu de tatu e me enfiei no metrô. Até aí, normal, mas ao assistir os noticiários que ficam passando nas estações, lá estava outra vez, só notícia de quadrilha de imigrantes. Que saco!

 

Semana passada, entraram no Kabocla, um bar brasileiro, para uma batida atrás de imigrantes, pode? Segundo a dona, foram uns 20 policiais para pedir identificação às pessoas, pergunta se fariam isso em uma taberna local? O resultado, se deram mal, era uma festa espanhola e acabaram enchendo o saco dos seus próprios conterrâneos, o dia da caça.

 

O que ganham com isso, vai se saber. A curto prazo, votos e uma cortina de fumaça para problemas mais sérios, estratégia bem conhecida não só por aqui. A médio e longo prazo, separação, discriminação, criminalidade e estagnação de desenvolvimento. Sei que uma cultura a qual era extrema simpatizante no início, hoje vejo com certo deboche e má vontade. Ainda gosto daqui, mas perdi a admiração, me pego sem raiva, mas indiferente, o que talvez seja pior. Ao mesmo tempo, não será sempre assim? Se não fossem esses problemas, seriam outros. Não gostaria de inverter a história e me tornar uma grande preconceituosa, também não tenho paciência para ficar dando murro em ponta de faca. Enfim, o mundo anda muito complicado para minha cabeça.

 

Mas ainda faço parte desse mundo, então melhor também me divertir um pouco e fazer minha parte.

 

Sábado, faremos uma festinha junina improvisada. Assim celebramos a entrada do verão. É quente para burro, como diria minha avó, um calor de rachar o quengo! Mas a luz é linda, deixa todo mundo com energia boa e vontade de sair logo da cama, da inércia. Será que me animo a pegar uma corzinha?

 

4 comentários em “42 – De volta a Madri”

  1. Eu amo esse clima , ainda mais pra nós né que temos tantos meses de frio!!! Amo a energia que ele traz !!!
    Esta aberta a temporada verao de festas e shows!!
    Nossa semana daqui ao dia 8 será intensa rsrsrs
    Beijos

  2. Pois é, menina, e Rock in Rio madrileño nos aguarda! Só não contava com esse calorão! Pelo menos, apresentação do coral e Djavan é com ar condicionado… heheheheh… Será que com todo esse pique, dá para emagrecer um pouquinho?
    Besitos

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