28 – Entre crises e festas

A bruxa anda meio solta. Olho em volta e vejo uma pá de amigos com problemas. Conheço essas ondas e, da mesma maneira que percebo quando chega uma boa maré de oportunidades, pressinto agora um período difícil. O que não necessariamente é ruim. Isso sempre depende das decisões que tomamos e o quanto conseguimos crescer com as crises.

 

Sempre tenho essa sensação que se abrem portais de caos e a gente escolhe se pula nele ou não. Eles se fecham muito rapidamente e quem não entrou nunca saberá o que perdeu. Quem se atirou também não tem nenhuma garantia, mas tem ao menos uma chance. Entrar só quer dizer que o jogo começou e que você pode fazer parte dele. E isso às vezes já é muita coisa.

 

Estava lendo algo sobre um estudo, que não sei se realmente ocorreu, mas dizia que uma pessoa só era feliz de verdade depois dos quarenta. Sou um pouco relutante a esse tipo de postura classificatória, mas enfim, é quando percebemos que da mesma maneira que não há felicidade eterna, mas momentos de felicidade; também não há tristeza eterna, apenas seus momentos. É uma inversão sutil e otimista de abordagem que fez muito sentido. Talvez porque, em breve, chegue aos quarenta.

 

Ainda me impressiona como em um mesmo dia posso ser tão feliz e tão triste, e cada vez mais esses sentimentos interferem menos um no outro. Acredito que seja pela consciência que são só momentos e que, sem nenhuma demagogia, preciso dos dois.

 

Ontem foi um dia feliz e triste. Tínhamos nossas razões para comemorar e sempre faço questão absoluta de comemorar. Celebramos. Estava feliz e orgulhosa.

 

Mas o fim da noite e da segunda garrafa de vinho me fez lembrar que ainda tenho uma situação mal resolvida. Do ano passado para cá tenho esse dilema da maternidade. Quando penso nele, continuo chegando a uma resposta negativa. Mas por que raios ele não vai embora de uma vez? Nem sei se posso chamar de dilema, no fundo nem sei mesmo se tenho dúvidas. Por que ainda sofro com isso?

 

O fato é que fuçar esse assunto sempre me traz um prisma novo e talvez ainda não tenha explorado de verdade as razões. Elas doem. É foda admitir a total incapacidade de ser mãe. Porque eu não quero e porque eu não tenho coragem.

 

Pior é a contradição do alívio do Luiz não querer ser pai e ao mesmo tempo me sentir mal por ele não me querer como mãe de um filho dele. É insano! Mas me peguei nessa dúvida idiota do por que não comigo? E para que? Para no final eu responder, não quero. Por que a gente cresce com essa estúpida mania de achar que tem uma resposta certa, uma fórmula única.

 

Não há mais o que ser dito, não há mais nada que precise ouvir sobre esse assunto.

 

As pessoas tem padrões de comportamento, todo mundo tem. O meu é arriscar, na dúvida, quase sempre digo sim. Eu troco o certo pelo duvidoso, é a minha natureza. E acho que pela primeira vez na vida, quebro esse padrão por algo importante. A bosta do portal está aberto na minha cara, está quase fechando, e eu não pulo.

 

E apenas posso esperar que seja só um momento.

 

Sexta-feira tem festinha com o pessoal do coral. Faremos um churrasco aqui em casa para quem não viajar no feriado. Amigos queridos, com e sem problemas, e cada um com seu próprio momento. Sei que é gostoso encontrá-los, faz minha família ficar maior. Quem sabe assim, quando a bruxa chegar, descubra que veio bater em endereço errado.

 

 

 

4 comentários em “28 – Entre crises e festas”

  1. Você ainda tem opções minha amiga…

    Querer ou não querer, e de repente ter essa opção as vezes é mais duro do que não tê-la. De um certo modo, quando descobrimos que não teria a opção, fechei um ciclo , a vida nos dizia que NÃO, então disse , pronto , vamos viver assim , sem filhos, mas a maternidade que levamos dentro as vezes aflora e pensamos , e se…

    Então escrevo, me emociono , mas nunca poderei saber como seria …

    É um ciclo que com a razão sei que foi fechado, mas no fundo , ainda fica o coração …

    Dê uma chance pra que teu coração fale , tente deixar a sua razão um pouco mais em segundo plano e escuta o que ele tem pra te dizer…

    Faça sua caminhada pensando em coisas boas, sem torturas por respostas , e se ela vier, que seja bem vinda , seja ela qual for…

    …O filho que eu nunca tive…

    Vive em algum lugar dentro de mim!

    Beijos mil

  2. Oi Bianca
    Sempre escrevo algum comentário, mas dessa vez acho que não devo dizer nada a respeito disso, é problema muuuuito seu e do Luiz assim a única coisa que poderia dizer é que filhos é uma benção.
    Beijos.

  3. Prima querida,

    Vc escreveu que “sobre esse assunto não há mais o que ser dito, não há mais nada que ouvir sobre esse assunto”. Então só te peço que leia e releia o que escreveu a Didi no primeiro comentário deste post.
    Esqueça o resto da humanidade e não alegue incapacidade de ser mãe, porque capacidade vc tem até mais do que acredita.
    Estamos te esperando com muita saudade!
    Bjs procê e pro Luiz.

  4. Aqui na Espanha tenho muitos casais de amigos que decidiram nâo ter filhos. No Brasil todos meus amigos casados ja tem 1 ou 2…Nâo sei o que acontece aqui que as pessoas perdem a vontade, ou tem medos, inseguranças. Eu mesmo sempre morri de vontade. E agora…..preguiiiiiça. E o tempo vai passando e cada vez da mais preguiça. As minhas amigas falam que é a coisa mais linda, maravilhosa e o amor mais forte e incondicional. O Miguel tambem.
    E sinceramente de alguns desses amigos daqui descubri que um dos dois queria mas respeitou a opçâo/insegurança do outro.
    O comentário da Diana me emocionou muito, muito e o tempo vai passando e eu penso que me arrependerei se nâo tiver. Mas tenho a opçâo. O Miguel quer muito e tenta argumentar com todo carinho a cada comentário de preguiça, falta de vontade, falta de paciência ou ameaça profissional que eu diga.
    E ele tem razâo.
    Concordo com a Diana, temos a opçâo e é uma pena desperdiçar…
    A gente(digo por mim) pode dizer nâo quero e tal. Mas acho que se acontece nos desmanchariamos de doçura….

    Beijo grande.

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