27 – Ogum com Clara Nunes, só pode dar certo!

Acabamos de chegar do show da Vanessa Borhagian, o mesmo que fiz propaganda alguns posts atrás. Eu adorei! O pessoal do coral deu uma palhinha em três músicas, acho que foi nossa melhor apresentação. Uma energia tão legal, que fiquei com a sensação que todo mundo saiu hoje do bar mais feliz. Eu estava.

 

Mas vou voltar um pouco o filme para entender e tentar passar porque me sinto tão bem.

 

Dia 23 de abril é dia de São Jorge, santo atribuído pelos brasileiros a Ogum.  Sou encantada pelas histórias dos orixás, coisas que escutava da minha avó. Quem aliás, me garantia que sou de Iemanjá. Ela não se importava muito se eu acreditava ou não, ela tinha a fé para mim. De maneira que as histórias, os cantos e as danças me são familiares, e o fato do candomblé ser meio mal visto na época me deixava a sensação de conhecer algo misterioso e proibido. Convenhamos, era muito mais interessante.

 

O show era em homenagem à Clara Nunes. A primeira música que o coral cantou se chama “O Canto das Três Raças” e, apesar de não ser nada religiosa, tem uma batida afro que me lembra bastante os rituais do candomblé.

 

Todos nós fomos vestidos de branco, o que imediatamente me deixou no astral de Ano Novo. O reveillon no Brasil era o único momento onde me vestia totalmente de branco, sempre fiz questão. Saindo de lá, minhas viradas de ano passaram a acontecer no inverno, em lugares onde esse ritual de paz não existe e portanto a roupa não fazia a menor diferença.

 

E por todos esses motivos, mais cedo, quando ensaiava para o show no bar, era inevitável não lembrar da minha avó. Sem tristeza, mas também sem vergonha de pedir proteção e de matar a saudade.

 

Enfim, chegamos no bar e agora vou me exibir um pouquinho, porque logo na entrada tive uma experiência inédita. Uma pessoa chegou para mim e perguntou, você é a Bianca do blog? Juro que olhei achando que era alguma amiga de farra comigo. Não era, era uma leitora super simpática. Eu achei simplesmente o máximo! É bacana ver o alcance que te dá uma ferramenta absolutamente gratuita e democrática. Enfim, “leitora”, porque não costumo publicar nomes, prazer em conhecê-la. Quem sabe nos encontramos em algum outro evento. 

 

E para mostrar que o mundo é muito, mas muito pequeno, há pelo menos um ano tento encontrar com uma outra amiga, que conheci através da minha prima de Belo Horizonte. Sempre acontecia alguma coisa e nos desencontrávamos. Essa semana ela me escreveu no orkut, sabia do show, disse que ia e quem sabe, finalmente, nos encontrássemos. Pois sim, nos encontramos. Havia ficado curiosa como ela descobriu sobre o tal show. Acontece que ela não conhece só uma, mas duas outras integrantes do coral que participo. Pode? Mundinho minúsculo, né não? Dessa vez, nos prometemos não demorar mais tanto tempo para nos reencontrar, no que pretendo me empenhar.

 

A sensação que tinha era de conhecer todo mundo que chegava, de encontrar um milhão de amigos que adoro, alguns mais antigos, outros recentes. Fiquei feliz, me senti em casa.

 

O show começou no maior alto astral, com uma das minhas músicas favoritas à capela, salve o samba, salve a santa, salve ela… salve o manto azul e branco da Portela… Sou Portela, e ainda que não acompanhe mais tão fervorosamente, fico sempre emocionada quando escuto essa música. Foi um arraso de bom, como todos os shows da Vanessa. Além do mais, na primeira parte a gente não entrava, portanto estávamos tranquilos e curtindo bastante o momento.

 

Nossa surpresa acontecia na segunda parte, logo após a terceira música. Não fomos anunciados, a gente se misturou com o público. Bom, no que dava para se misturar discretamente aquele povo todo de branco, né? Lógico que não éramos nada discretos. Chegaram a nos perguntar por que os brasileiros gostavam tanto assim de se vestir de branco. Fora o ti-ti-ti de quando é que entramos mesmo… a gente canta no primeiro ôôô… não só no segundo… começa a batucar no guém do nin-guém… mas onde é que a gente fica… e vai caber todo mundo…

 

Mas enfim, nos misturamos, com coquinhos na mão para o batuque. Tínhamos nossa deixa, já citada acima, para começar a batucar em direção ao palco. Não é que deu certo? Se não estivesse tão concentrada para não errar a batida, acho que tinha até me emocionado. Aquela massa branca de energia pura, cantando do jeito que sabíamos. No grupo, as imperfeições individuais se diluem, se complementam, sei lá, mas funciona.

 

No final, estava leve, com a maior vontade de abraçar todo mundo. E até esse momento só tinha bebido água! Vou logo avisando.

 

Acabou nossa parte e nos acabamos de dançar com o resto do show. Ainda nos juntamos para cantar uma última música com nossa professora-cantora e até no improviso ficou legal. Sabe esses dias que tudo parece que dá certo?

 

No final, com a casa já vazia, ainda fiquei dançando e rindo de bobagens com uma amiga. Culpa dela que tomei minha única dose de whisky, da qual também não me arrependo. Pensava que coisa surreal essa de participar de um show num bar cheio, e em Madri! Eu sei que o show não era nosso, mas cantar em um bar era algo impensável há alguns anos, e em outro país então, nem se fala. E como podia estar tão à vontade e me sentindo tão em casa. Conhecer essas pessoas é um privilégio.

 

Luiz e eu saímos do lugar quase varridos, quando já não havia mais praticamente ninguém. Mesmo assim porque ele precisava acordar cedo, haja energia.

 

Em casa, não aguentei esperar o dia seguinte para começar a escrever, queria estar na emoção do momento. E lembrando dos detalhes da noite foi quando percebi que o nome daquela leitora lá do início do post é o mesmo nome da minha avó.

 

Acho que ela deu seu jeito de me dizer agora, eu fui boba. 

 

 

 

 

5 comentários em “27 – Ogum com Clara Nunes, só pode dar certo!”

  1. Obrigada pelo “leitora simpática”. Foi mto divertido ter te reconhecido… Deve ter pensado: “que doida!” rs. Realmente a noite foi mto bacana, fiz boas amizades alí! Um beijinho

  2. Oi, Camila!

    De nada, mas essa história ficou mais maluca ainda, escuta só, ontem, quando você se apresentou, ouvi nitidamente que seu nome era “Carmem”. Só pode ser a idade… hehehehe… tô ficando surda! E, agora que você já deve ter lido a crônica, olha que doido, porque é o nome da minha avó que fiquei super emocionada em lembrar no fim da noite. E nesse momento te lendo, me dei conta que ouvi errado! Só que o “errado” era justo o que precisava ouvir, que louco, né?

    Enfim, Camila, você é a do jantar com amigos espanhóis não é isso? Pena que não associei a história ontem, porque tinha ficado curiosa para saber se deu certo. Depois me conta.

    Que engraçado!

    Besitos

  3. O O O ooo
    ooooo oo oo

    Ninguem ouviu , um soluçar de dor, no canto do Brasil…( ta ta ta tata)

    Disse tudo Blanquita, foi realmente de arrepiar, de emocionar , e essa sensaçao de felicidade foi geral !!!
    Que delicia…
    beijossssssssss ensolarados

  4. Que história engraçada! Eu acredito q as coisas não acontecem por acaso e visto dessa forma, talvez era o q vc tinha q escutar msm!
    Qto ao jantar, acabei por não fazer naquele fim de semana, ainda não remarcamos a data, mas já estou super afim de fazer a moqueca… Depois te conto o q q deu! bjinho

  5. Oi, Didis! Fez falta ontem no ensaio. Mas quem sabe a gente não dá uma cantadinha hoje, né?

    Oi, Camila! Coragem para fazer uma moquequinha 🙂 Fica ótimo!

    Besitos

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