XVIII – A Compostelana

Da catedral, nos informamos e fomos juntos buscar a Compostelana, que é como um tipo de certificado que você trilhou o Caminho. Vem todo em latim, inclusive seu nome. Para conseguí-la, você leva sua Credencial do Peregrino toda carimbada, ou seja, uma forma de você provar que passou pelas cidades. 

Só que tem uma pegadinha, antes de te darem, perguntam se você fez o caminho por motivos religiosos, e se sua resposta for negativa, não te dão a Compostelana. Você recebe um outro certificado, mais vagabundinho, te dando as boas vindas. Um prêmio de consolação. Tem a saída honrosa que é dizer que fez por motivos espirituais, mas me soa como colar na prova para passar de ano a qualquer custo. Não tenho mais idade para isso. 

Não é nenhum problema fazer por motivos religiosos ou espirituais, pelo contrário, acho inclusive que é o mais coerente. E quem assim o fez, deve se sentir orgulhoso em buscar seu diploma de fim de curso. Não é o papel, é o que ele representa. Algo que te lembre que você esteve ali e foi capaz. 

As pessoas, e me refiro aos peregrinos, respeito e muito, mas a instituição é perversa, o que não deveria me surpreender. Achei o fim da picada. Pedir uma comprovação mínima que o caminho foi trilhado é mais do que justo. Mas por que essa necessidade de estabelecer e categorizar a importância do esforço de cada um? Bom, se você fez por motivos religiosos, você é uma pessoa legal, merece. Mas você que fez por seus próprios motivos, sejam eles quais forem, porque ninguém me perguntou, sinto muito, até seja bem vindo, vai, mas seu esforço vale menos. O irônico é observar a incoerência desse julgamento, principalmente pela óbvia indústria que está por trás. Quanta hipocrisia. E que ninguém tente me convencer que a intenção não é essa. 

Na hora “h”, afirmei que não fiz por motivos religiosos. E se fosse por motivos espirituais, negaria sete vezes. A propósito, não esqueci de deixar minha contribuição sugerida em dinheiro. Gosto de pagar minhas contas em dia. Não sou muito católica, mas sou limpinha. 

Mais tarde, meu amigo brasileiro me falaria a respeito, vou te ensinar uma coisa, presta atenção: mente! Vamos voltar lá para você trocar esse certificado! Ele estava certo, eu e minha mania de levar tudo a ferro e fogo, que caxias! Achei engraçado, mas para ser muito franca, fiquei com preguiça de subir a escadaria para me aborrecer por um papel. Fala sério, nem sabia se queria a tal Compostelana no início, me animei no final, porque todo mundo ia pedir. Melhor deixar isso para lá, os incomodados que se mudem.

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